Mais de 100 famílias ocupam terreno no Bengui e pedem regularização
A ocupação iniciou há menos de uma semana, na última sexta-feira (19). Moradores de áreas próximas denunciaram a atividade nas redes sociais
Um grupo com cerca de 120 famílias ocupa, desde a última sexta-feira (19), um terreno localizado na avenida Egídio Sales, próximo a supermercado no bairro do Bengui, em Belém. Moradores das proximidades denunciaram a atividade em vídeos nas redes sociais nesse domingo (21). Durante limpeza na área de mata, os ocupantes encontraram uma possível ossada humana dentro de um saco.
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Na manhã dessa segunda-feira (22), uma equipe de O Liberal esteve no local e constatou a apropriação do espaço por mulheres, mulheres e crianças, além dos ossos encontrados. Para a divisão de lotes, os habitantes utilizaram fitas de isolamento, barbantes e arames lisos. As estruturas foram montadas com pedaços de madeira e cobertas por lonas, para proteger as pessoas e os pertences — como redes, colchões, fogão, caixas de isopor e cadeiras.
Alex de Souza Farias, conhecido pelo apelido de “Taboca”, representante do grupo que se encontra no local, afirmou à reportagem que o espaço está abandonado há mais de 30 anos. “Esse terreno se torna hoje vulnerável, trazendo risco de vida para uma sociedade, enquanto famílias ao arredores que não têm onde morar. Crianças laudadas, pessoas que não têm condições de obter uma moradia, ter um lar, estão morando aqui dentro. Há cerca de 120 famílias pedindo aqui para a justiça poder olhar aqui para dentro, para essa área que vive abandonada”, disse. Ele ressalta que moradores próximos já solicitaram um posicionamento do poder público.
Ossada encontrada
Ao lado de outros homens da ocupação, Alex encontrou o saco com ossos e afirmou que são humanos. “Um cemitério clandestino. Os ossos já muito antigos, velhos", contou. A equipe viu e registrou a presença do material, que ainda não possui confirmação de origem — humana ou animal. O Liberal solicitou, às 11h10, nota oficial das Polícias Científica e Civil. Em resposta, às 12h08 e 12h38, respectivamente, os órgãos declararam que não foram acionados e não registraram o fato. Confira as notas na íntegra ao final.
Moradores de casas próximas ao terreno relataram que, por diversas vezes e antes da ocupação iniciar, sentiram odor forte vindo do local. Os episódios duravam cerca de quatro dias. Além disso, também relataram que era comum ouvir gritos na área pela noite.
À reportagem, Alex afirmou a existência de uma decisão da 7ª Vara Cível e Empresarial de Belém sobre reintegração e manutenção de posse. Em consulta ao site do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), constatou-se que o processo foi iniciado por seis autores no sábado (20). A equipe de O Liberal solicitou posicionamento do TJPA às 11h02 dessa segunda-feira (22) e, até às 13h24 (horário de conclusão da presente matéria), não havia resposta. Também foram acionados o Governo do Pará, Prefeitura de Belém, Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) e Polícia Militar (PM), mas também não houve retorno.
Nota Polícia Científica do Pará
“A Polícia Científica do Pará informa que, até o momento, não foi acionada para esta ocorrência.”
Nota Polícia Civil do Pará
“A Polícia Civil informa que, até o momento, o caso não foi registrado.”
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