Dia Nacional do Doador de Sangue: saiba a importância de ajudar a salvar vidas

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa considerada ideal para um país manter os estoques regularizados é ter em torno de 3% população doando anualmente. Hoje, o percentual brasileiro é menor que 2% ao ano

Dilson Pimentel

O Dia Nacional do Doador de Sangue é comemorado nesta sexta-feira (25). “Essa data surgiu num esforço nacional de trazer mais doadores para os bancos de sangue”, disse o médico hematologista João Saraiva, do Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Belém (IHEBE).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que a gente deveria ter pelo menos de 2% a 3% da população como doadora de sangue. Então, em torno de 3% deveria doar sangue. Entretanto, a gente tem uma média nacional em torno de 1.5%, 1.7%. Não chega nem a 2%. No Pará, são valores semelhantes”, afirmou.

"Então realmente é algo que a gente deve sempre tentar para atingir pelo menos um nível mínimo para que os nossos estoques estejam sempre abastecidos. Então essa data ela serve justamente para trazer mais doadores para os bancos de sangue”, afirmou.

Essa mobilização é realizada no final de novembro porque dezembro é o mês das festas, o que afasta bastante os doadores dos hemocentros. E, ao mesmo tempo, é um período em que há muitos acidentes de trânsito. “É uma época que a gente tem uma demanda por sangue bem importante e os estoques acabam ficando desabastecidos”, disse o médico hematologista João Saraiva.

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Essa data, lembrada neste dia 25 de novembro, ajuda bastante para que esse trabalho continue sendo realizado, atendendo, assim, aquelas pessoas que precisam fazer cirurgia ou estão em tratamento de câncer e necessitam receber sangue.

Uma pessoa saudável pode, um dia, precisar de sangue, diz hematologista

Ele também falou sobre a importância de ser um doador de sangue. “É o que eu sempre falo para aqueles doadores, principalmente aqueles voluntários: hoje você está saudável e tem condições de ajudar o próximo. Vamos lembrar que uma doação de sangue pode ajudar até quatro pessoas. Então isso é algo realmente bastante expressivo”, disse.

“Mas, amanhã, pode ser você que esteja doente, pode ser um familiar seu. E, sem dúvida alguma, você vai precisar desse ato voluntário de outras pessoas, de pessoas desconhecidas, pessoas com as quais você não tem contato, mas que sem dúvida alguma tão ali pra ajudar alguém”, afirmou.

O hematologista João Saraiva explicou que, no Brasil, a doação de sangue obrigatoriamente é totalmente voluntária e altruísta. "E, de maneira alguma, pode haver qualquer questão relacionada a pagamento, não pode haver qualquer questão relacionada a benefício. A pessoa tem que realmente fazer aquele ato por amor”, disse.

E há dois grandes grupos de doadores. Um desses grupos é formado pelos doadores voluntários, que são aquelas pessoas que o fazem de maneira periódica. “Quando eu falo periodicamente, eu lembro que homens podem fazer até quatro doações ao ano e com intervalo mínimo de dois meses. As mulheres podem fazer até três doações ao ano com intervalo mínimo de três meses. De maneira periódica, essas pessoas estão dentro dos bancos de sangue, promovendo esse abastecimento contínuo”, disse.

Há, ainda, aqueles doadores de reposição. “Que são aqueles que a gente vê bastante nas redes sociais quando o pai, a mãe, o sobrinho, o filho estão precisando de sangue e arregimentam um grupo de amigos, um grupo de colaboradores para doar para aquela pessoa. É bastante importante também essas campanhas. Mas a gente sempre gosta de lembrar que aqueles doadores de repetição, aqueles doadores voluntários que doam independente para quem estejam doando, são bastante importantes”, disse.

O sangue não tem substituto. “Eventualmente a gente vê na mídia falando sobre sangue artificial, porque está sendo feito em um laboratório na Suíça. Mas isso já é uma história bastante antiga e que não tem na prática, nem vai ter tão cedo. O sangue ainda é fundamental para exercer as atividades físicas e a gente ainda necessita correr atrás de doações continuamente”, afirmou.

image Médico hematologista João Saraiva, do Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Belém: "Doar sangue é extremamente seguro" (Ivan Duarte/O Liberal)

Doar sangue é seguro e dura em torno de 10 minutos

Doar sangue é extremamente seguro. “O Brasil tem uma das legislações mais rígidas em relação ao processo do sangue tanto para quem vai doar quanto para quem vai receber. A pessoa vai ser bem tratada. É um processo rápido”, disse o hematologista João Saraiva.

Segundo ele, a grande demora é no processo antes da doação em si: a pessoa só vai doar se tiver condições de doar, se tiver boas condições de saúde. “Então tudo para que ela não corra riscos de fazer aquela doação”, afirmou.

O processo em si da doação dura em torno de dez minutos. “A gente tira em média 400 ml de sangue daquela pessoa e que o próprio corpo dela já consegue recuperar em algumas semanas. Então é uma fonte renovável. Então não vai ter um prejuízo. E, sem dúvida alguma, vai tá fazendo um bem que ela não faz ideia de como vai beneficiar aqueles que precisam”, completou.

Surgindo há 20 anos, o Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Belém atende os hospitais privados - pacientes particulares e planos de saúde, principalmente. Por legislação, o hemocentro público, como o Hemopa, deve ser destinado a atender pacientes do SUS.

image O enfermeiro Dany Lages, 43, é doador há mais de quatro anos. “Uma simples doação de sangue pode salvar mais de quatro vidas”, afirmou (Ivan Duarte/O Liberal)

"As pessoas não precisam ter medo de doar sangue", diz enfermeiro

O enfermeiro Dany Lages, 43, é doador há mais de quatro anos. “É imensurável a importância de doar sangue. Uma simples doação de sangue pode salvar mais de quatro vidas”, afirmou. Ele observou que, na maioria das vezes, os estoques dos bancos de sangue estão baixos.

“E muitas pessoas precisam de sangue para as cirurgias de urgências, hemorragias, anemias significativas. E, para essas pessoas, o sangue é vida”, afirmou.

O enfermeiro Dany disse que as pessoas não precisam ter medo de doar sangue. “Você fica ali, em média, dez minutinhos. E esse ato altruísta vai salvar muita vida”, afirmou. Em 2013, ele sofreu um acidente de trânsito, teve uma fratura exposta e precisou fazer uma cirurgia. “E vi a importância da necessidade de sangue. E, também por ser da área de saúde, a gente vê uma necessidade muito grande de pacientes ali aguardando sangue”, afirmou Dany.

image Surgindo há 20 anos, o Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Belém atende os hospitais privados - pacientes particulares e planos de saúde, principalmente (Ivan Duarte/O Liberal)

Saiba como doar no IHEBE, que fica na travessa Mauriti, 3085, Marco

Segunda à sexta: 7h30 às 18h

Sábado: 8h às 12h

Telefone geral: (91) 3246-8292

Administração: 98134-7094

Doação: 98134-7042

Clínica: 99801-0809

 

Belém
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