Raquel Hallak fala sobre trajetória no audiovisual e criação da Mostra de Cinema de Tiradentes
O episódio marca nova temporada do programa e vai ao ar nesta quarta (18), às 19h, no portal O Liberal e no YouTube
O jornalista Ismaelino Pinto recebe a gestora cultural Raquel Hallak no episódio 55 do videocast “Mangueirosamente”, que marca a estreia de uma nova temporada do programa. O bate-papo virtual vai ao ar nesta quarta-feira (18), a partir das 19h, no portal O Liberal.com e no canal oficial da plataforma no YouTube.
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Diretora geral da Universo Produção e coordenadora-geral da Mostra de Cinema de Tiradentes, além da CineOP e da CineBH, Raquel falou sobre sua trajetória no audiovisual e os bastidores de alguns dos principais eventos de cinema do país.
Durante a conversa, ela relembrou que a ‘Universo’ surgiu há mais de três décadas, em Belo Horizonte, inicialmente voltada à realização de eventos, e que sua relação com o cinema começou de forma inesperada, a partir da proposta de ocupar um centro cultural em Tiradentes.
Segundo Raquel, a ideia era criar um evento que inaugurasse o espaço e garantisse uma programação contínua, ao mesmo tempo em que incentivasse a produção cultural local.
“O cinema foi pensado um pouco nesse sentido, em uma época que os cinemas do interior do Brasil estavam se extinguindo, ficando somente as salas dos shopping centers”, relembrou.
Raquel conta que a criação da ‘Mostra’, que completou 29 anos de existência em janeiro de 2026, ocorreu em um momento de retomada do cinema nacional, o que trouxe desafios e expectativas. Na época, havia incerteza sobre a continuidade da produção audiovisual no país, mas a proposta do evento era acompanhar esse movimento, como mencionou ela.
“Não sabíamos se teria produção audiovisual para sustentar todo ano. Eu falei: ‘Vai nascer um festival aliado do cinema brasileiro contemporâneo. E se não tiver produção, a gente faz retrospectiva, a gente mostra que não tem, a gente discute para ter’”, afirmou.
Espaço de descoberta e ‘inquietação’
Desde então, a festival de cinema mineiro se consolidou como um dos principais eventos do setor no Brasil. Atualmente, a programação reúne mais de 130 produções selecionadas a partir de cerca de 2 mil inscrições por edição.
De acordo com Raquel, o evento funciona como um espaço de observação das novas tendências do audiovisual. Ela define a Mostra como um termômetro do que será o cinema brasileiro a cada ano. “É o evento da inovação, da ousadia, é um evento da inquietação”, destacou.
Impacto cultural
Outro ponto abordado na conversa foi a criação da CineOP, voltada à preservação do cinema brasileiro. Raquel explica que a iniciativa surgiu a partir de dificuldades relacionadas à conservação de obras audiovisuais no país. “A preservação era o patinho feio do audiovisual. Ninguém queria falar de preservação”, afirmou.
Raquel também defendeu o papel do cinema como ferramenta de registro e identidade cultural. Para ela, o audiovisual é uma forma de documentar o presente e refletir a sociedade. “Cinema é um retrato de quem nós somos, é a nossa identidade, é o registro do tempo presente”, disse.
A produtora também abordou a necessidade de regulamentação das plataformas digitais, destacando a importância de garantir espaço para o cinema nacional nesses ambientes. Segundo ela, a criação de políticas públicas pode contribuir para fortalecer a produção brasileira.
“A gente quer ter transparência de dados, quer que essas plataformas paguem impostos e que esses recursos sejam utilizados no fomento à produção”, afirmou, citando modelos adotados em países como a França.
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