Passageira de motocicleta atropelada na Augusto Montenegro foi xingada por torcedores
A árbitra de futebol e educadora física Renata Fitel relatou em depoimento que após ser atropelada foi alvo de agressões verbais
A sobrevivente do atropelamento que deixou quatro mortos na avenida Augusto Montenegro, em Belém, afirmou em depoimento à Polícia Civil que sofreu agressões verbais de torcedores após ter sido atropelada na madrugada do dia 29 de maio. A árbitra de futebol e educadora física Renata Fitel foi uma das sete pessoas atingidas pelo carro conduzido por Pablo Henrique Farias da Silva.
Renata e o motorista de aplicativo que conduzia a motocicleta prestaram depoimentos nesta quarta-feira (10) na Divisão de Homicídios da Polícia Civil. Os dois depoimentos devem ser remetidos no Processo Judicial eletrônico (PJe) como extra-inquérito. Renata e o motociclista sobreviveram ao atropelamento ocorrido no quilômetro 7 da avenida, durante confusão entre torcidas organizadas de Remo e Paysandu, após uma partida de futebol.
Em entrevista à TV Liberal, Renata informou que seguia para casa depois do jogo em um clube quando encontrou o confronto no meio do caminho. “Quando chegamos ali nesse meado da Augusto Montenegro, em frente ao Sevilha, já nos deparamos com esse confronto”, relatou.
No meio da confusão, o carro de Pablo avançou contra o grupo e atingiu a motocicleta em que Renata estava. Após ser atingida, Renata caiu em uma grande vala na avenida, e passou a ser insultada por integrantes de uma torcida organizada que a abordaram acreditando que ela fazia parte do grupo rival. “Eles estavam armados com as coisas lá do confronto, e me xingaram porque, a princípio, acharam que eu era da torcida rival”, afirmou.
Renata acredita ter sobrevivido sem ferimentos ainda mais graves porque estava com capacete. Ela ficou 10 dias internada, passou por duas cirurgias e ainda não tem previsão de alta. A educadora física sofreu um ferimento profundo no joelho, que infeccionou após o acidente, e segue com dificuldades para andar. O motorista de aplicativo também se recupera de uma fratura no calcanhar e ainda usa bota ortopédica.
O motorista Pablo Henrique Farias da Silva, investigado pelo atropelamento, continua preso. O carro dirigido por ele – integrante de uma torcida organizada do Paysandu – atingiu sete pessoas. A maioria estavam em motocicletas, algumas das vítimas eram membros de uma torcida organizada do Remo.
No total, quatro pessoas morreram: Jhonata Mateus Maciel Chaves, Davi Souza Conceição, Helder Martins Santos e Luan Garcia Batista.
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