Projeto Sonora Brasil inicia programação com shows gratuitos e debates em Belém
Evento reúne grupos que mesclam bases eletrônicas, carimbó tradicional e ritmos afro-indígenas
Até sexta-feira (26), ocorre mais uma etapa do projeto Sonora Brasil, iniciativa do Sesc voltada à difusão da diversidade musical e das manifestações artísticas nacionais. Após abrir o circuito na unidade de Santarém, a programação gratuita segue para Belém com apresentações no Sesc Teatro Casa Isaura Campos e no Sesc Ver-o-Peso, reunindo repertórios que dialogam com história, memória e identidade regional.
A abertura da programação ocorre nesta quarta-feira (24), às 15h, no Teatro Isaura Campos, com uma roda de conversa entre os grupos Cabokaji (BA) e Nderé Oblé (RS). O debate será mediado por Jorgete Lago, professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e pesquisadora nas áreas de arte-educação, cultura afro-brasileira e manifestações populares.
As apresentações no palco do Sesc Doca começam nesta quinta-feira (25), a partir das 19h, com os shows de Cabokaji (BA) e do coletivo Nderé Oblé (RS). Na sexta-feira (26), também às 19h, a grade musical da noite recebe o cantor Gean Pankararu (PE) e o grupo paraense Suraras do Tapajós (PA). As duas programações contam ainda com a discotecagem e intervenções do DJ Dinei.
Criado na Bahia em 2019, o grupo Cabokaji reúne os artistas, cantores e pesquisadores Caboclo de Cobre, ISSA, Ejigbo Oni e Mayale Pitanga. O nome do quarteto faz referência à figura histórica do "Cabôco", símbolo central nas tradições indígenas e de matriz africana. Na sonoridade, a banda mescla bases eletrônicas a gêneros tradicionais como o rojão, o aboio e o coco, com destaque para o disco Cabokaji (2021) e o EP Salvaguarda (2024).
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O coletivo Nderé Oblé integra instrumentistas do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal e da Costa do Marfim. O projeto busca criar conexões entre ancestralidade e tendências estéticas futuras por meio da música, da poesia e da expressão corporal, inserido no cenário contemporâneo de produções afro e indígenas.
O músico pernambucano Gean Ramos Pankararu, expoente do cenário indígena atual, conecta elementos da cultura negra e de seus povos originários em arranjos autorais. O artista também desenvolve oficinas e ações educativas focadas na preservação e valorização de saberes tradicionais.
Representando a produção local, as Suraras do Tapajós (PA) surgiram a partir de mobilizações comunitárias que resultavam em rodas de carimbó formadas exclusivamente por mulheres indígenas. O termo, vindo do nheengatu (tronco tupi-guarani), significa "guerreiras" e atua como manifesto de resistência no ambiente artístico.
A formação integralmente feminina do grupo contribuiu diretamente para quebrar o antigo paradigma regional que limitava a participação das mulheres indígenas apenas à dança, assegurando o protagonismo feminino na execução instrumental e no canto.
O projeto Sonora Brasil atinge sua 28ª edição mapeando as mais diversas manifestações e identidades culturais do país. Este ano, o circuito debate o tema “Reverberações Afro e Indígenas”, celebrando a resistência histórica desses povos. A iniciativa reforça a missão institucional do Sesc de promover diálogos integradores que ampliam a visibilidade da multiplicidade de vozes que formam a sociedade.
Agende-se
Datas: 25 e 26
Hora: 19h
Local: Sesc Doca - Rua Senador, R. Sen. Manoel Barata, 1873 - Reduto
Entrada gratuita
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