'ReinserCão': saiba como funciona o programa de animais no sistema penitenciário de Belém

O trabalho desenvolvido no canil também busca ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena

Gabrielle Borges
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O sistema penitenciário paraense passou a adotar uma nova frente de ressocialização com o projeto “ReinserCão”, que integra a reabilitação de cães resgatados em situação de vulnerabilidade à capacitação profissional de internos.

A iniciativa é resultado de uma cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a Prefeitura de Belém. Mais do que o acolhimento de animais, o programa estrutura uma rotina de trabalho, formação e cuidado contínuo dentro de um canil instalado em unidade prisional. Saiba como funciona o programa.

Como os animais chegam ao programa?

O fluxo de entrada dos cães começa nas ações de resgate realizadas pela Prefeitura de Belém, por meio de órgãos voltados ao atendimento de animais em situação de rua, como o Centro de Zoonoses. Antes de chegarem ao presídio, eles já passam por triagem, primeiros atendimentos veterinários e, em muitos casos, vacinação, vermifugação e castração.

Ao ingressarem no canil da Seap, os animais passam por nova avaliação clínica antes de iniciar a rotina de reabilitação. Segundo a coordenação do projeto, a proposta é garantir que os cães cheguem em condições mínimas de saúde e segurança para iniciar o processo de socialização e adestramento.

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Como funciona a rotina dentro do canil?

Instalado dentro do sistema penitenciário, o canil conta com estrutura própria, incluindo consultório veterinário, espaço para banho e tosa e áreas destinadas à convivência dos animais. Atualmente, o espaço comporta até 30 cães e abriga, neste momento, nove animais em processo de reabilitação.

No dia a dia, os cães são acompanhados por uma equipe técnica e pelos próprios custodiados, que atuam diretamente em todas as etapas do cuidado: alimentação, higiene, banho, manejo e adestramento. O objetivo é criar uma rotina de estabilidade e confiança, especialmente para animais que chegam com histórico de maus-tratos.

Capacitação e trabalho para os internos

Um dos principais pilares do "ReinserCão" é a formação profissional dos internos. Além do trabalho prático com os animais, os custodiados recebem capacitação em áreas como manejo, adestramento e cuidados veterinários, com apoio técnico de profissionais da área e do Núcleo de Operações com Cães (NOC) da Seap, unidade especializada no emprego de cães em atividades operacionais do sistema penitenciário.

O trabalho desenvolvido no canil também busca ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena, especialmente no setor pet.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)

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