Dezenas de gatos estão em situação de abandono no Parque Cemitério Soledade, em Belém
Localizado no bairro da Batista Campos, o espaço tornou-se museu e é habitado por mais de 70 felinos, segundo testemunhas
Dezenas de gatos vivem em situação de abandono no Parque Cemitério Soledade, no bairro de Batista Campos, em Belém. Durante visita ao local na manhã da última terça-feira (23), a equipe de reportagem observou mais de 20 felinos circulando pela área, embora frequentadores e pessoas que acompanham os animais afirmem que a população ultrapassa 70 gatos. Diante do cenário, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) recomendou à Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Sepda) e ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) a adoção de medidas emergenciais voltadas à proteção dos animais, ao controle de zoonoses e à recuperação das condições sanitárias do espaço.
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O Parque Cemitério Soledade, localizado no bairro da Batista Campos, ocupa uma quadra e é cercado pela travessa Doutor Moraes e as avenidas Conselheiro Furtado, Serzedêlo Correa e Gentil Bittencout. Em todas as grades, estão placas de sinalização sobre o abandono de animais, mas ainda ocorre, segundo o guardador de carros Edmilson Cruz. “Há muito tempo o pessoal vem, traz gato para cá, deixa na caixa, às vezes ele só joga aí para dentro. Todo tempo tem esse abandono de gato aqui próximo”, diz.
A lei nº 9.605/98 prevê pena de prisão e multa para quem abandona cães, gatos e outras espécies. Além do perigo aos animais, a presença desordenada deles em espaços públicos oferece risco à saúde pública, compromentendo o bem-estar humano.
“Animais podem veicular certas doenças, chamadas de zoonoses, que podem passar pelo contato direto ou por excretas — urina e fezes. Essa população errante desordenada pode estar, por exemplo, contaminando um ambiente”, explica a médica veterinária Flávia Barros. A especialista também destaca que os felinos, assim como cachorros, podem agredir frequentadores e outros animais de estimação, e causar desequilíbrio ambiental, devido ao hábito predatório de pequenos pássaros.
As principais doenças relacionadas à população desenfreada de animais abandonados são o bicho geográfico, leishmaniose, leptospirose, esporotricose e, principalmente, raiva. Flávia acredita que a falta de políticas públicas para atender os animais errantes é um dos fatores prejudiciais e que é necessário, com urgência.
"O atendimento desses animais errantes, com a captura adequada e castração para evitar a proliferação, assim como campanhas de conscientização e adoção desses animais”. A médica veterinária ressalta que é preciso desencorajar a alimentação de cães e gatos nesses espaços, pois é costume permanecerem nos locais onde há oferta de alimentos: “Devem ter incentivos para o resgate e destinação adequada desses animais.”
Recomendações do MPPA
Intesificação da esterelização de gatos moradores do Parque Cemitério Soledade e vacinação antirrábica são algumas medidas recomendadas pelo MPPA, além de medidas de controle permanente de pragas e vetores — como a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, propagador da dengue, chikungunya e o Zika vírus. O órgão estadual também solicitou um cronograma contínuo de limpeza, higienização e remoção de resíduos orgânicos e avaliação do sistema de videomonitoramento para identificar os responsáveis por práticas ilícitas. O Ministério Público do Estado do Pará deu à Sepda e ao CCZ um prazo de 60 dias para informar acerca do cumprimento da recomendação.
Os cuidados aos gatos já são adotados pela Sepda, conforme nota repassada a O Liberal. “A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal (Sepda), informa que mantém um atendimento contínuo aos animais do Cemitério Soledade, trabalho realizado desde o ano passado pelas equipes e que consiste em atendimento médico veterinário e castração para garantir o controle populacional dos animais atendidos”, diz. Além disso, a secretaria reforça que tem “atuado diretamente no combate aos maus-tratos e abandono de animais.”
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