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Coletivo de artistas inicia construção do memorial 'Geordana, presente!', em homenagem à jovem morta

Viela que liga as travessas WE-82 e WE-83, em Ananindeua, onde o crime foi cometido, está sendo reconstruída com intervenções artísticas e nova calçada, piso e até canteiros de flores

João Paulo Jussara

"Hoje eu estou sendo resgatado do fundo do poço". A frase de Guilherme Farias, pai da jovem Geordana Farias, de 20 anos, vítima de feminicídio no primeiro dia deste mês, em Ananindeua, reflete a gratidão pela homenagem que a filha recebeu na manhã deste domingo (19). Um coletivo formado por dezenas de artistas mulheres e LGBTQIA+ deu início à segunda etapa de construção do memorial "Geordana, presente!", com intervenções artísticas nos muros da viela que liga as travessas WE-82 e WE-83, no bairro da Cidade Nova, local onde a tragédia aconteceu. O projeto será concluído nas próximas semanas e a inauguração oficial será no dia 3 de outubro.

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A ideia de construir um memorial em homenagem à modelo nasceu do próprio Guilherme, alguns dias depois do assassinato da filha. Ele contou que ia diariamente ao local onde o crime foi cometido, que fica perto de sua residência, para chorar. "Já fui resgatado daqui várias vezes, as pessoas passavam e eu tava abaixado ali, chorando", relembra. Para amenizar a dor, ele teve a ideia, inicialmente, de colocar uma fotografia de Geordana na parede que fica bem em frente de onde ela perdeu a vida.

Ele comentou a ideia com uma prima, que já conhecia a artista plástica Mama Quilla e fez a ponte entre os dois. Ela entrou em contato com Guilherme, e a partir daí surgiu a inspiração para construir um memorial em homenagem à Geordana que ocupasse não só aquele muro, mas toda a viela, que antes era muito escura, sem vida e subutilizada pelos moradores. Eles criaram um grupo que começou com três artistas e hoje já conta com mais de 30 pessoas, a maioria mulheres e/ou integrantes do movimento LGBTQIA+.

"Ressignificar o espaço através da arte"

"O objetivo é ressignificar esse espaço através da arte com cores, trazendo também a memória da Geordana, essa alegria que ela transmitia nas passarelas. Aí nós decidimos que cada uma dessas artistas vai fazer uma releitura, seja da Geordana ou de mulheres importantes para a nossa história", explicou a artista plástica Mama Quilla. "São vários trabalhos autorais falando sobre a luta da mulher, sobre as conquistas e também sobre feminicídio".

Entre as intervenções artísticas estão frases pedindo por justiça, imagens pedindo paz e respeito aos direitos humanos, além de vários desenhos e pinturas que simbolizam a vida da jovem modelo. Uma delas traz a imagem de Geordana vestida com um turbante verde e com asas de anjo, com as pontas flamejantes, representando o renascer de uma fênix. "Ela é um anjo que está no céu, mas a fênix está sempre renascendo dentro de nós, e foi isso que eu quis trazer", detalhou a artista Dannoelly Cardoso.

A primeira etapa do projeto foi a pintura dos muros da viela de branco, feita na semana passada. A segunda etapa foi a intervenção artística nas paredes, trazendo uma nova vida e cor ao ambiente, sempre destacando a presença de Geordana e sua vontade de viver. Já a terceira e última etapa será feita nas próximas duas semanas, onde o mato e os buracos da viela darão lugar a uma calçada, um novo piso, e canteiros de flores, marcando a reconstrução total daquele espaço. O memorial "Geordana, presente!" será oficialmente inaugurado na manhã do dia 3 de outubro, um domingo.

Um novo horizonte

Para Guilherme Farias, a construção do memorial significa um novo horizonte em sua vida, uma forma de se expressar. Ele conta que não tem sido fácil lidar com o luto e a falta da filha dentro de casa. "Eu tenho os meus momentos, só que eu estou trabalhando muito isso na minha cabeça, para não desenvolver nenhum tipo de problema, porque eu tenho que estar aqui, firme e forte pra lutar por justiça", conta. "É muito difícil quando chega a hora que eu ia buscar ela na parada, a hora que eu acordava ela. Eu sempre estive com ela nos eventos, em tudo que ela fazia. Quando tiver outro desfile, vai ser muito complicado pra mim".

Além do memorial, os filhos também ajudam a lidar com a saudade. Geordana tinha três irmãos: Fernando, de 13 anos, Ívina, de 16, e Geovana, a caçula, de nove anos. Todos ainda estão aprendendo a lidar com a ausência da irmã. É como se a "ficha" ainda não tivesse caído. "Mas isso aqui é um legado que a Geordana deixa. Uma pessoa sempre muito educada, solícita, que servia de inspiração para muitas garotas pelo trabalho que fazia e por quem era. Minha filha está fazendo uma falta que ninguém tem noção", diz o pai, emocionado. "Hoje, o que resta é a saudade. Muita saudade".

Polícia
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