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Tremores no Pará não apresentam risco de desabamento ou danos graves, fala especilista após episódio

O geólogo Almicar Mendes explica que os abalos, registrados na noite dessa quarta-feira (24) em Belém e Santarém, são resultado da grande magnitude do terremoto ocorrido na Venezuela. O evento atingiu 7.5 graus na Escala Richter

Lívia Ximenes e Maiza Santos
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Os tremores sentidos em Belém e Santarém, na noite dessa quarta-feira (24), não possuem risco de desapamentos ou danos estruturais graves à população, segundo o geólogo Almicar Mendes. O especialista afirma que os abalos foram sentidos no Pará devido à grande magnitude do evento, que liberou alta quantidade de energia. O episódio foi resultado de um terremoto na Venezuela, registrado com 7.5 graus na Escala Richter.

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Almicar explica que o Brasil está localizado no centro da Placa Tectônica Sul-Americana e, apesar disso, tremores ocorridos em países vizinhos — nas bordas da placa — podem impactar o território. “Como a profundidade que o terremoto foi originado é considerada rasa (menos de 70km) em termos de escala geológica, as chamadas ondas sísmicas de baixa frequência se propagam pela crosta (em subsuperfície) por longas distâncias (milhares de quilômetros). A título de curiosidade, os registros realizados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) apontam que em 2025 foram registrados pelo menos cinco sismos de destaque e múltiplos tremores de menor intensidade na amazônia”, conta.

Quanto mais alto, maior o impacto

O abalo foi sentido, principalmente, por moradores de andares mais altos dos prédios. “Essa percepção é devida a um fenômino físico denominado de ressonância. Os edifícios precisam ser flexíveis para lidar com ventos fortes. Se os edifícios fossem totalmente rígido, a força do vento ou de uma vibração tararia danos à estrutura. Devido a isso, a oscilação lateral do edifício aumenta progressivamente com a altura, ou seja, enquanto a base presa ao solo se move muito pouco, a cobertura pode balançar levemente para os lados”, fala Almicar.

O geólogo diz que a propagação das ondas sísmicas que partem do epicentro a milhares de quilômetros se enfraquecem e passam a vibrar em baixa frequência, provocando uma combinação com a oscilação natural de estruturas grandes feitas de concreto e aço — como os prédios. Assim, os locais pasam a balançar de forma leve. Almicar compara a movimentação à atividade de um pêndulo.

“A princípio, não há risco eminente de desabamento ou danos estruturais mais graves para os edifícios quando os tremores sentidos são apenas reflexos de terremotos distantes, como o que aconteceu na Venezuela. Como o epicentro do terremoto ocorre a milhares de quilômetros de distância, a onda chega muito fraca, fazendo objetos leves oscilarem, mas não possui energia para romper concreto ou aço”, tranquiliza o geólogo. Ele também destaca que, apesar do susto provocado, o balanço é um sinal de que a estrutura está em pleno funcionamento, como foi projetada para ser.

Futuros abalos

Sobre a ocorrência de novos episódios, Almicar aponta que podem surgir, apesar da raridade e do intervalo de tempo que levam. “Tudo vai depender da intensidade do sismo, do epicentro e da profundidade em que eles ocorrem. Como o extremo norte e o oeste do país estão geograficamente mais próximos das bordas ativas da Placa Tectônica Sul-Americana, eventos sísmicos nessas bordas continuarão enviando ondas reflexas de baixa intensidade para essa região do Brasil”, diz.

As instruções e recomendações de autoridades, como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros Militar, perante episódios assim devem ser seguidas pela população. Almicar fala que é preciso manter a calma e evacuar os espaços de forma ordenada e preventiva. O geólogo ressalta que, tal qual aconteceu anteriormente, todos os abalos sísmicos no Pará são reflexo de grandes terremotos em países vizinhos.

A frequência de tremores no estado são de uma vez a cada três ou cinco anos, segundo dados da Rede Sismográfica Brasileira apresentados por Almicar. “Esses abalos só podem ser percebidos mais fortemente pela população se os tremores forem acima de 7 graus na Escala Richter, se a profundidade do sismo for inferior a 70 km e quando as ondas lentas e de baixa frequência que atingem a superficie, fazendo com que prédios altos balancem levemente”, conclui.

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