Casos de afogamento reacendem alerta sobre segurança em piscinas e importância da natação infantil
Em Belém, professora de Educação Física Ana Teresa colocou a filha para fazer natação desde os 6 meses de idade
A preocupação com a segurança em piscinas ganhou destaque em diversos sites de notícias nos últimos dias, impulsionada por casos recentes de afogamento e pela discussão sobre medidas de prevenção. Especialistas e famílias reforçam que a natação infantil é uma das principais estratégias para reduzir riscos, sobretudo entre crianças pequenas. Em Belém, a professora de Educação Física Ana Teresa Palha, de 26 anos, contou que a filha, Maria Fernanda, de dois anos, começou a praticar natação aos seis meses de idade.
A decisão foi tomada como prioridade, não apenas como atividade física, mas principalmente como medida de segurança. “Sempre tivemos acesso a piscinas, inclusive em casa de praia. Então a natação sempre foi uma preocupação em relação à segurança dela”, contou. Atualmente, Maria Fernanda faz aulas uma vez por semana, mas Ana Teresa pretende aumentar essa frequência. A professora destacou que a criança já incorporou a natação à rotina e demonstra empolgação nos dias de aula. “É algo prazeroso para ela e nos deixa muito mais tranquilos, sabendo que ela está aprendendo a se relacionar com a água”, afirmou.
As aulas, com duração de 30 minutos, são ministradas por uma professora especializada em natação infantil, no formato de personal kids, e Ana Teresa acompanha de perto a atividade. “Confio plenamente na professora. Mas eu sempre fico observando, porque ela (a filha) está nessa fase de apego a mim. E, quando saio de perto, ela chora”, disse. Em situações fora da rotina, como festas infantis com piscina, os cuidados são redobrados. A criança utiliza boia e nunca fica sozinha. “Ou eu fico ao lado, ou entro com ela na piscina. Mas é justamente para isso a natação: pra ela conseguir ficar sozinha, ser independente na água e eu fico despreocupada exatamente quando tiver esses momentos em que tiver piscina e muitas crianças e não tiver uma supervisão só para ela”, contou.
Até hoje, segundo a mãe, a família nunca passou por situações de risco, graças à atenção constante e à rede de apoio formada por pais e avós. “Sempre tem alguém ali perto”, observou. Além da segurança, Ana Teresa observou benefícios no dia a dia da filha, como melhora no sono e no apetite. “Ela gasta muita energia com a natação. Melhora muito a qualidade de sono dela. E a alimentação. Ela sai morrendo de fome da piscina. Ela almoça bem, descansa bem, dorme. Melhorou demais a nossa rotina”, disse. Para outras mães, o conselho de Ana Tereza é direto: “Mamães, vale a pena o investimento. Além de ser muito bom para as crianças, a gente fica muito tranquilo em saber que elas vão ter essa independência aquática e vão estar seguras e não vamos ficar o tempo todo com esse receio de, Deus o livre, alguma coisa acontecer”.
VEJA MAIS:
O foco é garantir segurança aquática, diz personal kids
A profissional de Educação Física Daphene Araújo, de 25 anos, que atua como personal kids na área de natação, reforçou que o contato com a água pode começar cedo. Segundo ela, a natação é indicada a partir dos seis meses, enquanto o estímulo aquático pode ser feito desde o nascimento. “O foco principal não é ensinar a nadar, mas garantir segurança aquática. O afogamento de crianças é uma das taxas mais altas que temos no Brasil”, alerta. “A criança estimulada desde cedo aprende a ter não só mais segurança dentro da piscina, mas se sente mais à vontade e tem uma relação de confiança com a água”, afirmou ela, cuja sobrinha, Alessia,de 3 anos, também faz natação.
Ainda segundo Daphene, bebês menores de um ano costumam praticar natação uma vez por semana, com aulas de cerca de 30 minutos, respeitando orientações médicas e as condições das piscinas, muitas vezes não aquecidas. A partir de um ano ou um ano e meio, a recomendação pode subir para duas vezes por semana, com foco em deslocamento, reconhecimento de bordas e pedido de ajuda em caso de queda na piscina.
Durante as aulas, um dos principais ensinamentos é que a criança só deve entrar na água acompanhada por um adulto de referência, como pais ou avós. A profissional também orientou os responsáveis sobre o uso adequado de roupas de banho. “Muitos pais, às vezes, compram a roupa pela beleza, pelo desenho. E isso acaba dificultando um salvamento, por exemplo”, disse.
“Em piscinas, a gente sempre buscar usar neon, rosa, vermelho, nunca azul, verde”, orientou. “Em praia, a gente faz o oposto: por conta das águas escuras, a gente precisa de mais luz, caso eles afundem ou afoguem”, explicou. Mesmo com aulas regulares de natação, Daphene reforçou que a supervisão constante de um adulto é indispensável. “Sempre um adulto e a gente indica a boia”, afirmou.
INFO:
Em dezembro de 2024, uma menina de 11 anos morreu após se afogar em uma piscina, em Campinas (SP), depois que o cabelo ficou preso no ralo. Anna Clara Soares de Britto passava as férias na casa dos avós. Imagens de câmeras de segurança registraram a criança na piscina com uma amiga. Durante uma brincadeira, Anna Clara colocou as pernas para fora da água e, em seguida, mergulhou.
O que ocorreu em seguida não foi percebido imediatamente nem pela amiga, nem pelos adultos que estavam na residência. A menina ainda tentou se movimentar para se soltar, mas acabou perdendo as forças. Anna Clara permaneceu submersa por cerca de 15 minutos, até que a amiga notou que algo estava errado e percebeu o afogamento.
O prefeito de Campinas (SP) sancionou, no Diário Oficial do dia 13 de janeiro deste ano de 2026, a Lei nº 16.866/2026, conhecida como Lei Manuela, que estabelece novas regras para aumentar a segurança em piscinas coletivas no município. A legislação proíbe o funcionamento de motores de sucção durante o uso das piscinas e tem como objetivo prevenir acidentes relacionados a esses sistemas.
A lei leva o nome de Manuela Cotrin Carósio, que tinha 9 anos quando sofreu um acidente em uma piscina de um resort de luxo da cidade, onde estava hospedada com os pais e a irmã mais velha. O cabelo da criança ficou preso em um dispositivo de sucção. O acidente ocorreu em 23 de novembro de 2024. Manuela chegou a ser socorrida com vida, mas morreu após 11 dias de internação, no mesmo dia em que completaria 10 anos.
Como cuidar das crianças adequadamente na piscina:
- Supervisione a criança de forma ativa e constante.
- Lembre-se de que o afogamento infantil é rápido e silencioso.
- Redobre a atenção com crianças que não sabem nadar.
- Utilize apenas boias e coletes infantis homologados.
- Mantenha o piso ao redor da piscina seco e antiderrapante.
- Garanta que a piscina esteja sempre cercada e com acesso restrito.
- Evite correria, empurrões e brincadeiras de risco na área da piscina.
- Em emergências, reconheça o risco, retire a criança, verifique sinais vitais e acione o 193 ou 192.
Fonte: Tenente Alencar (CBMPA)
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA