Paraense lança livro inspirado na distância dos filhos e nos impactos da separação familiar
Lançamento de ‘Debaixo do Mesmo Céu’ ocorreu em Paris e reuniu brasileiros durante festival de cinema
Entre lembranças mantidas à distância e memórias construídas antes da separação familiar, o paraense Gustavo Ferreira Lopes encontrou na escrita uma forma de transformar experiências pessoais em narrativa. Natural de Belém e vivendo fora do Brasil desde 2018, o cozinheiro e escritor lançou no último dia 10 de maio o livro “Debaixo do Mesmo Céu”.
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A obra reúne relatos sobre amor, ausência, dor e resistência afetiva a partir da vivência de um pai separado dos filhos. A última vez que Gustavo viu as crianças pessoalmente foi em 2017. O contato mais recente por telefone aconteceu há quatro anos.
Segundo ele, foi dessa experiência que nasceu o livro, iniciado durante o período da pandemia. “O livro nasceu primeiro como uma necessidade emocional, quase como uma carta que eu precisava escrever para os meus meninos, mesmo sem saber se eles leriam um dia”, contou o autor.
Atualmente morando em Paris, Gustavo afirmou que tentou lidar sozinho, durante anos, com o afastamento familiar e os impactos emocionais provocados pela distância.
Livro aborda vínculos afetivos e alienação parental
Segundo o autor, a obra também surgiu da necessidade de discutir alienação parental e os efeitos causados pela demora judicial em processos familiares.
“Quando um processo se arrasta por anos, não é apenas a justiça que atrasa, vínculos afetivos também se rompem, crianças crescem longe de quem amam e o tempo perdido nunca volta”, declarou.
Gustavo afirmou que o objetivo não era produzir apenas um relato jurídico ou cronológico da própria história. “Eu não queria escrever apenas uma sequência de fatos ou um relato jurídico da minha história. Eu queria que o leitor sentisse”, acrescentou.
Ao longo do livro, o autor mistura experiências pessoais, reflexões sobre sentimentos e elementos autobiográficos em uma narrativa marcada por memórias afetivas. “A obra fala de dor, mas também fala de amor, de resistência, de esperança e daquilo que continua vivo mesmo depois das rupturas”, afirmou.
Obra traz sugestões musicais e final interativo
Além da narrativa principal, o livro apresenta sugestões musicais que funcionam como trilha sonora da leitura. Segundo Gustavo, o encerramento da obra foi pensado para ampliar a experiência emocional do leitor.
“O livro termina como uma carta aberta, convidando cada pessoa a imaginar, sentir e até completar emocionalmente aquilo que ficou entre as linhas”, disse.
Durante a entrevista, o autor relatou que a escrita passou a funcionar como uma forma de preservar as lembranças construídas ao lado dos filhos.
“A escrita me salvou em muitos momentos. Houve dias em que eu não conseguia fazer nada além de escrever”, contou.
Segundo ele, registrar memórias no papel se tornou uma maneira de manter viva a relação afetiva com as crianças mesmo à distância. “Às vezes, escrever era a única maneira que eu tinha de continuar sendo pai”, afirmou.
Lançamento ocorreu durante festival em Paris
O lançamento oficial da obra ocorreu no Cinema L’Arlequin, em Paris, durante o Festival du Cinéma Brésilien de Paris, realizado no início de maio. O evento reuniu brasileiros, artistas, produtores culturais e leitores.
De acordo com o autor, cerca de 70 exemplares foram vendidos nas primeiras horas. Mesmo vivendo fora do Brasil, Gustavo afirmou que Belém continua presente na construção emocional do livro.
“Mesmo escrevendo em Paris, emocionalmente eu nunca deixei o Pará”, declarou.
O autor revelou ainda que trabalha para realizar um lançamento da obra na capital paraense nos próximos meses.
“Belém é parte da minha raiz, e levar esse livro até lá não é apenas um plano editorial, é um ato afetivo”, disse.
A partir de junho, “Debaixo do Mesmo Céu” estará disponível pela Amazon no Brasil, Europa e Estados Unidos.
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