Coletivo Croa representa o Norte na maior circulação de artes cênicas do país
Grupo paraense participa da 28ª edição do Palco Giratório com o espetáculo ‘Corpos de Tambor’
O Coletivo Croa está entre os 16 selecionados para a 28ª edição do Palco Giratório, considerado o maior projeto de circulação das artes cênicas do país, que será lançado nacionalmente no dia 14 de abril, em Porto Alegre (RS). Dentro da programação, os representantes do Pará se apresentam nos dias 16 e 17 de abril. Já em Belém, o público poderá conferir os espetáculos no segundo semestre, com sessões marcadas para o dia 11 e de 15 a 18 de setembro.
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Ao todo, a edição contará com 381 apresentações e 164 ações formativas, alcançando 113 cidades brasileiras até dezembro. Entre os grupos participantes, o “Croa” se destaca por ser o único da região Norte a integrar a programação.
O grupo levará ao palco o espetáculo “Corpos de Tambor”, uma obra que reúne dança e percussão com seis artistas em cena. A montagem propõe um diálogo entre corpo, natureza e ancestralidade, incorporando elementos da cultura amazônica, como os sons da floresta e os ritmos do curimbó, em uma experiência sensorial que conecta território e arte contemporânea.
De acordo com o diretor artístico Renan Santos do Rosário, o espetáculo nasce diretamente da vivência no território amazônico. “O que vamos mostrar no palco é uma expressão genuína da beleza e da potência da cultura Amazônica vivida no território paraense. Mais do que uma demonstração da cultura popular, o espetáculo é um acontecimento que entrelaça saberes e fazeres de nossa cultura e, portanto, do cotidiano das pessoas neste território”, afirma.
O diretor explica que a proposta da obra não é ilustrar esses conceitos, mas permitir que eles se revelem a partir das experiências individuais de cada intérprete. “A ideia que gera o espetáculo é a experimentação poética para a criação cênica de elementos da cultura paraense como o carimbó e o lundun, misturados a elementos da cultura Hip-Hop como o Breaking, o House e o Krump, ou seja, é uma mistura entre elementos de diferentes culturas que pulsam em cena ao som dos tambores”, detalha Renan.
Segundo ele, o processo criativo envolveu laboratórios de movimento e experimentações musicais, nos quais os artistas atuam de forma integrada. Em cena, eles dançam, cantam e tocam instrumentos simultaneamente.
“O tambor é uma tecnologia ancestral que intensifica a pulsação própria de cada corpo e desencadeia alteridade para que a presença e consciência do corpo em cena seja mais intensas e dinâmicas”, explica.
Além de Renan, o espetáculo também conta com a participações dos multiartistas Darciana Martins, Mael Rodrigues, Manoel Junior, Flavio Progênio e Loba Rodrigues, que transitam entre diferentes linguagens artísticas.
Para o coletivo, a participação no circuito nacional representa um marco na trajetória do grupo, que atua há 12 anos no cenário artístico paraense.
“O Palco Giratório, como importante plataforma de difusão das artes cênicas do Brasil, encontrou em nosso trabalho uma potente expressão da diversidade e da ancestralidade demonstradas numa obra poética autoral, criada no seio da floresta amazônica e vivida por artistas da terra que vivem esta cultura diluída em seus cotidianos”, afirma.
Programação e diversidade de linguagens
O repertório da 28ª edição do projeto, realizado pelo Sesc, reúne espetáculos pensados para diferentes públicos, incluindo propostas com classificação livre, voltadas para a experiência em família e para o encontro entre gerações.
Participam da programação grupos de teatro, dança e circo, de 12 estados brasileiros. As obras, que levadas a vários estados e cidades do país, abordam temas do cotidiano e questões contemporâneas por meio da linguagem artística.
Nesta edição, o projeto também presta homenagem aos 40 anos do Grupo Sobrevento, reconhecido internacionalmente pelo trabalho com teatro de animação. A companhia desenvolve uma pesquisa baseada no uso de objetos e formas, transformando elementos do cotidiano em personagens e narrativas cênicas.
Entre os espetáculos apresentados, parte da programação é composta por obras com classificação livre, que tratam de temas como amizade, ancestralidade e enfrentamento ao racismo. Outras montagens exploram assuntos contemporâneos como o impacto das tecnologias nas relações familiares, além de sentimentos como cuidado e afeto.
A programação também inclui trabalhos que abordam questões como saúde mental, memória e relações familiares, utilizando diferentes linguagens e abordagens estéticas. Entre os temas presentes nas montagens estão a depressão, o Alzheimer e o autismo, tratados a partir de perspectivas sensíveis e acessíveis ao público.
Outro destaque da edição é o 7º Seminário Palco Giratório, que será realizado nos dias 15 e 16 de abril, com atividades presenciais e online. A programação inclui a aula inaugural “Dançar o tempo: encruzilhadas e espirais”, ministrada pela pesquisadora e dramaturga Leda Maria Martins, além de encontros com artistas e pesquisadores convidados de diferentes regiões e países.
Conheça os grupos que participam do Circuito Nacional Palco Giratório 2026:
- Bahia: Arte Sintonia Companhia de Teatro (Teatro Infâncias)
- Bahia: Márcio Fidelis Cia de Dança (Dança)
- Ceará: Eduardo Show da Vida e Alysson Lemos (Circo)
- Maranhão: Grupo Cena Aberta (Teatro)
- Mato Grosso do Sul: House of Hands up MS (Dança)
- Minas Gerais: Grupo Artilharia Cênica (Dança, dança-teatro e formas animadas)
- Pará: Coletivo Croa (Dança)
- Paraná: GPeTI: Grupo de Pesquisa de Teatro para Infância (Teatro)
- Pernambuco: Tropa do Balacobaco (Teatro Formas Animadas)
- Rio Grande do Norte: Palhaço Piruá (Circo)
- Rio Grande do Norte: Grupo Estação de Teatro (Teatro Infâncias)
- Rio Grande do Sul: Máscara EnCena (Teatro)
- Rio Grande do Sul: Coletivo Gompa (Teatro Infâncias)
- Santa Catarina: Eranos Círculo de Arte (Teatro Infâncias)
- São Paulo: Sobrevento (Teatro)
- São Paulo: William Seven (Circo/Teatro)
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