Calçados inadequados aumentam risco de quedas entre idosos em Belém

Alterações nos pés com o envelhecimento exigem mais cuidado na escolha do calçado, especialmente na rotina urbana

Dilson Pimentel
fonte

Com o envelhecimento, ocorrem alterações naturais nos pés, como a perda de sensibilidade, a diminuição do equilíbrio e mudanças na forma de pisar. O uso de calçados inadequados pode aumentar significativamente o risco de quedas, consideradas uma das principais causas de internação e de perda de autonomia entre idosos. Em Belém, a aposentada Graça Costa, de 71 anos, disse que tem o cuidado de escolher o calçado certo no dia a dia. Segundo ela, o tênis oferece mais segurança. “O tênis favorece mais a gente. Se a pessoa tropeça ou bate, não fere os dedos. Já uma sandália ou um sapato aberto, com certeza, é mais perigoso. O tênis é mais seguro”, contou.

Graça afirmou que adapta o calçado de acordo com a atividade que vai realizar. “Se eu vou caminhar em Belém, eu uso tênis. Se for para outra coisa que não exija esforço, eu só troco de calçado quando vou para um baile. Eu gosto muito de dançar, aí já calço um sapato mais elegante, um sapatinho alto”, disse. Ela reforçou que procura usar o sapato adequado para cada situação.

Mesmo com os cuidados, a aposentada contou que já sofreu um acidente. “Já sim. Eu tropecei bem aí (na praça da República). Eu vinha para cá fazer fisioterapia. Tinha até um pessoal trabalhando aqui, cortando as mangueiras. Não foi buraco. Eu pisei em falso”, contou. Na ocasião, ela usava tênis. “Ou seja, mesmo com tênis, mesmo adotando cuidado, a gente tem que atravessar com atenção”, observou. Ao orientar outras pessoas, Graça destacou a importância da proteção. “Para as pessoas de idade, que nem eu, que se protejam, usem uma calça, um sapato mais leve, um sapato que dê condições de não se cair”, orientou.

VEJA MAIS:

image Quedas e acidentes domésticos levaram a mais de 1.200 internações de idosos no Pará em dois anos
Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) e revelam um cenário preocupante quando o assunto é a segurança da população idosa

image Saiba como adaptar ambientes e prevenir quedas de idosos dentro de casa
Geriatra e arquiteto dão dicas. Os especialistas apontam o banheiro e a cozinha são os cômodos mais perigosos para idosos e pessoas com mobilidade reduzida

image 4 dicas para prevenir quedas no fim de ano; idosos são as principais vítimas de acidentes em casa
Especialista alerta para os riscos de acidentes domésticos e sugere métodos para garantir um fim de ano tranquilo e seguro para a família

 

image João Batista dos Santos, de 67 anos, também afirmou se preocupar com o tipo de calçado para evitar acidentes: “Gosto de usar tênis" (Foto: Igor Mota | O Liberal)

 

 

João Batista, de 67 anos, prefere usar tênis

O ambulante João Batista dos Santos, de 67 anos, também afirmou se preocupar com o tipo de calçado para evitar acidentes. “Preocupo, para eu não cair na rua”, disse. Segundo ele, o cuidado começa ao sair de casa. “Eu saio, calço o sapato ou a chinela e venho com cuidado para não cair”, contou.

João afirmou que nunca sofreu acidente por causa de calçado inadequado justamente por tomar precauções. Ele disse que circular pelas ruas de Belém exige atenção redobrada. “Tem que ter mais cuidado, porque tem buraco”, contou. Por isso, ele evita calçados escorregadios. “Eu ando mais de chinelo ou de bota, porque tem proteção embaixo, principalmente quando chove. Mas uso mais tênis. Acho mais seguro”, explicou.

Já a agente administrativa Benita Bento, de 61 anos, afirmou que também se preocupa em escolher o sapato certo ao sair de casa. Segundo ela, a escolha envolve qualidade e conforto. “Eu vou sempre na loja que realmente tenha qualidade para eu poder comprar o sapato certo, adequado”, afirmou. Benita contou que caminha bastante e, por isso, prefere calçados confortáveis. “Eu gosto de usar tênis”, disse. Ela já escorregou na rua, mas não por causa do sapato. “Escorreguei justamente aqui nessa praça, numa casca de manga. Não prestei atenção, era de noite”, contou. Apesar da queda, ela não se machucou.

Para Benita, usar um calçado adequado é fundamental para andar com segurança, especialmente diante das condições das calçadas. “É importante, porque, em alguns locais, a calçada é um pouco irregular. Isso faz com que o cuidado aumente”, observou. Ela também comentou que evita caminhar em determinados pontos da praça por falta de condições adequadas, citando problemas como irregularidade do piso e a presença de moradores em situação de rua. A agente administrativa reforçou ainda a importância da prática de atividade física. “Isso é muito importante para a saúde, principalmente, e também para a estética”, afirmou.

Recomendação médica

De acordo com o ortopedista Jean Klay, os calçados para idosos devem ser bem estáveis, o que significa evitar saltos. A parte de trás do pé deve ter uma elevação de cerca de dois dedos em comparação com a parte da frente, como relata o médico. Essa elevação ajuda a relaxar a musculatura e o tendão posterior da perna. É fundamental, ainda segundo Klay que o calçado seja confortável, pois o conforto e a estabilidade juntos são essenciais para diminuir o risco de quedas.

“Os calçados que, muitas vezes, primam muito mais pela beleza do que pela funcionalidade são aqueles que mais preocupam. A grande preocupação é você calçados menos estáveis, com saltos finos, isso realmente aumenta muito o risco de desequilíbrio e, naturalmente, de quedas nesse paciente. Quando falamos em quedas, tratamos de um risco em que cerca de 30% desses episódios podem resultar em fratura. A principal preocupação são as fraturas, especialmente as de fêmur, que apresentam um índice elevado de mortalidade, em torno de 20%”, detalha o ortopedista.

Outra característica importante sobre os calçados para idosos, também segundo o ortopedista Jean Klay, diz respeito àqueles que apertam a região do dedão. Isso aumenta o risco de o paciente desenvolver o Hálux Valgo, popularmente conhecido como joanete. Desse modo, os calçados com a parte frontal mais estreita (câmara anterior), como os de bico fino, ou sandálias com tiras que jogam o primeiro dedo (hálux) em direção ao segundo, são calçados que predispõem a deformidade no pé, o que, por sua vez, gera um desequilíbrio no paciente, de acordo com o especialista.

“Além dos calçados, a primeira grande preocupação deve ser o tipo de terreno por onde o idoso circula. É preciso ter muito cuidado com terrenos irregulares, especialmente aquelas calçadas formadas por pequenos blocos, que muitas vezes têm peças faltando. Isso gera risco de desequilíbrio e queda. Como vivemos em uma cidade com chuvas frequentes, o piso escorregadio se torna um risco diário. As calçadas, por muito tempo construídas nesse modelo de blocos, ficam ainda mais escorregadias quando molhadas”, detalha o médico.

Outra medida importante para melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas é estimular cada vez mais os idosos a praticarem atividade física - especialmente aquelas que trabalham o fortalecimento muscular. “A musculação terapêutica, sem dúvida, é uma das medidas mais importantes para que se possa ter o equilíbrio. E dentro dessa linha de exercícios, o pilates ajuda bastante também. Os exercícios, de modo geral, funcionam como grandes medidas para minimizar o risco de quedas”, recomenda o médico.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM