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Belém tem 11 mil pessoas analfabetas; a meta da prefeitura é superar o analfabetismo até 2024

Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) e o Movimento Alfabetiza Belém são as frentes de atuação da alfabetização no município

Emanuele Corrêa

Belém tem mais de 11 mil pessoas analfabetas, de acordo com os dados de 2020 do Cadastro Único para Programas Sociais (Cadúnico). Diante do cenário que foi agravado pela pandemia, a Prefeitura de Belém, por meio da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) e o Movimento Alfabetiza Belém pretende reduzir e superar o analfabetismo na capital até 2024.

Para zerar o analfabetismo, a Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec) atua com a EJAI e outra frente de ensino, que agrega a sociedade civil, o Movimento Alfabetiza Belém. Miguel Picanço, coordenador da Ejai explica enquanto o ensino da EJAI tem 700 alunos matriculados nas turmas de alfabetização, o movimento pretende chegar às comunidades, por meio da parceria da Semec com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) realizando a atualização cadastral e busca ativa.

"Na escola temos 700 estudantes em processo de alfabetização. Turmas noturnas, com estudantes de 15 anos aos 80 anos. Temos 11 mil jovens, adultos e idosos analfabetos na cidade. Eles acabam sendo lesados de alguns direitos, por exemplo, o direito de ir e vir. O desafio é alfabetizar essas pessoas para além da leitura da palavra, para que se percebam sujeitos de direitos", disse.

A alfabetização na EJAI acontece no período de cinco meses, pela perspectiva Freireana de ensino e com foco na continuidade da educação, alinhada com a geração de renda, diz o coordenador.

"Um dos maiores desafios da educação de jovens e adultos e idosos é fazer com que eles permaneçam estudando. A EJAI tem a maior taxa de evasão, devido as dinâmicas da vida mesmo. Por isso temos pensado projetos. Estamos reabrindo todos os espaços de leitores, etc. O currículo da EJAI está alinhado ao mundo do trabalho. Além da escolarização, estamos garantindo acesso a renda", afirmou.

A coordenadora do Movimento Alfabetiza Belém, Márcia Carvalho, celebra a atuação da EJAI, mas reconhece que o número de pessoas analfabetas ultrapassam os "muros" das escolas. Por isso, a necessidade de mobilizar a sociedade civil e chegar as comunidades.

"Conseguimos aumentar as matrículas com a EJAI, mas sabemos que ainda tem pessoas que não vão chegar, por isso que vamos às comunidade. Na busca ativa, pelo Bora Belém, vamos atrás dessas 11 mil pessoas. Também estamos com a busca ativa com a sesma, com o cadastra SUS. O que tínhamos de cadastro no CadUnico de 11 mil, hoje no Cadastra SUS já aumentou", explicou.

As aulas do Alfabetiza Belém começarão no dia 16 de maio. Até o momento, 92 alfabetizadores, professores de educação inclusiva e coordenadores se inscreveram na chamada pública feita pela prefeitura para o Alfabetiza Belém, afirma Márcia.

"No 1º ano de gestão construindo o plano Municipal de Educação. A partir do dia 16 de maio teremos 120 turmas com duração de 5 meses e em outubro mais 154 turmas. Ano passado fizemos a turma piloto para testar o método, eles ganharam a certificação da 'conquista da leitura'. A peculiaridade, diferente da EJAI que é na escola, o Alfabetiza Belém acontece nos espaços comunitários, casas de alfabetizadores, na comunidade. A partir de segunda (2) a sesma vai divulgar nos territórios, teremos 14 polos de inscrição, junto com a busca ativa da Semec", finalizou.

Belém tem 11 mil pessoas analfabetas; a meta da prefeitura é zerar o analfabetismo até 2024. (Ivan Duarte / O Liberal)

Alfabetização é sonho de dona de casa

Nas palavras do patrono da educação brasileira, "Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo", é por meio da alfabetização que Ana Alessandra Conceição, 45 anos, quer mudar a própria realidade e dos filhos. A dona de casa vem de uma família humilde, com dificuldades de acesso aos serviços de educação, entre outros. A mãe estudou até a 4º série do ensino fundamental e, por isso, ela conta que não foi estimulada a estudar. 

O repertório da família se reproduz, conta Alessandra, que por não ter sido alfabetizada, não consegue ajudar nos estudos dos filhos. "Como uma mãe passa para um filho não estudar, a filha passa para os filhos não estudar. Como é o meu caso. E eu me arrependo. Por isso quero que meus filhos estudem", comentou.

Por muito tempo Alessandra disse não ter interesse nos estudos, mas revela que hoje saber ler e escrever a ajudaria realizar atividades como pegar o ônibus. "Fica chato eu ficar pedindo para as pessoas lerem para mim quais são os ônibus. Às vezes eu não sei se o ônibus já passou, quando as pessoas vão embora da parada. Fico triste e pensativa. Às vezes eu 'tô' com o dinheiro só dá passagem. Já vim a pé, para não ficar pedindo para as pessoas", relembrou.

A dona de casa começou a fazer a alfabetização pela EJAI, na Escola Municipal Ensino Fundamental Josino Viana. Em casa, replica os exercícios que os professores passam e destaca que gosta bastante de pintura. Emocionada, relembrou o conselho que recebeu do neto mais novo, que a fez pensar em um futuro profissional e ensino superior.

"Eu quero aprender, desemburrar. Quero conhecer o que é vogal, letras, juntar. Quem sabe um dia eu possa ter um curso aí, eu sou jovem. Quem sabe eu possa ser uma professora de artes. Um neto meu disse: 'vó, você adora pintar no caderno, quem sabe você não queira ser uma professora de artes'. Isso partiu meu coração. Eu pensei: 'quem sabe, né, eu possa ser um dia'. Gosto de desenhar. Eu não vou desistir e vou continuar a estudar e buscar um futuro para mim e meus filhos", concluiu.

Ana Alessandra Conceição e a professora da EJAI, Regina Fernandes. "Todo professor de EJAI tem um objetivo. Que é fazer nosso aluno entrar aluno e sair cidadão. Alunos como a Alessandra tem muitas possibilidades de se desde volver", disse a professora. (Sidney Oliveira / O Liberal)

A professora Regina Fernandes elogia o empenho de Alessandra, nas aulas de alfabetização. 'Todo professor da EJAI tem um objetivo. Que é fazer nosso aluno entrar aluno e sair cidadão. Que saiba ler, escreve, contar e interpretar. Todo aluno que entra pode fazer uma transformação no seu cognitivo. Alunos como a Alessandra tem muitas possibilidades de se desde volver", finalizou.

Por enquanto, Alessandra diz que o maior sonho é estar na sala de aula e a professora perguntá-la o que está escrito no quadro e ela conseguir responder. Após isso, deseja um futuro para "além dos garranchos", como ela diz. "Meu sonho é saber ler e escrever. Quero um dia quando a professora escrever na lousa, eu saiba ler e quando ela pedir o caderno que eu saiba escrever. Eu acho bonito isso. Quem sabe um dia eu sabendo ler, sair do garrancho, eu possa fazer uma faculdade", ressaltou.

 

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