‘Mangueirosamente’: Zé Paulo Vieira conta como é ser um criador de sucesso na mídia
Enquanto prepara uma biografia sobre o cantor Pinduca, Zé não para de pensar em novos projetos culturais
Quando ainda era um garoto descobrindo o mundo, o jornalista, publicitário e radialista e escritor paraense Zé Paulo Vieira da Costa acompanhou o pai dele, Waldomiro Gurupi da Costa, em uma situação curiosa. O pai tinha comprado um televisor e quando todo mundo em casa se reuniu para conferir o conteúdo em preto e branco, surgiu um chuvisco danado no visor. O senhor, então, foi reclamar com o vendedor. Nessa conversa, soube que tinha de instalar a antena da TV para tudo funcionar direitinho. Essa cena e o que veio em seguida não saíram mais da memória de Zé Paulo. Ele se tornaria conhecido como um homem de mil talentos na mídia, criando atrações na televisão e atuando em outras áreas da vida paraense. E isso até hoje, quando prepara o lançamento de uma biografia do genial Pinduca, o Rei do Carimbó.
Pois, Zé Paulo é o entrevistado do videocast “Mangueirosamente” desta sexta-feira (30), que inaugura sua quinta temporada, neste começo de 2026. A partir das 19h desta sexta, o público vai poder conferir o bate papo entre Zé Paulo, sócio da 3D Estúdios, e o apresentador do “Mangueirosamente”, Ismaelino Pinto.
O público vai ter mais detalhes sobre a trajetória de Zé Paulo, que aos 16 anos, em fevereiro de 1975, ingressou na TV Guajará, para apresentar o programa “Balanço Musical”. Na mesma semana, ele passou a ser locutor de cabine na TV, aprendendo “nas coxas” essa nova tarefa. Em menos de um ano, foi puxado para o Departamento de Programação e, em sequência, virou diretor dessa área na emissora. E tudo com a TV ao vivo.
Naquele tempo, a TV nem de longe dispunha do acervo tecnológico atual. Nos bastidores e na própria transmissão dos programas, os equipamentos eram meio rudimentares e era necessário muito esforço e criatividade para conquistar telespectadores, o público. Entretanto, Zé Paulo foi desbravando tudo, conquistando seu espaço.
Ele já estava submerso no trabalho em televisão quando foi aprovado para o curso de Psicologia da UFPA. Como atuava como diretor, Zé Paulo acabou não concluindo o curso. Virou de vez jornalista. E nessa área, fez um pouco de tudo.
Zé foi dirigindo programas, filmes publicitários, roteiros. “Fui aprendendo, fazendo, na lei do acerto e do erro. Não tinha quem ficasse nos ensinando”, conta.
Na conversa com Ismaelino Pinto, Zé Paulo lembra que aos 6 anos de idade, entrou em um estúdio de TV para cantar em um programa infantil. E isso se deu logo depois do caso do televisor que o pai dele havia comprado.
Quando o televisor pegou, a família passou a conferir o programa “Domingueiras”, apresentado por Emílio Sebastião, e o “Casa de Bonecos”, com Estelinha Assis. Nesse programa, um garoto se apresentou cantando, e Zé Paulo disse, na presença do pai dele, que também poderia fazer aquilo. Então, o pai disse que Zé iria, de fato, cantar na TV, com o maestro Guiães de Barros. Dito e feito.
Ao conferir o clima movimentado e os estúdios da TV Marajoara, Zé Paulo disse a si mesmo que era numa televisão que gostaria de trabalhar. O maestro Guiães acabou gostando de Zé como cantor mirim. Zé conta, inclusive, sobre a experiência com o Coro Infantil Marajoara e em radionovela na Rádio Clube do Pará.
TV Cidade
Nos anos 1980, o “TV Cidade”, programa criado por Zé Paulo, virou uma febre entre os telespectadores. Era na TV Guajará, e o nome do foi dado pelo jornalista Linomar Bahia que apresentava um quadro sobre cidade e política.
O “TV Cidade” teve como integrantes o apresentador Kzan Lourenço, Gilda Medeiros apresentando o Mundo Vip, Edson Matoso com as notícias do esporte e no quadro de polícia - pela primeira vez na TV paraense - a estreia de Amaury Silveira; Zé Paulo levava ao público informações sobre um estudantes, saúde e agronegócio. Tudo ao vivo. Esse programa foi importante na carreira de Beto Barbosa, Teddy Max, Mauro Cota, Francis Dalva, Miriam Cunha e muitos outros artistas.
Zé detalha no “Mangueirosamente” que a introdução de “Ao Por do Sol”, com Teddy Max, teve arranjo feito por Pinduca, e a conexão entre artistas paraenses com o Arquipélago do Marajó, na divulgação e valorização do estilo musical brega, uma das caras do Pará. No videocast, o público confere muito mais sobre Zé Paulo Vieira, inclusive, a relação dele com o teatro, o cinema e o convite que recebeu do próprio Pinduca para ele escrever a biografia desse cantor-símbolo da música do Pará.
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