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Letras de barcos e ofício dos abridores de letras são reconhecidos como patrimônio imaterial

Manifestação cultural surgiu há cerca de um século e se tornou um dos principais símbolos da identidade visual paraense

O Liberal
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As letras pintadas em embarcações e o ofício dos abridores e abridoras de letras passaram a integrar oficialmente o patrimônio cultural imaterial do Pará. A medida foi sancionada pelo Governo do Estado e publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (2), reconhecendo uma tradição centenária da cultura gráfica ribeirinha amazônica.

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O projeto que deu origem à lei é de autoria do deputado estadual Carlos Bordalo (PT). Segundo o parlamentar, as embarcações representam um elemento importante da vida das comunidades ribeirinhas e também servem como suporte para uma expressão artística ligada à identidade cultural do estado.

A prática teve início por volta de 1925, após a obrigatoriedade da identificação das embarcações determinada pela Capitania dos Portos. Com o passar do tempo, a função de identificar os barcos evoluiu para uma manifestação artística própria, caracterizada por letras ornamentadas, combinações de cores e estilos desenvolvidos por artistas autodidatas que transmitiram seus conhecimentos ao longo das gerações.

O reconhecimento ocorre em meio a um processo de valorização dessa tradição desenvolvido pelo Instituto Letras que Flutuam, organização dedicada à pesquisa, documentação e preservação da cultura gráfica ribeirinha. O instituto foi formalizado em 2024, mas atua desde 2004 no mapeamento dos profissionais que exercem o ofício.

De acordo com a instituição, mais de 130 abridores de letras já foram identificados em diferentes municípios paraenses. Além do levantamento dos mestres, o trabalho inclui ações de formação, documentação, orientação sobre direitos autorais, incentivo à geração de renda e preservação desse conhecimento tradicional.

"Esperamos que esse reconhecimento seja um passo importante para a construção de políticas públicas que fortaleçam esses mestres e garantam a continuidade desse ofício", afirma Fernanda Martins, pesquisadora, fundadora e diretora instituto.

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