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Comunidade de Canudos celebra a Paixão de Cristo com arte e fé em Belém

Grupo de Teatro Aldeato apresentará no bairro de Canudos, durante a Semana Santa, o espetáculo que remete o público aos últimos momentos de Jesus Cristo na Terra

Eduardo Rocha

Não apenas encenar, mas, simultaneamente, vivenciar e compartilhar com a plateia as emoções e ensinamentos que a Paixão de Jesus Cristo legou à humanidade, sobretudo, em um mundo pontuado por todo tipo de violências aos seres humanos, animais e ao meio ambiente. Essa proposta é colocada em prática por diversos grupos de teatro em Belém todos os anos, por ocasião da Semana Santa, que em 2026 transcorrerá de 29 de março a 5 de abril. Um desses grupos e com trabalho longevo nesse sentido é o Grupo Experimental de Teatro Aldeato, no bairro de Canudos, que há 43 anos apresenta o espetáculo referente aos últimos momentos de Jesus na Terra. O espetáculo deste ano possui como temática “Paixão de Belém - Fé, Arte e Dignidade”.

O coordenador do Aldeato, o arte educador Aluizio Costa de Freitas, 61 anos, explica que, este ano, o espetáculo "Paixão de Belém" será apresentado em 1º de abril, na Quarta-Feira Santa, como pré-estreia, e no dia 3 de abril, na Sexta-Feira Santa, em apresentação oficial, sempre a partir das 18h30. "Após apresentar as cenas que antecedem a Via Crucis de Jesus (na sede da Paróquia São José de Queluz), o espetáculo segue pelas ruas do bairro de Canudos com as cenas de caminhada rumo ao martírio", detalha Aluizio Freitas. O acesso do público ao espetáculo será gratuito.

image Espetáculo conta os momentos simbólicos da Paixão de Jesus Cristo (Foto: Wagner Santana / O Liberal)

"Paixão de Belém" vai ter em média entre 70 a 80 atores em cena. Nem todos pertencem à Paróquia São José de Queluz, pois muitos vêm de outros bairros de Belém e até de municípios como Ananindeua e Benfica. Ao todo, 120 pessoas, entre atores e pessoal da técnica, atuarão na apresentação do espetáculo.

Para apresentar a "Paixão de Belém" ao público,  o Grupo Aldeato atua em promoções, coletas e arrecadação de doações na paróquia e alguns moradores do bairro. Isso contribui e muito com os gastos de figurinos e de lanches para o elenco e técnicos nos ensaios e apresentações. A infraestrutura de palcos, luz, som e trio elétrico é viabilizada com apoio do Poder Público.

Aluizio Freitas não esconde o contentamento em fazer parte do Aldeato. Ele não apenas fundou esse grupo de teatro, como também dirige o espetáculo referente à Paixão de Cristo e isso há bastante tempo. É muito trabalho para todos nessa empreitada.

"Desde a segunda quinzena do mês de janeiro, os ensaios vêm se intensificando, com a gente utilizando o barracão da Comunidade Eclesial de Base Santo Agostinho da Aldeia, assim como a quadra da Paróquia de São José de Queluz", destaca Aluizio.

Ele diz que coordenar esse trabalho significa um "marco na minha vida e uma responsabilidade muito grande a levar para o público presente esses momentos de fé e artes". Aluizio Freitas não tem dúvida quanto a um dos principais ensinamentos que a Paixão de Cristo traz para a humanidade. "A força que a Fé tem de transformar a nossa vida seja no sentido espiritual como social", ressalta.

Fé em cena

Nos ensaios noturnos do Aldeato, na Comunidade Eclesial de Base Santo Agostinho da Aldeia, é possível verificar toda a energia dos intérpretes da Paixão. O técnico de Enfermagem e ator Moisés Andrade, 48 anos, faz sua estreia  no espetáculo com esse grupo de teatro. “É um grupo muito animado, unido. A Paixão de Cristo é muito importante em vários sentidos, e se consegue reviver toda a emoção daquele momento até mesmo nos ensaios. Serve para levar esperança à população, renovar a fé em Deus”, destaca. 

Com 53 anos e mãe de dois filhos, a administradora Rita Bandeira conta ser esta a primeira vez dela no Aldeato e na Paixão em si. “Eu digo que, para mim, não é encenação, é vivência. Como eu sou mãe, eu consigo enxergar como meu filho, trata-se do amor que toda mãe tem. Toda mãe deveria vivenciar esse momento”, ressalta Rita.

Durante um dos ensaios na semana, Rodrigo Lima, 31 anos, ator que também atua com dramaturgia, teve a incumbência de interpretar Jesus Cristo, em substituição ao intérprete definido anteriormente para o papel que se encontrava adoentado. "Para mim, é uma grande honra interpretar Jesus, aquele que deu a vida por nós. É gratificante!", declarou.

Na encenação, atuam crianças, adolescentes, jovens e adultos de diferentes comunidades da Grande Belém, todos sob a atenção dos diretores cênicos Marcilene Gonçalves, Artur Neves e Içamy Chacha.  Entre os intérpretes na peça está Sofia Cavalcante, de apenas 10 anos de idade, estudante do 5º ano do Ensino Fundamental. 

Sofia é filha do casal Paolo Cavalcante, 43 anos, técnico em eletrotécnica, e Marcela Cavalcante, assistente social. Paolo e Marcela participaram do espetáculo em Canudos por 32 anos. Em seu segundo ano na Paixão, Sofia interpretará uma  serva de Pilatos. “Nós ficamos muito  felizes de ver a nossa filha desenvolvendo esse trabalho assim como nós fizemos, um trabalho que une a arte e a mensagem de amor de Jesus a todas as pessoas no mundo” (fala criada para o Paolo Cavalcante.

image Paolo, Sofia (ao centro) e Marcela Cavalcante: fé e arte que cruzam gerações na Paixão de Cristo em Canudos (Foto: Wagner Santana / O Liberal)

Na noite da Sexta-Feira Santa, no dia 27, o espetáculo começará na sede da Paróquia São José de Queluz, na rua Cipriano Santos, e seguirá até a rua Francisco Monteiro com a Américo Santa Rosa, onde funcionará o palco final. Nesse local, haverá um banco de via pública onde estará uma pessoa em situação de rua, simbolizando o tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2026, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): "Fraternidade e Moradia" e "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14).

 

Serviço:

Espetáculo ‘Paixão de Belém’

Com o  Grupo Experimental de Teatro Aldeato

Em pré-estreia em 1º de abril de 2026

e em 3 de abril, sempre a partir das 18h30

Na sede da Paróquia São José de Queluz e 

nas ruas do bairro de Canudos, em Belém

 

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