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Pontes do Pará: 3 acidentes ocorreram nos últimos oito anos

Em 2014 e 2019, duas pontes sobre o Rio Moju, ao longo da Alça Viária, desabaram parcialmente; no começo de 2022 um pilar da ponte de Outeiro desabou

Emanuele Corrêa

Nos últimos oito anos, três grandes acidentes com pontes no Estado do Pará ganharam destaque nacional. O último ocorreu no último dia 17 de janeiro, após o desabamento de um pilar da ponte Enéas Martins, conhecida como Ponte do Outeiro e que dá acesso à ilha. Um mês após o incidente, o engenheiro civil Maurício de Pina Ferreira, doutor em Estruturas e diretor da faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará (UFPA) faz uma análise do cenário das pontes do estado, na última década, e afirma que é importante tirar aprendizados para evitar situações parecidas num futuro.

"No cenário das pontes, acho que merece destaque o fato de termos observado três grandes acidentes no estado do Pará no espaço de menos de 8 anos. Em 2014 e em 2019, duas pontes sobre o Rio Moju, ao longo da Alça Viária, desabaram parcialmente, gerando prejuízos para toda a população do estado que dependia da Alça Viária. Agora no início de 2022 estamos vendo o mesmo acontecer com a ponte ponte do Outeiro. Estes três acidentes importantes têm a mesma origem: cargas elevadas de impacto geradas pela colisão de embarcações com o sistema de pilares e de fundação destas pontes. É fundamental que a sociedade paraense e que o poder público possa tirar lições importantes sobre estes acidentes e que sejam tomadas ações para evitar que novos eventos deste tipo ocorram", afirmou.

Acidentes como o ocorrido na ponte do Outeiro ocorrem pelo acúmulo de falhas em diversas áreas, destaca o diretor que observa a necessidade de ampliar a fiscalização. Para ele, do ponto de vista do transporte de cargas hidrovias paraenses, é fundamental avaliar a necessidade de ajustes, tanto na legislação quanto na fiscalização, para que os riscos de colisão destas embarcações sejam reduzidos. acidentes como o da ponte de Outeiro não ocorrem por deficiência estrutural.

Maurício também analisa que seja importante investir na construção de sistemas de proteção adequados contra colisões de embarcações em todas as pontes que cortam as hidrovias do estado. "Também fica clara a importância de investir na inspeção e na manutenção destas estruturas, a fim de preservar os investimentos feitos para sua construção. Estas três pontes aqui citadas, deveriam ter por norma vida útil mínima de 100 anos, mas colapsaram de forma muito precoce. Esse é um prejuízo relevante, ainda mais no contexto de um estado que carece tanto de obras de infraestrutura", completou.

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Tecnologia e profissionais capacitados ajudam a prevenir acidentes em pontes

Maurício fala sobre o papel da engenharia e que este deve estar aliado à tecnologia. Sobre a reconstrução da ponte, acredita que o trabalho será grande e necessitará de segurança para que equipes de engenharia e afins que atuarão neste momento.

"Em obras futuras, parece importante investir na tecnologia, projetando e construindo pontes que permitam vãos de navegação mais adequados. A ponte do Outeiro tinha vão central de 60 metros, considerado pequeno nos dias de hoje. O Brasil e o Estado do Pará possuem muitos profissionais e empresas com capacidade para projetar e construir pontes mais arrojadas, que atendam melhor às demandas atuais e futuras. Uma ponte precisa ser pensada com olhar no futuro", explicitou.

"São muitos desafios. Acredito que monitorar a estrutura, medindo deslocamentos, a fim de avaliar a sua estabilidade, é um ponto inicial fundamental. O maior desafio me parece, nesse momento, garantir condições adequadas de segurança para que equipes de engenharia possam trabalhar e intervir. Sem dúvidas este será um grande trabalho de engenharia e os profissionais envolvidos merecem reconhecimento de toda a sociedade paraense", completou.

Um dos acidentes mais emblemáticos antes da interdição da ponte de Outeiro foi o desabamento da ponte sobre o rio Moju (Pedro Guerreiro / Agência Pará / Arquivo)

Pontes têm vida útil limitida e legislação poderia normatizar manutenção

No caso das estruturas de concreto do Brasil, as edificações já estão superando o período de vida útil, afirma o doutor em estruturas. Maurício reforça que há leis que determinam fiscalizações e que cabe ao poder público e também a sociedade essas reflexões. "Se a consciência da nossa sociedade não for despertada quanto à importância de investir na manutenção e prevenção de acidentes, infelizmente iremos observar acidentes estruturais com frequência. Essa responsabilidade precisa ser assumida por toda a sociedade, mas também pelo poder público, que precisa regulamentar e exigir a inspeção periódica de edificações", ressalta.

O engenheiro observa que, em nível municipal, há a Lei nº 7737 de 1994, que determina a inspeção de edificações com mais de dois andares e com mais de dez anos de uso, que deveria ser realizada anualmente por órgão competente da PM de Belém. A lei, reforça ele, é importante, mas nunca entrou em vigor. Na esfera federal, tramita desde 2013 o Projeto de Lei PL 6014 que, se aprovado, determina a obrigatoriedade de inspeção periódica das edificações, devendo esta ser feita por profissional habilitado, contratado pelo proprietário da edificação.

A Secretária de Estado de Transportes do Pará (Setran) foi acionada para comentar o assunto. A Redação Integrada de O Liberal segue aguardando a resposta. 

Pará
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