Conheça a história de como o 'Igarapé das Almas' virou a Doca, em Belém
Lendas da Cabanagem ajudaram a construir o imaginário em torno da Doca de Souza Franco, antigo “Igarapé das Almas”, um dos espaços mais emblemáticos da capital paraense
Conhecida hoje como um dos principais cartões-postais de Belém, a Doca, também carrega histórias envoltas em mistério e tradição oral. Antes da revitalização que transformou a área em polo turístico e cultural, o local onde passa a avenida Visconde de Souza Franco era cenário de lendas que atravessaram gerações e ajudaram a moldar o imaginário popular da capital paraense.
Entre essas narrativas, a mais conhecida é a do “Igarapé das Almas”, nome antigo atribuído ao local e diretamente ligado aos episódios da Cabanagem, uma das revoltas sociais mais marcantes da história do Pará.
Fantasmas na doca e as memórias da Cabanagem
A atual Doca de Souza Franco já foi chamada de “Igarapé das Armas” ou “Igarapé das Almas”, denominações associadas às lendas surgidas após os conflitos da Cabanagem, no século XIX. Segundo a tradição oral, espíritos de cabanos mortos durante a revolta vagavam pela área à procura das armas que teriam sido escondidas nas águas do igarapé.
“A lenda conta que as almas dos cabanos mortos vagavam por aquele local procurando as suas armas. É claro que essas questões de sobrenatural são apenas narrativas que se constroem na cidade para dar explicação a alguns fatos”, explica o historiador Márcio Neco.
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Essas histórias se espalharam de forma popular, principalmente entre moradores antigos, e passaram a fazer parte do folclore urbano de Belém.
Onde ficava o Igarapé das Almas?
De acordo com os relatos históricos e populares, o Igarapé das Almas ficava exatamente onde hoje está o canal da avenida Visconde de Souza Franco, o Parque Linear da Doca. Diversos contos ainda repetidos na cidade reforçam essa versão, mantendo viva a memória simbólica do lugar.
Os relatos afirmam que pessoas diziam ver “visagens”, figuras fantasmagóricas atribuídas aos cabanos, caminhando ou surgindo à noite, sempre associadas à busca pelas armas perdidas durante os confrontos.
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de oliberal.com)
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