Uma parte de um prédio histórico desabou na manhã desta segunda-feira (6), na rua 13 de Maio, entre as travessas Padre Eutíquio e 7 de Setembro, no bairro da Campina, em Belém. Segundo as informações iniciais, não houve registro de vítimas. O Corpo de Bombeiros foi acionado e permanece no local realizando o atendimento da ocorrência e avaliando as condições da área afetada.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender a ocorrência. De acordo com a PM, entre quatro e cinco quarteirões foram isolados como medida de segurança, e todas as lojas localizadas na área permanecem fechadas.
Ainda segundo a corporação, o CBM aguarda a chegada de um engenheiro que será responsável por avaliar as condições estruturais do imóvel e verificar se há risco de novos desabamentos.
Segundo as informações iniciais, o prédio tinha três pavimentos. No primeiro funcionam lojas de variedades, onde eram vendidas roupas e maquiagens. No segundo e terceiro andar funcionavam depósitos, onde eram guardados itens das lojas do primeiro piso.
.jpeg?$p=ec99bb0)
Até que a inspeção técnica seja concluída, comerciantes e demais pessoas estão impedidos de acessar a área isolada. A liberação do perímetro dependerá do parecer do engenheiro sobre a segurança do prédio.
A Redação Integrada de O Liberal continua acompanhando a ocorrência e apura as circunstâncias do desabamento, as causas do incidente e as providências que serão adotadas pelos órgãos responsáveis.
Em nota, a Equatorial Pará comunicou ainda que não houve danos à rede de distribuição de energia elétrica na Travessa 13 de Maio, no centro comercial de Belém, após o desabamento de parte da estrutura de um prédio, ocorrido na manhã desta segunda-feira (6).
“Por questões de segurança, a empresa mantém equipes técnicas no local. A distribuidora permanece à disposição dos clientes por meio de seus canais oficiais de atendimento: assistente virtual Clara, via WhatsApp, pelo número (91) 3217-8200; aplicativo Equatorial Energia; e Central de Atendimento, no telefone 0800 091 0196”, informou.
Desabamento
A falta de manutenção preventiva e a sobrecarga de mercadorias podem ter provocado o desabamento da fachada do prédio histórico. A avaliação preliminar foi realizada pelo arquiteto da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), Jorge Martins Pina, que esteve no local da ocorrência.
Segundo o arquiteto, imóveis históricos exigem cuidados constantes para preservar a estrutura. “Esses prédios têm mais de 200 anos e necessitam de manutenção preventiva constante. O que, ao que tudo indica, não estava acontecendo”, afirmou.
Ao chegar ao local, Pina observou indícios de comprometimento na cobertura do imóvel. De acordo com ele, uma calha próxima à esquina estava tombada, o que pode ter favorecido infiltrações. A umidade, explicou, teria enfraquecido as paredes da edificação.
Além disso, o arquiteto apontou que os pavimentos superiores estavam sendo utilizados para armazenar uma quantidade de mercadorias incompatível com a capacidade estrutural do prédio. “No segundo e terceiro pavimentos havia uma sobrecarga de materiais muito acima do que essa estrutura suporta. É uma construção antiga, feita com barrotes e soalho de madeira, sem lajes ou vigas de concreto”, explicou Jorge Martins Pina.
Na avaliação dele, a infiltração somada ao excesso de peso provocou o colapso estrutural. “O problema da cobertura enfraqueceu as paredes e a sobrecarga fez com que ocorresse o desabamento dos barrotes junto com parte da fachada”, disse o arquiteto. Ele ressaltou, porém, que as causas serão confirmadas por laudos técnicos que serão elaborados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil.
Manutenção e fiscalização
Questionado se uma manutenção preventiva poderia ter evitado o desabamento, mesmo com a grande quantidade de mercadorias armazenadas no imóvel, Pina afirmou que o risco permaneceria. Segundo ele, por se tratar de uma edificação histórica, a estrutura não foi projetada para suportar cargas elevadas. “Mesmo com manutenção, ainda existiria esse risco diante da quantidade de mercadorias que estava armazenada no prédio”, afirmou.
Sobre relatos de que funcionários de uma loja vizinha teriam alertado o proprietário, há cerca de um ano, sobre o risco de desabamento, o arquiteto informou que a Secult não recebeu qualquer comunicação oficial. Segundo ele, caso a secretaria tivesse sido acionada, poderia ter prestado orientação técnica para a preservação do imóvel.
Pina explicou ainda que a Secult mantém uma equipe especializada para prestar assessoria a proprietários e inquilinos de imóveis históricos. De acordo com ele, o atendimento é realizado sempre que solicitado e inclui orientações sobre conservação e restauração. O arquiteto acrescentou que muitos proprietários recorrem ao serviço para obter benefícios previstos na legislação, como desconto no IPTU destinado a imóveis de valor histórico.
