Janeiro melancólico: moradores de Belém relatam desafios e estratégias para enfrentar início do ano
"Geralmente em janeiro é um pouco complicado: tem IPTU, IPVA", diz o comerciante Everton Rolim, de 57 anos
Janeiro ganhou fama nas redes sociais como o mês mais longo e melancólico do ano, uma percepção que se repete a cada virada de calendário. O fim das festas, o retorno à rotina, a redução dos momentos de lazer e, principalmente, o acúmulo de contas logo nas primeiras semanas do ano contribuem para esse sentimento. Em Belém, moradores relatam que o início do ano é marcado por dificuldades financeiras, pressão emocional e pela necessidade de reorganização da vida cotidiana.
O comerciante Everton Rolim, de 57 anos, afirma que janeiro costuma ser um mês especialmente complicado por causa do acúmulo de despesas do fim do ano. “Geralmente em janeiro é um pouco complicado. E também tem o IPTU, IPVA, mensalidade de escola, material escolar”, enumerou. Segundo ele, os gastos com Natal, Réveillon e presentes acabam refletindo logo nas primeiras semanas do novo ano.
Apesar da fama de mês longo, Everton avalia que janeiro passa rápido. “Acho que é um mês que passa rápido, mas é um mês com muita conta, muita dívida”, afirmou. Para atravessar esse período, ele disse que a principal estratégia é reduzir os gastos. “Eu procuro gastar menos”, contou. Para aliviar a pressão do dia a dia, o comerciante busca momentos de lazer. “Eu gosto de assistir um filme, ir ao cinema, ouvir música, porque é complicado realmente o mês de janeiro”, disse. Em tom bem-humorado, Everton ainda brincou sobre o consumo de conteúdos relacionados a dívidas: “Já bastam as nossas contas”.
VEJA MAIS:
"É um mês que tem muita conta para pagar”, diz jardineiro
Na manhã desta quarta-feira (14), o jardineiro Romildo Calandrine, de 50 anos, aproveitava um raro momento de descanso ao lado do filho Murilo, de 8 anos, na praça da República. Para ele, janeiro é sinônimo de preocupação. “É um mês que tem muita conta para pagar. É IPVA, IPTU, é material escolar. A gente tem que se virar. A gente sabe que não está fácil”, relatou. Segundo Romildo, o início do ano não representa um recomeço tranquilo, já que as despesas se acumulam rapidamente.
Além das contas típicas de janeiro, o jardineiro explica que ainda carrega dívidas do ano anterior. “A gente começa o ano, mas já tem essas dívidas que vêm do ano anterior. Tem que pagar o que está devendo e pagar o que a gente vai fazer de dívida agora”, afirmou. Para conseguir arcar com os compromissos, Romildo diz que precisa buscar alternativas para aumentar a renda. “Eu tenho que fazer outros trabalhos para ver se consigo suprir o valor das contas”, contou.
A pressão financeira, segundo ele, interfere até na percepção do tempo. “É um mês que demora um bocadinho para passar por causa das dívidas”, disse. Ainda assim, Romildo tenta encontrar formas de aliviar o peso emocional do período. O tempo dedicado ao filho se tornou uma estratégia importante. “Eu passo mais tempo com o meu filho, brincando, saindo com ele para passear, como agora. Mesmo com os problemas, eu tento esquecer e dar o foco para ele”, afirmou. Apesar disso, ele reforça que o objetivo principal segue sendo “arrumar o dinheiro para pagar as dívidas”.
O que diz a psicologia
Segundo o psicólogo Edson Marques, a sensação de que janeiro é mais longo e melancólico tem base psicológica e biológica. “Após as festas de fim de ano, há uma queda abrupta nos estímulos positivos, o que gera um contraste emocional muito forte”, explicou. De acordo com ele, durante o período festivo o cérebro é estimulado por recompensas sociais e emocionais, o que aumenta a liberação de dopamina. “Quando essas celebrações terminam, ocorre uma redução desses estímulos, o que impacta diretamente o humor e a motivação”, disse.
Edson Marques destaca que essa mudança interfere até na forma como o tempo é percebido. “Com menos estímulos prazerosos, o cérebro passa a perceber o tempo de maneira mais lenta, criando a sensação de que janeiro não passa”, afirmou. Para o psicólogo, o retorno à rotina também exige grande esforço mental. “Janeiro demanda planejamento, autocontrole e organização, o que sobrecarrega o cérebro e provoca fadiga de decisão”, explicou.
O especialista ressalta ainda que o fator financeiro é um dos principais gatilhos de estresse no início do ano. “Quando lidamos com dívidas, contas acumuladas e insegurança financeira, o corpo entra em estado de alerta, com aumento do cortisol, o hormônio do estresse”, disse. Segundo ele, esse cenário favorece sintomas como ansiedade, irritabilidade, baixa motivação e pensamentos repetitivos sobre os problemas financeiros.
Para atravessar esse período com mais equilíbrio emocional, Edson Marques aponta algumas estratégias. “Dividir as contas em metas menores, organizar um planejamento financeiro gradual e evitar pensamentos catastróficos ajudam a reduzir a ansiedade”, afirmou. Ele também reforça a importância do lazer e da convivência familiar, como relatado por Romildo. “Momentos de lazer, pausas ao longo do dia e o convívio com a família funcionam como amortecedores emocionais, ajudando o organismo a se recuperar do estresse”, explicou.
De acordo com o psicólogo, essas práticas ajudam a restabelecer o equilíbrio emocional necessário para enfrentar as demandas do início do ano. “Mesmo em um mês difícil como janeiro, pequenas estratégias podem ajudar as pessoas a atravessarem esse período com mais clareza, resiliência e saúde mental”, concluiu.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA