Uso excessivo do celular pode interferir no processo de aprendizagem de leitura e escrita

A maioria desses aparelhos possibilita acesso a ferramentas que “facilitam a vida“ dos usuários, como envio de áudios, corretores ortográficos e transcrição de voz

Fabyo Cruz

Especialistas em linguística divergem em opiniões sobre a influência do uso dos celulares na leitura e na escrita. A maioria desses aparelhos possibilita acesso a ferramentas que “facilitam a vida“ dos usuários, como envio de áudios, corretores ortográficos e transcrição de voz. Até mesmo crianças e idosos conseguem dominar algumas dessas tecnologias. Um levantamento da consultoria Newzoo constatou que cerca de 109 milhões de brasileiros têm um smartphone, o que corresponde à metade da população.

A pedagoga Hanna Leão, professora da Faculdade Estácio-FAP, comenta que gosta de usar ao seu favor as tecnologias digitais dos aparelhos móveis durante as aulas. Ela diz que a pandemia de covid-19 imergiu ainda mais a sociedade à comunicação via celulares com acesso a serviço de distribuição digital de aplicativos, entre eles, os de mensagens instantâneas, sendo um caminho sem volta

“Muitos educadores não gostam que os alunos usem o celular na sala de aula, inclusive proíbem ou recolhem os aparelhos deles. Eu já acho importante que se use, inclusive não proíbo a utilizarem durante as tarefas. Nós temos grupos no WhatsApp onde nos comunicamos, alguns alunos usam esse recurso para tirar dúvidas e até enviar trabalhos. Penso que precisamos usar essas tecnologias ao nosso favor”, disse a educadora.

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image A pedagoga Hanna Leão, professora da Faculdade Estácio-FAP, comenta que gosta de usar ao seu favor as tecnologias digitais dos aparelhos móveis durante as aulas (Sidney Oliveira / O Liberal)

Letramento digital: leitura começa com códigos e símbolos

Hanna Leão cita o Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, ao dizer que a leitura de mundo precede a leitura da palavra, ou seja, para os indivíduos conseguirem chegar à leitura e à escrita, precisam partir de suas vivências. “Hoje quase todo mundo tem um celular, nem que seja um aparelho simples, então isso pode ajudá-los em algum momento na comunicação. Mas através do letramento digital eles já conseguem ler os códigos e os símbolos”, afirmou.     

Para a professora, as tecnologias dos aparelhos celulares podem contribuir para o aprendizado dos estudantes, no entanto, ela diz que o recurso também pode apresentar algumas dificuldades aos usuários. Um dos desafios é a dificuldade de separar o formal do informal. Segundo a educadora, passar grande parte do tempo lendo textos na internet, nas redes sociais, pode trazer certa dificuldade em usar a linguagem mais adequada em determinado ambiente.

“Existem linguagens que são mais adequadas, por exemplo, às pessoas que estão avaliando uma entrevista de emprego, currículos e provas escritas.  Elas vão considerar a diferença de linguagem. É diferente de uma conversa informal com um amigo no grupo do WhatsApp. Então, em um determinado momento, é um desafio para as pessoas estarem atentas quando precisam separar a linguagem formal e informal”, comentou.   

Em relação aos corretores automáticos, Hanna Leão comenta que eles ajudam no nosso cotidiano, pois vivemos em uma sociedade acelerada, porém prejudicam o processo de aprendizagem da leitura e da escrita. “Nós não nos preocupamos mais com os detalhes, nem com o exercício da escrita e da leitura. Ler e principalmente escrever é algo que a gente só aprende fazendo, errando, para depois acertar. O corretor nos tira a possibilidade do erro, ele nos dá a falsa impressão que não temos fragilidades, e um avaliador é capaz de identificá-la”, finalizou.     

Pará
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