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Veranistas lotam praias de Outeiro no primeiro domingo após liberação parcial da ponte

Comerciantes da ilha, enfim, podem esperar melhoras nas vendas; previsão é que liberação total ocorra em setembro

Fernando Assunção

No primeiro domingo após a liberação parcial da ponte Eneás Pinheiro, que dá acesso ao distrito de Outeiro, em Belém, veranistas voltaram a lotar as praias da ilha e comerciantes podem, enfim, esperar por melhora nas vendas. No último sábado (9), a Secretaria de Estado de Transportes (Setran) liberou o tráfego de veículos de passeio pela ponte. Podem transitar, de forma ordenada, comboios de 15 veículos de passeio por vez. Por enquanto, ônibus, caminhões e outros veículos pesados não podem passar

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Agentes do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran), Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) e Setran realizavam o ordenamento do tráfego. Chegaram a se formar filas de veículos de quase dois quilômetros na espera pela travessia. Mas, apesar da demora, o militar João Lobato garante que o acesso melhorou com a liberação parcial da ponte, do que pela balsa.

“Continua complicado, mas já está melhor do que a balsa. Cheguei a ter prejuízo nela, porque, quando a maré fica baixa, o acesso complica. Até bati o carro por duas vezes”, disse. Ele, que mora em Ananindeua, veio curtir a praia com a esposa, Maria Custódia. “Outeiro é a praia mais próxima. Entre todas da redondeza, sem dúvida, é a melhor. A gente enfrenta menos trânsito. Por isso, a escolha”, garantiu.

João Lobato e Maria Custódia aproveitaram as praias; militar conta que, apesar da demora para atravessar a ponte, o acesso ainda está melhor do que pela balsa (Cristino Martins / O Liberal)

Na praia grande, uma das sete praias de água doce da ilha, a promotora de eventos Amanda Mota se divertiu com os amigos e namorado. Ela aproveitou a folga do trabalho para curtir o verão em Outeiro, mas deve trabalhar nos próximos finais de semana. “Até nesse ponto, Outeiro é vantagem, porque, com a proximidade do centro, consigo fazer um bate e volta. É a primeira vez aqui e estou achando precioso termos uma praia dessas tão perto da gente”, destacou.

Comerciantes já perceberam melhora no movimento

O mercado formal e informal da ilha já percebeu melhora no primeiro domingo após a liberação da ponte. Cristiane Silva é vendedora autônoma há 10 anos e tem um ponto de venda de vestimentas de moda praia no pistão da Água Boa, na avenida Paulo Costa. A via liga a ponte às praias e tem diversos comércios e feiras, mas, com a interdição em janeiro deste ano, deixou de ser acessada por turistas, que chegavam a Outeiro pelo bairro da Brasília, que concentrou a movimentação. Cristiane lembra que foram dias difíceis.

“Fomos afetados em dois momentos diferentes: pandemia e fechamento da ponte. No lockdown, as vendas foram suspensas, já que o serviço não é considerado essencial e as pessoas ficaram em suas casas. Contei com a compreensão da dona do ponto, que permitiu que eu pagasse só metade do aluguel. Depois melhorou, mas com os problemas na ponte, novamente, as vendas quebraram. Tiveram meses que não consegui pagar todo o valor do aluguel. Mas agora, Graças a Deus, com a liberação, toda hora tem gente entrando e saindo da loja. Já vou comprar mais mercadoria”, contou, esperançosa.

Nos bares e restaurantes das praias a expectativa também é positiva. Patrícia Ferreira é balconista em um estabelecimento na praia grande. Ela conta que, nos últimos meses, para não demitir, o lugar chegou a reduzir salário e dias de trabalho, já que tinham dias que as vendas eram fraquíssimas. “Abria por abrir”, relembrou. Mas as vendas já começaram a melhorar neste domingo: “Semana passada ainda foi ruim, mas hoje já deu uma grande melhorada. Para o resto do mês, a gente espera muito movimento”, concluiu.

Os trabalhadores informais tiveram que se reinventar. O seu Jeová Júnior é ambulante há 17 anos. Ele conta que as vendas caíram quase 100%. Para sobreviver, passou a ajudar a esposa a vender refeições. Neste domingo, voltou às praias com seu carro de vendas de bebidas em geral. “A perspectiva é de que melhore ainda mais. Semana passada foi ruim, mas hoje já está ótimo. A tendência é que venham mais gente nos próximos finais de semana, vai melhorar mais ainda”, disse.

Liberação ocorreu depois de teste de carga

Interditada desde o dia 17 de janeiro deste ano, depois de ter sido atingida por uma embarcação e o pilar central cair, a ponte de Outeiro foi liberada pela Setran, no último sábado (9), para veículos leves, após teste de carga que atestou a segurança da estrutura. O teste consistiu na passagem simultânea de 15 veículos pela pista de rolamento e foi acompanhado pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Científica. 

Para garantir a liberação, foram instalados 104 quatro cabos de aço (cordoalhas) para protensão das longarinas da ponte, aumentando a capacidade em 20%, o que representa força suficiente para garantir o tráfego de veículos, controlado e emergencial. Mais 104 cordoalhas estão sendo instaladas, assim informou a Setran.

“Mais uma etapa importante nas obras da ponte de Outeiro. Estamos liberando o tráfego de veículos leves no vão central da ponte, uma liberação controlada, mas que com certeza, vai garantir maior fluidez, trafegabilidade, para todos aqueles que precisam atravessar a ponte no seu dia-a-dia. Para que a gente possa, também, garantir nesse veraneio uma liberação com um fluxo para que as pessoas consigam chegar nas praias. Isso representa emprego e renda para a população de Outeiro, garante o direito de ir a vir para aqueles que querem vir no mês de julho para as praias da ilha, e fazer com que tenhamos avanço escalonado das obras, garantindo passo a passo a normalidade para aqueles que vivem e necessitam da travessia sobre a ponte”, destacou o secretário de Transportes, Adler Silveira.

Podem passar pela ponte 15 veículos de dois eixos, por vez, no sistema "siga e pare". Atualmente, o fluxo também está liberado para motociclistas, ciclistas e pedestres.

Previsão é que liberação total ocorra em setembro

O governador do Estado, Helder Barbalho, anunciou nas redes sociais que a previsão é de que a liberação total da ponte ocorra até setembro deste ano. “Nós vamos fazer (a liberação da ponte) de forma gradativa até setembro, quando ela estiver toda pronta, a obra, para que o fluxo possa estar totalmente normalizado”, disse.

Segundo a Setran, está sendo finalizada a construção do pilar a montante do mastro, utilizando concreto no primeiro nível, medindo 2,2 metros de altura, que corresponde a um terço da altura total do bloco. A jusante foi concluída a cravação das nove camisas das estacas, na profundidade média de 40 metros. Os blocos de sustentação vão garantir a construção do mastro, que deve atingir 50 metros de altura, e será ancorado por 10 estais (cabos de aço), de cada lado. A ponte também receberá reforço nos demais pilares remanescentes e pintura em toda a estrutura, além de passarela para pedestres e ciclistas revitalizadas.

Durante o período de reformas, estão sendo disponibilizados, gratuitamente, balsas, navios e lanchas rápidas para que a população faça a travessia entre a área continental e a ilha do Outeiro. Conforme o governo estadual, haverá um incremento no número de viagens de balsas e de lanchas, neste mês de julho.

Mais sobre Outeiro

Outeiro fica aproximadamente a 25 km do centro de Belém, tem cerca de 80 mil habitantes e grande apelo turístico pelas sete praias de água doce, bastante demandadas por serem próximas da capital paraense. A ponte Enéas Martins foi construída no dia 26 de outubro de 1986.

 

Belém
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