Consolidar a Amazônia como palco de soluções é o foco, diz diretora do IPAM em II Semana do Clima
O evento, promovido em parceria por mais de 30 instituições, é realizado em Belém entre os dias 29 de junho e 4 de julho. O objetivo dessa edição está em acompanhar a implementação de metas debatidas durante a 30ª Conferência das Partes (COP 30), que ocorreu na capital paraense em novembro de 2025
Belém do Pará volta a ser o centro de discussões sobre mudanças climáticas, justiça ambiental e desenvolvimento sustentável nessa segunda-feira (29), com o início da II Semana do Clima da Amazônia. O foco para este ano, pós-30ª Conferência das Partes (COP 30) da Organização das Nações Unidas (ONU), é consolidar a região como palco de soluções e debates, segundo a diretora de Desenvolvimento Territorial do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) Lucimar Souza. O evento é promovido em parceria por mais de 30 instituições e segue até o dia 4 de julho.
VEJA MAIS
[[(standard.Article) Dinamarca registra recorde histórico de calor, com 37°C graus]]
A II Semana do Clima visa acompanhar a implementação de metas debatidas durante a COP 30, realizada na capital paraense em novembro de 2025. Lucimar fala que, normalmente, os grandes eventos de discussão climática ocorrem fora da Amazônia. “Esse é o principal motivo do nosso esforço: consolidar a região amazônica como uma região capaz de promover debate de alta qualidade sobre a agenda socio-ambiental e, também, como uma região que propõe muitas soluções”, diz.
Com histórico rico em produções sobre o meio ambiente, a jornalista Sônia Bridi retorna a Belém para a programação e, durante painel ministrado na abertura, abordou as principais mudanças climáticas, a importância da ciência e a necessidade de divulgar as descobertas e transformações no planeta. “É preciso que as soluções para a Amazônia, que impactam o mundo inteiro, sejam soluções de quem conhece a Amazônia — e ninguém conhece a Amazônia melhor do que os amazônidas. Essas soluções têm que ser discutidas aqui, elas têm que ser amadurecidas e implementadas aqui”, comenta.
“Prefeitos e governadores da região amazônica: venham para a próxima semana do clima e participem. Fiquem, ouçam os debates, os cientistas, os ativistas. Tem muita coisa boa para se saber que, com baixo custo, vai melhorar a vida de todo mundo. As soluções estão aí, tem muita coisa a ser conversada, debatida e muito para se aprender”, destaca a jornalista. Sônia iniciou o painel falando que “ainda temos tempo” de cuidar da Terra e ela acredita que há oportunidades, mesmo que em curto período, para evitar que o planeta se torne um ambiente hostil para a existência humana.
A diretora do IPAM aponta que, entre as diversas características que tonam a Amazônia tão importante, está o fato de ser a maior floresta tropical do mundo. “Nós temos uma biodiversidade impressionante. Nós contribuímos para o ciclo de chuvas na região sul. As árvores da Amazônia jogam água para a atmosfera, que são os famosos rios voadores, que voam em direção à região sudeste do Brasil, levando chuva para a agricultura brasileira. Nós temos, no Brasil, uma economia que ainda é majoritariamente dependente das chuvas”, explica.
O agricultor familiar Milton Aparecido da Silva, morador do município de Placas, no oeste do Pará, afirma que promover debates é essencial para a defesa da vida do planeta e mostra a necessidade de novos comportamentos da comunidade: “A gente passa a ver que o mundo exige novas atitudes e novos produtos, que a gente precisa também, ao mesmo tempo, produzir, manter uma qualidade de vida boa para o nosso povo e você ter como aliada a floresta e o meio ambiente”. Milton, natural do Paraná, já morou em São Paulo e está em terras paraenses há 45 anos.
Em 2023, a Amazônia sofreu uma seca histórica, que reduziu o volume dos rios ao mínimo em mais de 120 anos. O agricultor relata que, cerca de três anos depois, algumas platações nunca foram recuperadas por completo — de açaí e cupuaçu, por exemplo. “Eu conheço um colega que tinha 3 mil pés de cacau e morreram os 3 mil pés de cacau. Hoje não tem como você fazer um plano para você trabalhar e plantar mudas se você não tiver irrigação. A irrigação se tornou necessária para a questão da sobrevivência da cultura. A gente não dependia, agora depende”, conta.
Para o agora, Lucimar Souza destaca que um dos grandes propósitos é firmar Belém como um espaço fixo no calendário mundial de conversas ambientais. “A outra expectativa, eu acho que de tanto a gente dizer o mundo vai ouvir, é que a gente não tem mais tempo para discutir o futuro”, pondera a diretora. Ela relembra que, a elevação da temperatura do planeta de 1,5° C prevista para 2050, já ocorreu em 2024: “Nós não estamos falando do futuro, nós estamos falando de hoje. Nós já estamos diante de muitos fenômenos que não deixam dúvidas de que as mudanças climáticas são reais e eu acho que nós ainda não temos ciência suficiente para entender nem qual é o impacto completo disso.”
“Se a gente conseguir fazer com que a sociedade compreenda essa mensagem e leve esse tema extremamente a sério e dê a atenção que esse tema merece, já é um grande resultado”, conclui Lucimar. A programação principal da II Semana do Clima da Amazônia ocorre até esta terça-feira, 30 de junho. Do dia 1º a 4 de julho, o debate segue com eventos autogestionados promovidos por mais de 60 organizações.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA