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Neste domingo, 29, marca os três anos do falecimento de Walcyr Monteiro

Legado do escritor é lembrado também nos 50 anos da série Visagens e Assombrações de Belém

Marly Quadros

Neste domingo, 29 de maio, completam-se três anos da morte de Walcyr Monteiro, autor da série “Visagens e Assombrações de Belém”, que completou 50 anos de publicação no dia 7 de maio passado. Com a volta dos eventos presenciais, o filho mais velho do escritor e curador de sua obra, Átila Monteiro, anunciou que a editora Walcyr Monteiro seguirá comemorando o legado do autor durante todo o ano, com participação em feiras de livros e eventos direcionados para o universo fantástico e sobrenatural.

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A próxima ação será a exposição e venda dos livros do escritor na sexta-feira, 3 de junho, no estande da Fundação Cultural do Pará (FCP) dentro da Feira do Livro de Castanhal, que será aberta na quarta-feira, 1 de junho. Na programação haverá, inclusive, homenagem ao cartunista Biratan Porto, um dos talentos que ilustrou algumas histórias das obras de Walcyr.

Átila Monteiro revela que além de seguir buscando apoio para a edição dos livros já lançados, o objetivo também é conseguir apoio de instituições públicas e privadas para lançar os trabalhos inéditos. “As obras do meu pai representam mais de 50 anos de pesquisas sobre folclore e mitos da Amazônia. Ele quis registrar para as novas gerações todas as nossas crenças, as nossas tradições e a cultura que compõe a raiz do nosso povo. Essas raízes são muito importantes porque mostram o nosso DNA, que pode ser encontrado nesses registros e nos feitos por outros escritores paraenses. É muito importante que o povo da Amazônia conheça os nossos costumes e tradições para que as pessoas do centro sul e de outros países, possam também tomar conhecimento da imensidão da nossa cultura”.

Entre os trabalhos deixados em fase de produção por Walcyr estão os livros: Visagens e Assombrações de Belém Vol. 2, que traz textos inéditos; Contos Noturnos e Histórias de Caboclo para Maiores de 18 anos, o volume 3 da Série "Visagens, Assombrações e Encantamentos da Amazônia", coleção Açaí e o livro Lendas Amazônicas. “É claro que as parcerias com os órgãos de cultura é super importante para que esse trabalho siga adiante constituindo um verdadeiro acervo de pesquisa e de cultura para as futuras gerações. Fica o convite para que as instituições que tenham o interesse de propagar a cultura amazônica nos procurem. Estamos de portas abertas”, afirma Átila.

Segundo o escritor Paulo Maués, que estava colaborando na edição do livro “Visagens e Assombrações de Belém Vol. 2”, era um sonho de Walcyr publicar o segundo livro, nos mesmos moldes que foi o primeiro. “No segundo livro selecionamos 22 histórias com aquilo que há de mais chamativo, que são as narrativas. Tem textos que invocam, por exemplo, o Palacete Bolonha, e outras histórias de lobisomem passadas em Belém. Também é impossível falar de Belém, sem falar de Matinta. A gente fez uma seleção daquilo que havia da nata da produção de Walcyr que não tinha saído na primeira edição e também na série Visagens, Assombrações e Encantamentos da Amazônia. É uma coleção maravilhosa. Como leitor também estou ansioso para ver e segurar nas minhas mãos. Ver o sonho do Walcyr realizado. Vai ser um momento de muita felicidade”.

Walcyr Monteiro (Divulgação)

Trajetória marcada pelo amor ao folclore

Walcyr Monteiro nasceu em Belém, em 27 de janeiro de 1940 e faleceu no dia 29 de maio de 2019, aos 79 anos, ainda na ativa. Apaixonado pelas narrativas orais que coletava nos mais diversos municípios da Amazônia, o escritor foi um incansável pesquisador dessas histórias, que foram preservadas nas páginas das dezenas de livros escritos por ele, onde registrava o resultado do que ouvia, muitas vezes diretamente do caboclo ou nas rodas de conversa nas periferias da capital paraense, alguns tendo se identificado como testemunhas oculares desse universo fantástico abordado nas obras do escritor.

Era formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Economia pela Universidade da Amazônia e também atuou por muitos anos como professor e jornalista profissional, quando colaborou com diversos jornais e revistas que circularam no estado. E foi esta última vocação que prevaleceu em sua trajetória, a partir do momento que decidiu começar a publicar a série “Visagens e Assombrações de Belém”, que se tornaria seu livro mais famoso, e que nasceu como uma coluna no jornal A Província do Pará.

Em 2003, em coautoria com o escritor português Fernando Vale, publicou, em Portugal, pelo Instituto Piaget, Histórias Portuguesas e Brasileiras para as Crianças, cuja edição brasileira ficou a cargo da Editora Paka-Tatu. Publicou também os livros didático História Econômica e Administrativa do Brasil; Miscelânea ou Vida em Turbilhão e Cosmopoemas, os dois últimos incursões no universo da Poesia; a série de revistas Visagens, Assombrações e Encantamentos da Amazônia; As Incríveis Histórias do Caboclo do Pará; Contos de Natal, e Amazônia: histórias e Lendas, edição em português e alemão.

Seus trabalhos também são utilizados como subsídio nas mais diversas áreas, especialmente a cultural, como montagens teatrais, assim como inspiração para a elaboração de diversos roteiros cinematográficos, entre os quais Lendas Amazônicas e os curtas metragens A Lenda de Josefina e Visagem, este último dirigido por Roger Elarrat, sendo o primeiro filme em Stop Motion do Pará. Também a série Catalendas, da TV Cultura do Pará, baseou-se em algumas histórias coletadas e publicadas nos livros de Walcyr Monteiro. 

Cultura
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