CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X
logo jornal amazonia

Desabamento no Palafita: oito testemunhas prestam depoimento à Polícia Civil; família pede justiça

A família da adolescente de 15 anos afirma que ainda não recebeu nenhum tipo de apoio por parte dos responsáveis pelo estabelecimento

O Liberal
fonte

Oito pessoas que estavam na festa de aniversário de 15 anos no momento em que o piso de madeira cedeu em uma casa de festas no bairro da Cidade Velha, em Belém, prestaram depoimento à Polícia Civil na noite desta segunda-feira (6). O acidente ocorreu na madrugada de domingo (5).

No mesmo dia, à noite, familiares e amigos realizaram uma celebração simbólica na residência da aniversariante, no bairro do Jurunas, em homenagem aos seus 15 anos. Já na manhã desta segunda-feira (6), a família fez um protesto pedindo justiça e a responsabilização dos envolvidos.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas. Algumas vítimas, que sofreram fraturas e outros ferimentos, permanecem internadas, inclusive em estado grave. A família da adolescente afirma que não recebeu qualquer tipo de apoio por parte da administração da casa de festas e alega que o proprietário deixou o local logo após o desabamento.

VEJA MAIS

image Piso desaba durante festa de 15 anos na Cidade Velha, em Belém: 'Muita gente caiu'
Acidente em casa de festas de Belém mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Convidados ficaram feridos e viveram momentos de pânico

Os depoimentos foram prestados na Delegacia do Consumidor, que funciona na Divisão de Investigação e Operações Especiais (Dioe), no bairro do Umarizal. O caso, no entanto, será encaminhado para a Seccional do Comércio, responsável pela continuidade das investigações.

A festa representava a realização de um sonho da família. Durante cerca de dois anos, os parentes economizaram para arrecadar aproximadamente R$ 40 mil destinados à comemoração. Apenas o aluguel do espaço custou R$ 4 mil.

Segundo a família, a casa de festas possui capacidade para até 640 pessoas. Foram convidados cerca de 300 convidados e, no momento do acidente, havia 233 pessoas no local, inclusive crianças.

“Cena horrível”, diz mãe de adolescente

Em entrevista à reportagem do Grupo Liberal, a mãe da aniversariante, Paula Negrão, contou que a família ainda tenta superar o trauma causado pelo acidente. “A gente ainda está muito abalado. Acho que ninguém estaria preparado para passar por uma situação dessas. Foi uma coisa que acabou com a gente, com um sonho de dois anos. Psicologicamente, a gente está destruído. No momento, só o que vem à minha cabeça é aquela cena horrível. Isso eu não desejo para ninguém”, desabafou.

Ela afirmou que a filha de 15 anos também permanece profundamente abalada. “Ela tenta me passar força, mas eu sei como ela está. Ela fala para mim o tempo todo: 'Mãe, eu só consigo lembrar daquela cena'. Algumas pessoas até sugeriram fazer uma outra festa para ela, mas ela ainda não está preparada”, falou.

Paula revelou ainda que alguns convidados perceberam sinais de que algo estava errado momentos antes do desabamento. “Eu não escutei, mas alguns convidados disseram que ouviram três estalos. No terceiro, a estrutura desabou. Alguns convidados já relataram isso para a gente. Inclusive, o fotógrafo chegou até mim e disse: 'Mãezinha, está acontecendo uns estalos ali'. Mas jamais eu iria acreditar que poderia acontecer uma coisa dessas”, lamentou.

Além do trauma emocional, familiares e amigos também ficaram feridos. “Minha sobrinha ficou ferida. Tenho uma tia que vai prestar depoimento agora. O pai da minha prima também se machucou bastante, teve fratura e sofreu ferimentos na cabeça e no rosto. Além disso, uma vizinha nossa continua internada em estado delicado no Hospital Metropolitano. Ao todo, cerca de 20 pessoas ficaram muito machucadas. Na vila onde a gente mora, há muitas pessoas com fraturas”, relatou.

Dono do estabelecimento teria fugido, afirma família

A mãe da adolescente também afirmou que nenhuma assistência foi prestada pelos responsáveis pela casa de festas após o acidente. “O dono do estabelecimento, o seu Marcos, estava a todo momento com a gente na festa. Mas, quando aconteceu o ocorrido, ele fugiu. Desde então, não tivemos nenhum tipo de auxílio, nenhuma assistência por parte dele ou de qualquer representante da casa. Eu garanto que nenhum deles prestou qualquer tipo de ajuda ou assistência”, disse.

Segundo Paula, o socorro foi prestado exclusivamente por equipes de emergência. “Quem realmente nos ajudou foram o Corpo de Bombeiros e as equipes das ambulâncias. As pessoas estavam correndo desesperadas. Inclusive, a funcionária que estava na portaria, controlando a entrada dos convidados, foi quem correu até a Casa das Onze Janelas para pedir que chamassem os bombeiros”, relatou a mãe da adolescente.

Ela também relembrou o planejamento para realizar a festa. “Nós planejamos essa festa durante dois anos. Eu, meu marido e a minha mãe procuramos vários locais até encontrar um espaço que consideramos adequado. Visitamos três lugares e escolhemos aquele porque achamos bonito e confortável para receber cerca de 300 convidados. Fechamos o contrato com o proprietário e pagamos R$ 4 mil pela locação do espaço, para utilização das 21h às 5h da manhã. Infelizmente, tudo terminou dessa forma”, declarou.

“Graças a Deus, não houve nenhum óbito. Ainda temos uma vizinha internada no Hospital Metropolitano, em estado delicado, mas acredito que ela vai se recuperar. As demais vítimas sofreram principalmente fraturas e outros ferimentos”, acrescentou.

Responsabilização dos envolvidos

A família já constituiu um advogado para acompanhar o caso e afirma que buscará a responsabilização dos envolvidos. “Agora tudo está sendo conduzido pelo meu advogado. Hoje ele explicou que vai adotar todas as providências nas esferas cível e penal. A partir de agora, serão iniciadas as medidas judiciais cabíveis e todo o processo seguirá os trâmites legais”, afirmou.

A professora Ana Lúcia da Silva, de 37 anos, prima de Paula Negrão e cerimonialista da festa, também prestou depoimento e relembrou os momentos que antecederam o desabamento. Segundo ela, a cerimônia havia acabado de começar quando a estrutura cedeu, por volta da meia-noite e “foi tudo muito rápido”. “Eu era a cerimonialista da festa. Estava orientando as pessoas para que viessem devagar e permanecessem da mesa para trás, porque precisaríamos daquele espaço para a entrada da aniversariante e para as danças com os pais. Quando comecei a falar, entrou a mãe, depois o pai e o irmão. Quando a aniversariante entrou e se posicionou, de repente o piso cedeu. Quando olhamos, já estava tudo no chão. As pessoas gritavam e estavam desesperadas”, detalhou.

image A professora Ana Lúcia da Silva, de 37 anos, prima de Paula Negrão e cerimonialista da festa, também prestou depoimento e relembrou os momentos que antecederam o desabamento. (Cristino Martins | O Liberal)

Ela contou que a pista de dança de vidro não chegou a desabar completamente, o que evitou uma tragédia ainda maior. “A pista de dança era de vidro. Graças a Deus, ela apenas cedeu um pouco. Se aquela estrutura tivesse desabado, a tragédia teria sido muito maior. Poderíamos ter perdido toda a família”, lamentou.

Ana Lúcia descreveu os primeiros minutos após o acidente como momentos de absoluto desespero. “Ficamos em estado de choque, sem saber o que fazer. As vítimas começaram a sair sangrando. Havia muitas pessoas gritando, com os pés cortados e ferimentos na cabeça. Foi como viver um filme de terror”, contou, ao afirmar também que o pai dela ficou ferido durante o desabamento. “Meu pai sofreu um corte na cabeça e levou três pontos. Ele sangrou muito pelo nariz porque caiu, desmaiou e ficou desacordado. Depois foi retirado pelas pessoas que estavam ajudando, entre elas meu marido e meu irmão”, contou.

Segundo Ana Lúcia, ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jurunas, onde passou por tomografia, raio-X e recebeu atendimento médico. “Graças a Deus, meu pai está se recuperando. Ainda sente dores nas costas e na cabeça, mas está melhor”, garantiu.

A professora também afirmou que, segundo ela, os responsáveis pela casa de festas não prestaram qualquer auxílio às vítimas. “Ninguém do estabelecimento apareceu para nos ajudar ou dar qualquer suporte. Fomos nós mesmos, com a ajuda de Deus em primeiro lugar, que nos apoiamos naquele momento tão difícil. Pessoas que trabalhavam com transporte por aplicativo e estavam levando convidados para a festa também nos ajudaram, assim como as equipes das ambulâncias”, reforçou.

Falta de vistoria

Ao comentar sobre a estrutura do imóvel, Ana Lúcia ressaltou que a avaliação é baseada no que ela observou após o acidente. “Eles afirmavam que estava tudo certo, que havia vistoria. Mas, pelo que vimos depois do acidente, parecia que isso nunca havia sido feito. A estrutura era composta apenas por pedaços de madeira apoiados, sem uma base de concreto que garantisse maior segurança”, observou.

Ela afirmou que a família espera que os responsáveis respondam pelos danos causados. “Esperamos responsabilidade para reconhecer os erros e reparar os danos. As sequelas físicas e psicológicas das vítimas permanecerão. Isso ninguém conseguirá reparar. Mas Deus fará justiça, e a Justiça dos homens também precisa ser feita”, pediu.

Ana Lúcia também afirmou que, segundo ela, o responsável pelo estabelecimento estava próximo ao local quando ocorreu o desabamento, mas não prestou assistência. “Naquele momento da tragédia, ele poderia muito bem ter ido até nós, prestado apoio, dito que chamaria socorro ou que tomaria alguma providência. Ele estava a poucos metros de onde tudo aconteceu, acompanhando a movimentação. No entanto, em nenhum momento apareceu para nos ajudar. Simplesmente desapareceu, e dependemos apenas das pessoas que estavam ali para nos socorrer”, denunciou.

Ela afirmou ainda que, até a manhã seguinte ao acidente, a família não havia recebido qualquer contato da administração da casa de festas. “Nem na manhã seguinte houve qualquer contato ou demonstração de apoio. Apenas disseram que o advogado falaria sobre o assunto. Quando uma pessoa não reconhece o próprio erro, ela não procura as vítimas. Por isso, esperamos justiça, primeiro a de Deus e também a Justiça dos homens”, concluiu.

Posicionamento

O Restaurante Palafita divulgou uma nota oficial na qual confirma que o acidente ocorreu durante um evento realizado no estabelecimento na noite de sábado (4). A manifestação diverge do relato da família, que afirma não ter recebido qualquer tipo de assistência por parte da administração da casa de festas após o desabamento.

Na nota, o estabelecimento informa que sua prioridade foi prestar auxílio às vítimas e garantir o atendimento necessário. A direção também lamenta o ocorrido, manifesta solidariedade às vítimas e seus familiares e afirma que está apurando cuidadosamente as circunstâncias do acidente, colaborando com as autoridades competentes e adotando as medidas de segurança determinadas pela Defesa Civil.

Por fim, o Restaurante Palafita informa que permanece à disposição para prestar esclarecimentos.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Polícia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM POLÍCIA

MAIS LIDAS EM POLÍCIA