Animais ganham festa junina com alimentos adaptados no Mangal das Garças, em Belém
Araras, guarás, jabutis e outras espécies participaram de atividades temáticas nesta sexta-feira (19)
As atividades de enriquecimento ambiental dos animais que vivem no Parque Zoobotânico Mangal das Garças tiveram um tema especial nesta sexta-feira (19). No embalo das Festas Juninas, araras, guarás, jabutis e outras espécies receberam alimentos em formatos variados – como bandeirinhas, fogueiras e quebra-pote. A ação promove estímulos cognitivos, sensoriais e comportamentais, que resultam em bem-estar e boa vivência.
O enriquecimento ambiental é essencial para a qualidade de vida dos animais. Cada atividade proposta é testada conforme a espécie, o comportamento e a condição em que eles se encontram naquele momento. Para casos específicos – recuperação de maus tratos e reinserção no ambiente, por exemplo -, a equipe prepara meios que garantam segurança ao animal e aos mediadores.
A bióloga Beatriz Tavares Pinheiro, responsável pela atividade junina, explica que, além dos cuidados diários e clínicos, o enriquecimento ambiental estimula o comportamento natural da espécie. “Sempre com objetos naturais, a gente usa sisal, folhas, plantas”, afirma. A ideia é evitar ao máximo o contato com o plástico e também contaminações.
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Para o planejamento das atividades, alguns fatores são levados em consideração, como idade, comportamentos indesejados, e também limitações físicas ou cognitivas. Além disso, o enriquecimento varia conforme a espécie. “Se eu tenho um papagaio, por exemplo, vou pensar qual é o hábito dele. Como ele está sempre em árvores, se alimentando de frutos e sementes, vou realizar atividades que se relacionam com o nicho ecológico que o animal realiza”, diz a bióloga.
As equipes são formadas por veterinários, biólogos e técnicos veterinários, que definem juntos as melhores atividades para cada animal. Depois do enriquecimento, é esperado que os animais descansem depois de brincar. “Eles param e vão descansar. Muitas vezes, ao olharmos um animal paradinho, é um bom sinal. Isso acontece porque ele já fez a atividade e está descansando”, explica.
Em casos de animais que brigam em excesso e até mesmo se automutilam, como aves que arrancam as penas, por exemplo, há uma preocupação. “Geralmente é porque o animal está estressado, então é preciso dar uma atenção redobrada. Alguns indivíduos precisam de enriquecimento todo dia, já os que vivem mais tranquilos, nós colocamos uma vez por semana ou a cada 15 dias”, destaca.
Atividades direcionadas por espécie
A programação iniciou com as araras, na "Barraca da Bicada" e "Pau de Sebo". O ambiente, habitado por duas araras-vermelhas, uma arara-azul e uma arara-canindé, teve decoração com bandeirinhas, frutas no tronco e "fogueiras" montadas com verduras.
Em seguida, as atividades seguiram para a área dos guarás, que participaram de uma pescaria. Os animais foram atraídos à bacia de peixes com ração, usada em 90% da rotina alimentar, e estimulados pela equipe a capturá-los com o bico, como de costume.
A terceira parada foi no viveiro provisório de aves, onde estão ararajubas, periquitos, bem-te-vis e demais espécies. Lá, os animais receberam um quebra-pote montado com caixa de papelão e folhas, além de pipocas estouradas em pipoqueira elétrica. O espaço definitivo deve ser entregue ainda em 2026.
Por fim, a ação encerrou no viveiro de jabutis; papagaios do mangue, moleiros e canteiros; jandaias e maracanãs. Nesse espaço, os moradores foram estimulados com "fogueiras" de verduras e pipocas estouradas sem óleo.
Aproximação do público
A “quermesse” dos animais encantou os visitantes que transitavam pelo Mangal das Garças, como é o caso do assistente financeiro Jefferson Rocha, de 30 anos. Morador de Balneário Camboriú (SC) e natural de Macapá (AP), ele esteve no Pará pela primeira vez e não perdeu a chance de acompanhar a programação.
“É um momento de me aproximar da natureza e ter um contato com os animais bem de pertinho. Estou muito encantado com o local, com os animais, a preservação, a forma como o município e a população cuidam de tudo e como a gente consegue ficar à vontade. É muito encantador”, elogia.
Jefferson destaca que ficou impressionado com as araras, que vivem em um ambiente livre, onde podem voar. “Elas ficam na sombra. Isso foi o que mais me encantou ali durante o passeio, a experiência também. Minha primeira vez está sendo maravilhosa”, complementa.
A técnica em enfermagem Simone Rocha, de 24 anos, veio de Santarém, no Oeste do Pará. “É a segunda vez que venho e voltei porque aqui é um ambiente muito agradável, as árvores, ter esse contato, porque na minha cidade não tem. Então, é muito lindo”, diz.
Para a técnica em enfermagem, o momento de desenvolvimento é importante não só para os visitantes, mas também para os animais, que estão em contato com a natureza e sendo bem cuidados. “Para quem vem é muito importante, principalmente para quem gosta bastante de animais como assim como eu”, avalia Simone, que gostou de conhecer os recintos das araras, garças e borboletas.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
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