Letras que Flutuam apresenta cultura dos abridores de barcos na 1ª Feira de Empreendedores Locais
O evento gratuito integra a Semana Mundial do Meio Ambiente e discute como o saber centenário dos abridores de letras
O Instituto Letras que Flutuam participa, neste sábado (30), da programação da 1ª Feira de Empreendedores Locais de Belém, realizada no espaço da agência BB Doca, na capital paraense. O evento faz parte das ações voltadas à Semana Mundial do Meio Ambiente e tem como proposta debater a cultura ribeirinha da Amazônia sob a perspectiva da geração de renda, do fortalecimento do território e da manutenção dos conhecimentos tradicionais. O acesso do público ao local é gratuito.
A apresentação da instituição está marcada para as 12h e aborda a atividade dos abridores de letras, profissionais que realizam as pinturas e o desenvolvimento das tipografias presentes nos barcos da região. O momento serve também para expor as iniciativas que o projeto desenvolve com foco no apoio aos artistas das comunidades ribeirinhas e no fomento da economia criativa ligada às dinâmicas dos rios locais.
O instituto é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura dos abridores de letras, que foi formalizado em 2024 a partir de mais de duas décadas de pesquisas conduzidas pela pesquisadora Fernanda Martins. O Letras que Flutuam atua na preservação e fortalecimento desse saber centenário presente nos rios amazônicos e já identificou mais de 130 abridores de letras em municípios paraenses como Belém, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Barcarena, Soure, Salvaterra, Curralinho e Breves.
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Hidaías Freitas, morador do Rio Pracuba Grande, no município de São Sebastião da Boa Vista, no Marajó, afirma que o instituto ajudou a transformar a realidade dos mestres ribeirinhos: “Eu posso dizer que nós vivíamos aqui no anonimato, sem o nosso trabalho ser reconhecido. E através do Letras, o nosso trabalho está sendo reconhecido. Não só reconhecido, também como traz uma geração de renda para nós.”
“Hoje, a gente já vende um produto lá fora, com preço mais justo. E com isso, a gente já pode colocar um alimento, uma qualidade melhor na mesa da gente”, completa.
Além da preservação da memória gráfica das embarcações amazônicas, o projeto desenvolve ações de formação, oficinas sobre direitos autorais, precificação e economia criativa, além de ampliar a circulação nacional dos mestres ribeirinhos em eventos culturais e educativos. Em 2025, o projeto “Letras que Navegam – Oficinas de Letras Amazônicas pelo Brasil” percorreu oito capitais brasileiras levando oficinas, demonstrações ao vivo e rodas de conversa conduzidas pelos próprios abridores.
Dentro dessa proposta, o instituto inaugurou neste ano o “Canto do Letras”, espaço localizado no bairro da Campina, em Belém, voltado à valorização da cultura gráfica ribeirinha amazônica. O local reúne peças de moda e design criadas em parceria com mestres abridores de letras de diferentes regiões do Pará, além de funcionar como ponto de encontro, demonstração cultural e comercialização de produtos desenvolvidos pelos artistas.
A 1ª Feira de Empreendedores Locais de Belém também contará com apresentações musicais e exposição de iniciativas voltadas ao fortalecimento de negócios locais em Belém.
Agende-se
Data: sábado, 30
Hora: 12h
Local: Agência BB Doca — Avenida Visconde de Souza Franco, 345, bairro Umarizal
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