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Ruas de Belém são marcadas por cheiros e sabores

Pratos típicos que encantam moradores são reconhecidos internacionalmente. Confira seis pratos que são a cara da capital paraense e aprenda como fazê-lo

Amanda Martins, estagiária, sob supervisão de Heloá Canali

O ritual de tomar um tacacá no final de tarde em uma tacacazeira de esquina, comer a maniçoba no Círio de Nazaré, almoçar peixe frito com açaí no ‘Veropa’, ou até mesmo levar um isopor com camarão fresco e polpa de cupuaçu, quando viaja para fora do Pará, fazem parte da relação de afeto que o belenense possui com a gastronomia local.

Para a chef Daniela Martins, filha do embaixador da gastronomia da Amazônia, Paulo Martins (in memorian), Belém é marcada por cheiros que são “a nossa comida, a nossa cara”. E, não há outro local na cidade onde exista maior concentração de sabores que representam o ‘viver e sentir’ da capital do que o Mercado do Ver-O-Peso, segundo a gastrônoma. 

“Eu acho que para saber o que é o Pará, você precisa visitar o Mercado. Quando você entra na feira, já começa a passar por nossos temperos, nossas ervas e começa a sentir [o aroma no ar] que, ali, tem o tucupi, a maniva fervendo... Os cheiros do cupuaçu, bacuri, o pirarucu”, afirma Daniela, elencando os ingredientes que chamam atenção dos habitantes da cidade e dos turistas.

Chef Daniela Martins  (Reprodução/ Thiago Gomes / OLiberal)

No caso da chef de cozinha, a afeição pela gastronomia regional foi ensinada desde a infância, como uma verdadeira tradição de família. “Na casa da minha avó, na casa do meu pai, eu nasci, cresci e me criei vendo ser feito e comendo a comida paraense. Era um hábito diário comer maniçoba.  Os nossos doces, as nossas frutas, sempre foi algo rotineiro. O meu afeto com eles vem desde o berço, como a gente brinca, o tucupi corre na minha ‘veia’ e no da minha família inteira”, diz Daniela, descontraindo com a relação que possui com os pratos típicos.

Dentre o cardápio variado de alimentos amazônidas que são servidos na cidade, de peixes e frutos do mar, polpas de frutas, mas também de folhas e raízes, como o jambu, uma erva que causa a dormência na boca, ou o tucupi, um líquido amarelado extraído da mandioca, a chef destaca a  preferência pela maniçoba, o vatapá, o tacacá e, o 'queridinho' de todos, o açaí. 

‘Quem prova pela primeira vez nossos pratos, terá a sensação de nunca ter comido nada igual’, diz gastrônoma

Os ingredientes presentes no Norte do país são uma miscigenação herdada da chegada dos portugueses, africanos e a grande influência dos povos indígenas, que resultou em uma “gastronomia rica e autêntica”, como destaca a professora de gastronomia e pesquisadora da Cozinha Brasileira, Monik Fernandes.

 Monik Fernandes (Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Segundo a docente, sobretudo os alimentos produzidos na capital paraense pelas boeiras, como são conhecidas as vendedoras de comida no Mercado, ou pelos chefes de cozinha, são conhecidos por possuir uma verdadeira mistura de cores e aromas. Resultando em uma alquimia de sabores ‘inigualável’ para quem deseja experimentar um dos pratos. “Quem provar pela primeira vez nossos pratos, com certeza terá a sensação de nunca ter comido nada igual em outro lugar do mundo”, afirma Monik.

Os sucos, sorvetes feitos com frutas amazônicas, como bacuri e taperebá, o pato no tucupi,  foram o que fizeram desde 2015, Belém se tornar uma das referências mundiais em gastronomia com o título internacional de Cidade Criativa da Gastronomia.

 Monik Fernandes (Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Para a pesquisadora, o reconhecimento dado pela Unesco é muito importante, pois divulga a cultura e a riqueza alimentar da região, tornando a cidade um dos destinos mais bem avaliados quando se fala de turismo gastronômico. “Nossa cozinha é tão rica em sabores e aromas que conquista qualquer chef nacional ou internacional. As inúmeras frutas, ervas, os inúmeros peixes da região, os diferentes usos da mandioca, com certeza, são o que mais encantam e conquistam os chefs de cozinha de todo o mundo”, pontua Monik.

Ingredientes regionais são reconhecidos país afora e atraem o turismo gastronômico para a cidade

O reconhecimento nacional e internacional dado à gastronomia paraense é fruto de um trabalho que vem sendo feito há anos por chefs de cozinha locais, que sempre buscaram valorizar os pratos e ingredientes, explica a professora Monik.  Inclusive, o cozinheiro Paulo Martins, que contribuiu ao longo de 37 anos para que o ‘tempero’ do Pará fosse difundido internacionalmente.

Chef Daniela Martins (Reprodução/ Thiago Gomes / OLiberal)

Para a chef Daniela Martins, a história de seu pai é um orgulho, que assim como ela, ajudou a despertar no mercado gastronômico um reconhecimento ao Estado, que antes de 1980 não existia. "Ele foi o ‘culpado’ por tudo isso acontecer. Pela gastronomia paraense estar na boca de todo o mundo.  Ele acreditou que a nossa comida podia se destacar e levar o Estado para frente, para ser bem falado, para ser bem visto . Isso só me dá muito orgulho dele. Orgulho da nossa comida. Orgulho do trabalho que a gente continua fazendo, todos nós chefs, as pessoas envolvidas no turismo”, declara Daniela, visivelmente emocionada.

“Me envaidece muito saber que hoje em dia existe turismo gastronômico em Belém. O trabalho do papai de formiguinha, hoje, todos colhem frutos. Eu espero que  a gente valorize cada vez mais e que a gente nunca perca essa paixão por comer e por fazer comida”, completa Daniela.

Quer conhecer a Belém de 406 anos por meio da gastronomia? 

 (Reprodução/ Redes sociais)

Confira seis pratos que são ‘a cara’ da cidade:

Vatapá 

O creme amarelado com camarão e um toque de azeite de dendê é conhecido como o vatapá. A iguaria pode ser servida com jambu e arroz e, para quem gosta, um molho de pimenta.

A mistura do camarão com jambu é inesquecível: veja como fazer um vatapá ultra saboroso O Círio está chegando e você não pode deixar de fazer esse prato delicioso para o almoço de domingo (10)

Maniçoba 

A maniçoba é a queridinha dos paraenses durante a festividade do Círio de Nazaré. Ela é conhecida como uma ‘feijoada sem feijão’ feita com as folhas da mandioca, a maniva, triturada e com pedaços de carne seca e porco dessalgado. O cozimento do prato dura em torno de 7 dias.

Saiba como preparar a famosa maniçoba A convite de O Liberal, a Shirley Gomes topou ensinar o passo a passo da Maniçoba aos internautas

Tacacá

De origem indígena, o tacacá é um caldo amarelado à base de mandioca, o famoso tucupi, preparado com goma, camarão e jambu. A iguaria é geralmente servida bem quente em cuias.

Gosta de tacacá? Saiba como fazer ! Esse prato único e muito popular pode ser facilmente preparado na cozinha de casa.

Filhote no tucupi e jambu

A receita é do chef paraense Paulo Martins, um embaixador da gastronomia brasileira e o responsável por ter difundido os ingredientes e a culinária da Amazônia pelo mundo.

[[(standard.Article) Aprenda a fazer um filhote com tucupi e jambu divino]]

Mousse de Cupuaçu com paçoca de Castanha do Pará

Essa sobremesa deliciosa é composta por ingredientes de dar água na boca e que são os queridinhos de muitos belenenses. A mistura dos sabores típicos tornam o doce muito especial.

Quer um doce diferente? Faça um Mousse de Cupuaçu com paçoca de Castanha do Pará Essa sobremesa típica e muito gostosa vai adoçar o seu dia

Pudim de açaí

Esse doce inovador e diferente também tem como principal ingrediente um dos frutos mais famosos da região. Ótimo tanto em pratos salgados quanto em doces, o açaí ganhou uma textura e sabor ainda mais únicos nesta receita.

Veja como fazer um Pudim de açaí e aproveite essa sobremesa diferente Se você ama açaí, prove essa versão diferente e deliciosa feita com o fruto regional

 

Belém
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