Dia Nacional do Doador de Sangue: pacientes do Hemopa agradecem doadores com cartinhas

Várias crianças e famílias atendidas pela Fundação Hemopa distribuíram cartas para doadores voluntários de sangue e puderam expressar o agradecimento que geralmente não ocorre de maneira tão direta

O Liberal
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Doadores de sangue são pessoas caridosas e solidárias. Mas dificilmente sabem a quem estão ajudando. As doações são muito importantes para a vida de muitas pessoas, seja quem faz algum tratamento específico ou para quem, por urgência, precisa de uma bolsa de sangue. Somente na Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), cerca de 15 mil pessoas precisam desses doadores. E de forma alusiva ao Dia Nacional do Doador de Sangue, comemorado nesta quinta-feira (25), a insituição promoveu esse contato que não é tão usual entre pacientes e os voluntários.

Desde o dia 22, o Hemopa promove uma campanha em homenagem ao voluntariado da doação de sangue, que segue até o dia 27. Várias crianças atendidas pelo hemocentro estão escrevendo cartas e as entregando aos doadores, em forma de agradecimento pelo ato de solidariedade e amor ao próximo. Tanto as crianças como adultos, podem precisar de sangue para tratamento de Doença Falciforme, Talassemia, Hemofilia, Doença de von Willebrand entre outras.

A maioria das crianças atendidas pela Fundação Hemopa são acometidas com doenças hematológicas crônicas e precisam de transfusão a vida toda. Com o tema “Solidariedade é doar sangue o ano inteiro”, a instituição busca incentivar antigos e novos doadores de sangue, principalmente, neste período de pandemia da covid-19, que acabou impactando na redução dos estoques de sangue e doadores.

Pai de cinco filhos, o pescador Noé Ferreira, de 60 anos, conta que encontrou no caçula mais força para vencer os obstáculos. Ao nascer, o pequeno Edvaldo Ferreira, de 8 anos, foi diagnosticado com Anemia falciforme, uma doença que acomete o sangue e causa deformidade nos glóbulos vermelhos. Os sintomas são vários como anemia, fraqueza, dores articulares, inflamações e podem até mesmo levar a morte.

"Foi durante o teste do pezinho que recebemos o resultado da doença. Desde o nascimento que ele é atendido pela Fundação Hemopa. Moramos  no interior de Abaetetuba e a nossa rotina é vir aqui até cinco vezes no mês. Durante essas nossas viagens, ele recebe de uma a duas transfusões de sangue mensalmente. Meu filho é um paciente crônico e depende da transfusão sanguínea para viver, é essencial", explica o pai de Edvaldo.

Por conta do rápido diagnóstigo e tratamento desde os primeiros meses de vida, a doença de Edvaldo está estabilizada. Apesar disso, com a chegada da pandemia, toda a família ficou apreensiva com a saúde dele. Por ser um paciente crônico, o tratamento não poderia parar. "Nos apegamos a Deus. Eu sou o único que acompanho o meu filho para fazer o tratamento. Ele doente e eu no grupo de risco, só restou pedir a ajuda de Deus e encarar as viagens porque nada podia atrapalhar no tratamento dele", relembra o pescador dos momentos mais difíceis durante a pandemia. 

 

Gestos de amor e gratidão

A rotina do Edvaldo é a mesma de muitos pacientes que fazem acompanhamento no Hemopa. Com o intuito de agradecer a todos que colaboram, o Hemopa promoveu um encontro entre o pequeno paciente e um dos doadores. Esses encontros foram emocionantes para todas as pessoas que já receberam o afeto durante a campanha de agradecimento da instituição. Como nem todas as crianças já sabem escrever direitinho, alguns fizeram desenhos para entregar.

O estudante Frederico Mattar, de 18 anos, não imaginava que poderia ser agraciado com um gesto tão carinhoso de uma criança. Enquanto realizava a doação de sangue, o pequeno Edvaldo Ferreira o escolheu para entregar um afetuoso desenho que simbolizava alguém deitado em uma cama e doando sangue. 

"Eu comecei a doar sangue no início de julho deste ano. Eu fui motivado pela vontade de ajudar o próximo e ao ver de perto uma criança me agradecendo por uma atitude tão simples, me emociona. Não esperava por esses momentos porque as nossas realidades costumam ser distantes dos pacientes. Estou feliz e já aguardando pela próxima doação", comemora o estudante. 

A responsável pela gerência sociopsicopedagógica do Hemopa, Cristina Santos, afirma que a semana de comemoração ao doador voluntário de sangue já faz parte do calendário anual da Fundação e é de extrema relevância por trazer a tona a importância desse ato e das pessoas anônimas que salvam vidas. "As atividades são para chamar a atenção da sociedade para que as pessoas consigam visualizar que essas demandas são verdadeiras, as pessoas são de verdade e que a necessidade é real e cotidiana. Que essas atitudes sejam permanentes e sistemáticas", acrescenta. 

Entre os rabiscos que expressam a gratidão pelas doações de sangue para a qualidade da própria vida, o pequeno Edvaldo Ferreira representa os colegas que dependem desse ato para ter uma rotina saudável e feliz com outras crianças e ele faz uma convocação: "Venham doar sangue e ajudar a todos que precisam".

(Karoline Caldeira, estagiária sob a supervisão de Victor Furtado, coordenador do Núcleo de Atualidades)

Belém
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