Projeto em presídio de Belém une cuidado com animais e ressocialização de internos

Batizado de “ReinserCão”, o projeto funciona em um canil instalado dentro de uma unidade prisional e tem capacidade para acolher até 30 cães resgatados de situações de abandono e maus-tratos

O Liberal
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O sistema penitenciário do Pará passou a contar com uma iniciativa que alia proteção animal e reinserção social. Batizado de “ReinserCão”, o projeto funciona em um canil instalado dentro de uma unidade prisional e tem capacidade para acolher até 30 cães resgatados de situações de abandono e maus-tratos.

No espaço, internos participam da rotina de cuidados com os animais e recebem capacitação em áreas como manejo, adestramento e noções de atendimento veterinário. A proposta é oferecer uma alternativa de qualificação profissional e, ao mesmo tempo, contribuir para a recuperação dos cães.

Os animais chegam por meio de ações realizadas pela Prefeitura de Belém, que faz o resgate e os primeiros atendimentos, com apoio de serviços como o Centro de Zoonoses e o hospital veterinário municipal. Ao serem encaminhados ao canil, passam por avaliação clínica antes de iniciar o processo de reabilitação.

Atualmente, nove cães estão abrigados no local. Eles recebem alimentação, cuidados de higiene e acompanhamento contínuo, além de atividades voltadas à socialização e ao adestramento. Parte desse trabalho é feita diretamente pelos internos, que participam desde a limpeza até o treinamento dos animais.

image Depois de reabilitados, os cães são disponibilizados para adoção (Bruno Cruz/ Agência Pará)

Segundo a equipe técnica, muitos dos cães chegam com comportamento retraído, reflexo de situações de violência. Por isso, o trabalho inclui também a reabilitação comportamental, preparando os animais para conviver em ambiente doméstico.

Além do cuidado com os cães, o projeto busca ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Os participantes têm acesso a cursos e treinamentos voltados ao setor pet, com apoio técnico de profissionais especializados.

Para os internos envolvidos, a iniciativa representa uma oportunidade de aprendizado e recomeço. Alguns já consideram a possibilidade de atuar na área após o cumprimento da pena.

Adoção responsável

Depois de reabilitados, os cães são disponibilizados para adoção. O processo inclui etapas de avaliação para garantir que os animais sejam encaminhados a lares adequados.
Os interessados passam por uma análise prévia, que inclui visita ao local onde o animal irá viver. Após a aprovação, é assinado um termo de responsabilidade e o cão é entregue ao novo tutor, com orientações sobre cuidados e histórico de saúde.

Mesmo após a adoção, a equipe mantém contato com os adotantes para acompanhar a adaptação dos animais e assegurar o bem-estar deles no novo ambiente.

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