Câncer de mama: homens também são afetados, ainda que em menor escala; saiba os cuidados

A condição chamada ginecomastia, conhecida como a presença de glândulas mamárias, é fator de alerta para que homens procurem uma boa rotina de exames

Camila Azevedo

Um em cada cem casos de câncer de mama são diagnosticados em homens no Brasil. A estimativa, que corresponde a 1% dos registros totais, é do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em geral, não há necessidade de cuidados especiais, os mesmos adotados por mulheres, uma vez que a mama masculina é praticamente atrofiada e imperceptível. Porém, especialistas fazem um alerta para quem desenvolve a chamada ginecomastia, conhecida como a presença do tecido mamário no corpo masculino: ter rotina de exames é fundamental.

Qualquer alteração em uma mama atrofiada é fácil de ser detectada. Mas, a mesma situação não ocorre quando homens têm ginecomastia. Ilcioni Pereira, médico mastologista, explica que, nesses casos, o rastreio deve começar em uma idade definida. “Nos que têm mama desenvolvida, é preciso fazer mamografia a partir do autoexame. Geralmente, o homem, quando tem a mama, o que ele mais pretende é a cirurgia estética, a retirada dessa glândula mamária, mesmo sem tumor. Quem não faz a retirada por estética, precisa ter os mesmo cuidados que a mulher, a partir dos 40 anos”, afirma o especialista.

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O quadrante lateral é a área em que 70% dos casos ocorrem. Assim como em mulheres, o fator genético está envolvido no aparecimento de câncer de mama em homens. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que algumas mutações herdadas pelos pais, como as dos genes BRCA2, BRCA1 e CHEK2, aumentam o risco da doença, além do uso de anabolizantes, a obesidade e alcoolismo. “É muito raro, representa 1%. Claro que, quando o homem é portador de ginecomastia, que é a mama desenvolvida, essa apresentação estatística se torna mais evidente”, diz o doutor Ilcioni. 

A prevenção para os casos de câncer de mama em homens passa por uma vida saudável, que evita também diversas situações. “Os cuidados utilizados pela mulher devem ser os mesmos utilizados pelos homens. Uma vida regrada previne também outras doenças, como a hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias e infartos. Uma boa alimentação e atividades físicas regulares fazem parte. Agora, o que é importante é que o homem tem que ter mais cuidado a partir dos 35 anos com a próstata, local de doença que mais acomete a vida dele”, destaca o médico. 

image O quadrante lateral da mama é a área em que 70% dos casos de câncer aparecem (Camila Azevedo / O Liberal)

Nódulo na puberdade não é sinal de câncer

Durante as mudanças hormonais que acontecem em meninos, geralmente entre os 12 e os 15 anos, casos de aparecimento de um ‘broto mamário’ podem ser realidade. O mastologista ressalta que a situação não é motivo para pânico e pode facilmente ser revertida sem intervenção médica. “Normalmente, ele surge no garoto na fase escolar. É o momento em que ele geralmente sente, ao palpar, o nódulo. Os pais trazem para que a gente possa avaliar se é alguma coisa, mas é só o broto em virtude da confusão hormonal que acontece nesse período”, completa. 

O momento é de mudanças na voz, surgimento de pelos pubianos, axilares e faciais, junto com o aumento do pênis e testículos. “Passando essa fase de maturação do aparelho endócrino, esse broto regride. A permanência dele seria ação estrogênica, como o testículo passa a produzir hormônio masculino, principalmente a testosterona, ele combate a ação do estrogênio e o broto mamário que seria persistente, regride, atrofia, não aparece mais. Não há necessidade de intervenção médica. A gente precisa tranquilizar as famílias que aquilo vai desaparecer” finaliza Ilcioni.

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