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Dia da Pizza: conheça o prato italiano que ganhou releitura paraense e virou sucesso em Belém

Dia da Pizza no Brasil é celebrado com gente reunida e massas recheadas de história paraense

Lucas Costa e Amanda Martins

Domingo já deve ser dia de pizza nas casas de muitas famílias brasileiras, mas este domingo em específico é oficial. O dia 10 de julho marca o Dia da Pizza do Brasil - celebração que existe desde 1985, com origem em São Paulo. Mas se o prato italiano ganhou o país no sentido de ter uma data oficial por aqui, claro que ele também foi adaptado para os paladares tropicais - o Pará incluso.

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O Liberal foi conhecer a Pizza do Fábio, no bairro do Marco, em Belém, famosa pelas chamadas pizzas vulcânicas, combinadas aos sabores paraenses. O cardápio tem opções como uma versão da pizza paraense - que combina camarão, jambu e uma receita de redução de tucupi da casa, tudo isso combinado a borda vulcânica, uma espécie de piscina recheada com requeijão cremoso e um camarão ou uma pata de caranguejo. Esta é também a pizza que rendeu ao restaurante o segundo lugar no prêmio nacional Grano Pizza Show, em 2021.

Fábio e Josilene Lima são o casal proprietário do empreendimento, que nasceu no município de Vigia. A Pizza do Fábio, que hoje tem as pizzas paraenses como estrela do cardápio, não abriu com esse intuito inicialmente; foi um pedido de um cliente que os levou a testar ingredientes que fugiam da tradição italiana.

Fábio e Josilene Lima são o casal proprietário da 'Pizza do Fábio' (Sidney Oliveira / O Liberal)

"Foi um conjunto de fatores que conspirou para que a gente realmente concretizasse esse projeto", destaca Josilene. "Um cliente nosso de São Caetano, toda vez que ia até a pizzaria, perguntava quando é que a gente ia colocar a pizza de caranguejo no cardápio. Então, batendo um papo, chegou a hora que a gente reuniu a equipe, elaborou o sabor, a alquimia dos ingredientes, e geramos a pizza de caranguejo. Isso foi o pontapé para criar os outros sabores", relembra. 

Fábio, que dá nome à casa, conta sobre a vontade de fazer receitas próprias, o que gerou a versão da pizza paraense da casa e também os outros destaques do menu. "Fizemos uma releitura de sabores. A de caranguejo foi uma criação nossa; já a paraense foi uma releitura, realmente com aquilo que a gente poderia melhorar como sabor, como algo único. Ainda que já existisse [a pizza paraense], a gente buscou fazer essa releitura para que desse esse sabor que você só encontraria na Pizza do Fábio", pontua.

Em um período onde pizzarias reorganizam seus serviços para focar em delivery, reduzindo cada vez mais seus salões, a Pizza do Fábio aposta também no caminho inverso, o da pizza como celebração e experiência, para comer junto.

"Eu aposto muito no nosso serviço de salão. Justamente por isso a gente nomeou o nosso negócio como casa, porque a gente entende que a pizza é o momento que reúne pessoas, celebra momentos, então a gente deu essa conotação de casa para as pessoas se sentirem acolhidas", justifica Josilene, dando destaque ainda para a conexão cultural gerada pela comida.

"A gente oferece uma experiência completa, porque a gastronomia paraense é isso, ela é feita de sabores, cheiros e sensações. Então misturamos o ingrediente da hospitalidade e gerou realmente essa experiência que conquistou o paraense, e ele realmente assinou em baixo através dessas conquistas que nós tivemos", conta a proprietária.

A Pizza do Fábio nasceu em 2012, no município de Vigia, mas sempre fez parte do sonho dos proprietários alcançar novos territórios. Foi depois que os sabores se tornaram referência por lá que vieram para Belém. Atualmente a casa emprega cerca de 20 funcionários, mas o local anda pequeno para a demanda atual. 

"A gente tinha uma proposta toda inovadora, mas até você conquistar a credibilidade, arrumar a casa, todos os serviços, para que realmente a experiência fosse completa, demandou tempo. Mas o projeto foi muito bem acolhido pelos paraenses de um modo geral, porque a casa se tornou referência não só em Belém, mas no Brasil. A gente recebe muitos turistas de fora, inclusive de São Paulo, que é a terra da pizza; eles chegam e dizem 'essa pizza realmente vale a pena'", comemora Fábio.

‘Comer pizza’ se torna para paraenses um momento de ‘saudade’ e ‘confraternização’ em família 

A comida paraense é considerada como uma das mais gostosas do mundo. E, quando se junta com a paixão dos brasileiros, a pizza, consegue "fisgar" o paladar de qualquer um. Morando há mais de 20 anos em Macapá (AP), a belenense Gerley Castro não dispensa uma ida à Pizzaria do Fábio quando está na cidade. Isso porque, mesmo que haja outros sabores de pizzas, a pedagoga ainda se sente totalmente "rendida" à de camarão com jambu e molho de tucupi.

“Gosto de pizza em geral, mas uma das formas de matar a saudade que sinto do meu Pará é vindo aqui comer uma pizza paraense. O nosso tempero é maravilhoso. Não precisa nem de ketchup ou maionese para deixar a massa gostosa, basta o molhinho amarelo (o tucupi) para ficar perfeito”, disse, enquanto se deliciava com um pedaço.

Acompanhada da irmã, Gerleyne Magalhães e do cunhado, Helvécio, Gerley estava vivendo uma noite agradável. Por causa da pandemia, a família estava impedida de colecionar memórias ao redor de uma mesa de restaurante. A empresária Gerleyne afirmou que esse tipo de momentos é o que ela sentia mais falta.

Família Castro e Magalhães gosta de colecionar memórias comendo uma boa pizza (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

“Eu como mais pizza do que o meu marido. Aos finais de semana, gosto de sair para comer. É melhor vir em uma pizzaria do que pedir delivery. Ficamos tanto tempo isolados em casa, presos, sentia saudade de saborear uma pessoalmente rodeada de pessoas que amo”, disse a irmã de Gerley. 

Há pizzarias que são capazes de marcar para sempre o paladar do cliente e, até também, em algumas circunstâncias, se tornar uma última lembrança da cidade natal. Foi o que ocorreu com a paraense Haneler Amaral dos Santos. De mudança com o namorado para Brasília (DF), ela decidiu se reunir com as duas famílias na noite da última sexta-feira (8), para comer uma pizza. E, claro, escolheu os sabores clássicos da portuguesa e calabresa. 

Mesa cheia e o coração transbordando de saudade da cidade natal. É assim que a paraense Haneler estava se sentindo ao se sentir dos entes queridos (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

“Vou sentir muita saudade do açaí, da farinha, do vatapá, do nosso arroz com jambu, de tudo. Por isso, quis vir aqui, na Pizzaria do Fábio, para comer uma e guardar as lembranças do Pará”, declarou a autônoma. 

De onde vem a pizza

As pessoas se alimentam de pizza a séculos. De acordo com o History Today, massas planas com ingredientes em cima eram servidas como refeição para pessoas que não podiam pagar por pratos, ou estavam em viagem. Estas primeiras pizzas chegaram a ser registradas no livro "Eneida", de Virgílio, publicado em 19 a.C.

A pizza como conhecemos hoje, no entanto, foi feita pela primeira vez no século 18, em Nápoles, na Itália. A ideia era fazer com que as pessoas comprassem as fatias, e pudessem comer no caminho, o que acabou gerando mudanças de hábitos alimentares entre os italianos.

A popularização veio com a unificação italiana, depois que a realeza se apaixonou pelo prato. Rei Umberto I e a Rainha Margherita visitavam a cidade de Nápoles em 1889, para conhecer a culinária local. Na ocasião, o pizzaiolo Raffaele Esposito preparou três combinações de sabores diferentes: uma com banha, queijo caciocavallo e manjericão; outra com cecenielli; e uma última com tomates, muçarela e manjericão. A rainha ficou encantada com a última, que acabou batizada de pizza marguerita em sua homenagem.

O Dia da Pizza no Brasil tem origem mais recente, sem realeza envolvida. A data foi instituída pelo então secretário de turismo Caio Luís de Carvalho, em 1985, por ocasião de um concurso estadual feio em São Paulo, que escolheria as 10 melhores receitas de pizza de muçarela e marguerita do país. Empolgado com o sucesso do evento, o secretário determinou a data de seu encerramento, 10 de julho, como data oficial de comemoração. 

 

Belém
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