Casal vence o câncer e badala o Sino da Vitória do "Oncológico Infantil", em Belém

Synndy e Rodrigo se conheceram, na adolescência, antes de descobrirem que tinham o mesmo tipo de câncer; e, agora, fazem planos após vencerem o Linfoma de Hodgkin

Dilson Pimentel, com informações da Ascom do Hoiol
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O casal Synndy Ferreira e Rodrigo Lima venceu o câncer e badalou o “Sino da Vitória” do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o número de novos casos de Linfoma de Hodgkin (o tipo de câncer que acometeu o casal) esperados para o Brasil para cada ano do triênio 2020-2022 seja de 1.590 casos em homens e de 1.050 em mulheres.

Entre os principais sinais e sintomas da doença estão: suores noturnos intensos, perda de apetite, fadiga, tosse e dificuldade para respirar. Os então adolescentes Synndy Ferreira e Rodrigo Lima se conheceram na escola. Eles cursavam o último ano do ensino médio quando a convivência diária transformou a amizade em um sentimento mais intenso.

Ainda no primeiro ano de relacionamento, em 2016, a jovem de 16 anos descobriu um câncer. Era Linfoma de Hodgkin. “Notei um nódulo no meu pescoço, pensei que não era nada, até que eu comecei a me sentir muito mal. Fiz a biópsia e o diagnóstico transformou o meu final de ano”, lembrou.

Synndy deixou o município de Capanema, nordeste paraense, e foi internada no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, para dar início ao tratamento. O que ela não esperava era que, durante uma visita do namorado, seria surpreendida com mais uma notícia difícil de assimilar.

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Rodrigo foi visitar Synndy e reclamou que não estava se sentindo bem

O Rodrigo veio me visitar e reclamou que não estava se sentindo bem. Aproveitamos e pedimos pra médica avaliá-lo, porque ele apresentava os mesmos sintomas que eu”, disse.

“No início de 2017, ele também foi internado e diagnosticado com câncer. Era o mesmo tipo do meu, só que em lugares diferentes. O dele era na perna e o meu no pescoço. Quando as pessoas viam a gente próximo, achavam que a gente tinha se conhecido no hospital. Mas a verdade era que éramos namorados antes de sermos colegas de internação”, completou.

A jovem contou ainda que a companhia de Rodrigo amenizava o impacto da alteração na rotina imposta pelo câncer. "Levávamos uma vida normal, vida de adolescente, mesmo. Estudávamos, fazíamos cursinho e, de repente, tivemos de parar tudo para dar início ao tratamento. Acho que essa foi a pior parte. Mas, como eu estava com ele, procurava esquecer de tudo e pensar no futuro. Foram poucas as vezes que a gente chorou por causa da doença em si”, afirmou.

Depois da alta hospitalar, casal passou a morar junto

A procura de motivos para sorrir junto ao namorado foi um alento. Depois que a alta da internação veio, o casal passou a morar junto. “Ficamos internados. E, depois da alta da internação, a gente morou junto aqui em Belém para fazer o tratamento. Cada um tinha o seu canto e quando ele me via triste, puxava conversa e tentava me alegrar, e vice-versa. E foi assim que seguimos com o tratamento. A gente até pediu pra começar a fazer as sessões de quimioterapia no mesmo dia para nos darmos força”, contou.

“Graças a Deus, o nosso tratamento foi muito rápido. Fizemos quimioterapia e, em menos de seis meses, iniciamos o acompanhamento médico periódico. Voltamos para Capanema e para a faculdade. Eu fazia língua inglesa e ele, história; ambos na Universidade Federal do Pará”, contou.

"A gente nasceu pra ficar junto", diz Synndy

“Trancamos no último período para nos dedicar ao concurso da polícia e conseguimos a aprovação. Eu brinco com ele dizendo que a gente nasceu pra ficar junto. Isso é coisa do destino, porque os nossos caminhos se cruzam sempre. Éramos colegas, viramos amigos e depois namoramos. Estudamos juntos, fomos aprovados juntos, e agora somos policiais”, afirmou Synndy.

A alegria da jovem é compartilhada com os colaboradores do Oncológico Infantil, que aplaudiram o desfile do casal pelos corredores do hospital. “Esse momento é tão especial para todos, que é até difícil de descrevê-lo. Lembro dos dois recebendo tratamento, fazendo o acompanhamento e era impressionante como eles se apoiavam. A história deles é incrível e, hoje, ao nos deparar com essa notícia, não tem como não transbordar de alegria”, afirmou a assistente do Escritório de Experiência do Paciente, Elizabeth Cabeça.

Reservado, Rodrigo deixa de lado a timidez para aconselhar quem segue enfrentando um câncer. “Sabemos que receber o diagnóstico é um momento bastante difícil. Mas mantenham a atenção no apoio da família, dos amigos e da equipe do hospital", afirmou.

"Tenha a clareza de que tudo é possível. A dor é passageira, mas a vitória é eterna. Então, tenha por perto aqueles que você ama e desfrute da companhia daqueles que te apoiam. Agora que vencemos, nossa meta é casar futuramente e ter filhos, já que superamos tantas coisas”, completou.

 

Belém
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