Bebê decapitado em parto na Santa Casa morreu por asfixia, aponta laudo

Advogado da família, Ramon Martins explica que criança morreu por conta de manobras para retirada, quando a cesárea seria o procedimento mais indicado

Ana Carolina Matos

O bebê que teve a cabeça arrancada durante o parto na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, morreu por asfixia, apontou um lado do Instituto Médico Legal (IML). O documento assinado pelos médicos legistas Marcelo Ayan Ferreira, Elton de Barros Meireles e Henrique Rodrigues Dias, foi concluído na última quinta-feira, dia 12 de novembro e encaminhado à titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegada Thalita Rosal Feitoza, que preside o inquérito policial que apura o caso.

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No documento, o registro da causa da morte está como "asfixia mecânica por encefalopatia hipóxico-isquêmica devido retardamento no período expulsivo do parto provocado por impactação do pescoço/tórax e distócia dos ombros do feto na pelve materna".   

De acordo com o advogado da família, Ramon Martins, o laudo confirma a versão de uma testemunha de que a criança havia sido sufocada antes de ser decapitada. "Segundo o laudo, a criança estava com a cabeça roxa e foi morta por asfixia. Como não houve a dilatação de forma apropriada e eles forçaram o parto mesmo assim, não conseguiram tirar a criança pelo espaço. Então ela ficou com a cabeça para fora e o corpo para dentro. Eles continuaram enforcando ao invés de seguirem para a cesária. Forçaram cerca de 20 minutos", relatou.

A decapitação, diz o advogado, ocorreu por conta da força usada para retirar a criança e mais a pressão do próprio útero. A criança, entretanto, já estava morta quando teve a cabeça arrancada. "Deram várias versões de que o bebê chegou morto, mas o laudo aponta claramente que ele morreu não antes ou após o parto, mas durante", enfatiza.

O caso

Naturais de Ourém, no nordeste paraense, Roberto Lemos e Daira Oliveira de Souza vieram para a capital paraense para realizar o parto do filho na Santa Casa de Misericórdia de Belém. A criança tinha problemas no rim e, por conta disso, os pais acreditaram que na capital paraense a família teria mais estrutura. Entretanto, a equipe hospitalar forçou uma tentativa de parto natural que culminou na morte da criança, que também teve a cabeça arrancada.

Amiga da família, Amanda Vieira acompanhou a parturiente, que chegou no local, pela manhã, em trabalho de parto. Na sala para o procedimento, a amiga relata a dificuldade da equipe envolvida no procedimento para a retirada do bebê. Segundo Amanda, duas enfermeiras teriam feito massagens na barriga de Daira para ajudar a saída da criança, mas desistiram.
O procedimento foi continuado por outras enfermeiras e enfermeiros, "até que uma bem novinha puxou, puxou com muita força e a cabeça do bebê caiu no chão", relatou.

Polícia
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