Defesa pede liberdade provisória de suspeito por morte de quebradeiras de coco no Pará
Advogados afirmam ter imagens e depoimentos que afastariam participação de Danilo Carneiro da Silva no crime ocorrido em Novo Repartimento
A defesa de Danilo Carneiro da Silva, suspeito de envolvimento no assassinato das quebradeiras de coco babaçu Marly Viana Barroso, de 71 anos, e Antônia Ferreira dos Santos, de 53, entrou com pedido de liberdade provisória na Justiça, alegando a existência de imagens e depoimentos que, segundo os advogados, afastam a participação dele no crime.
Os advogados Cândido Júnior e Wanderson Araújo, segundo o site Correio de Carajás, afirmam ter reunido provas visuais e testemunhais que reconstituem os últimos passos de Danilo no dia em que as vítimas foram encontradas mortas em uma área rural do município de Novo Repartimento, no sudeste do Pará, a cerca de quatro quilômetros da sede da cidade.
De acordo com a defesa, imagens anexadas ao pedido apontam divergências entre a aparência de Danilo e a do homem apresentado pela polícia como suspeito. Em uma fotografia registrada no dia anterior ao crime, ele aparece sem barba, enquanto nas imagens divulgadas pelas autoridades o suspeito aparece com barba no dia do homicídio. Outro ponto levantado é o uso de um relógio pelo homem identificado pela polícia, acessório que, segundo os advogados, Danilo nunca utilizou.
A defesa também sustenta que a confissão atribuída a Danilo ocorreu quando ele ainda não estava acompanhado por um advogado. Os representantes alegam ainda que o investigado possui distúrbios mentais, o que comprometeria a veracidade do relato. Durante a audiência de custódia, por exemplo, ele teria afirmado ter um irmão gêmeo, informação que não corresponde à realidade.
Segundo os advogados, pelo menos três registros de câmeras de segurança foram anexados ao pedido. Em um deles, Danilo apareceria como passageiro em uma motocicleta na estrada que dá acesso ao município de Marabá, no período da manhã, enquanto o crime teria ocorrido em uma região oposta. Além disso, testemunhas afirmam que ele estaria participando de uma comemoração de aniversário no horário aproximado dos assassinatos.
Com base nesses elementos, a defesa pede a revogação da prisão preventiva, argumentando que as provas reunidas afastam a autoria do duplo homicídio. O Ministério Público do Estado do Pará, por meio da Promotoria de Justiça de Novo Repartimento, manifestou-se contra o pedido de liberdade provisória. O caso agora aguarda decisão da juíza responsável pela comarca. Danilo está preso desde 11 de novembro de 2025.
Entenda o caso
O crime ocorreu em 3 de novembro, quando Marly Viana Barroso e Antônia Ferreira dos Santos saíram para quebrar coco babaçu em uma área rural de Novo Repartimento. As duas foram encontradas mortas por familiares por volta das 21h, no local onde trabalhavam na extração das amêndoas. Os corpos apresentavam ferimentos provocados por arma branca.
Danilo Carneiro da Silva foi preso oito dias após o crime e, por questões de segurança, transferido para o município de Tucuruí. O duplo homicídio gerou forte comoção entre os moradores da cidade, que passaram a cobrar justiça e esclarecimentos sobre o caso.
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