Pará registra oito casos de escalpelamento entre 2024 e 2025, aponta Sespa; Marajó lidera

O escalpelamento é uma lesão causada por avulsão parcial ou total do couro cabeludo - ou seja, os cabelos e o couro cabeludo são arrancados violentamente

Dilson Pimentel
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O Pará registrou cinco casos de escalpelamento em 2024 e três em 2025. Em 2024, todos os acidentes ocorreram no arquipélago do Marajó, distribuídos nos municípios de Curralinho (1), Afuá (2), Portel (1) e Melgaço (1). Em 2025, foram contabilizados três casos no estado, sendo um deles no município de Afuá, também no Marajó. As informações são da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

O escalpelamento é uma lesão causada por avulsão parcial ou total do couro cabeludo - ou seja, os cabelos e o couro cabeludo são arrancados violentamente, gerando traumas, inclusive com perdas de outras partes do corpo. O acidente ocorre, na maioria das vezes, pelo contato acidental de cabelos longos com motores de eixo rotativo de embarcações de pequeno porte. O circuito desses motores possui alta rotação, gerando uma força que suga os cabelos da vítima, puxando o couro cabeludo de forma abrupta.

A Sespa também informou que, além do monitoramento dos casos, o Estado atua na prevenção, especialmente nos municípios com maior incidência, por meio de campanhas educativas e ações de sensibilização voltadas às comunidades ribeirinhas. A Sespa também coordena a Comissão Estadual de Prevenção aos Acidentes com Escalpelamento, que reúne diversas instituições parceiras. Entre elas estão o Ministério Público do Pará (MPPA), a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o Espaço Acolher, a Fundacentro, a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Conselho Regional de Psicologia (CRP), além de outras entidades que atuam de forma integrada na prevenção e no apoio às vítimas.

A Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, é o hospital de referência no atendimento às vítimas de escalpelamento no estado. Nos casos em que há traumas associados ao acidente, o fluxo assistencial do Estado prevê o encaminhamento inicial para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, que é referência em atendimento a traumas

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image A palestrante Anny Almeida, de 40 anos, sofreu escalpelamento em 2001, no município de Mocajuba (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Histórias marcadas pelo escalpelamento

E duas histórias marcadas pelo escalpelamento - um dos acidentes mais graves enfrentados por populações ribeirinhas da Amazônia - se cruzaram durante a Ação Cívico-Social I - "Chance para todos", realizada pela Marinha do Brasil em Melgaço, no Marajó, há poucos dias. O Navio-Auxiliar Pará navega pela ilha do Marajó levando atendimento médico especializado a populações com pouco ou nenhum acesso a serviços básicos de saúde. Além das consultas com especialistas da Marinha, a ação também oferece outros serviços sociais. Naquele dia, o navio estava no município de Melgaço.

Durante a ação, um gesto de solidariedade marcou o encontro entre duas vítimas do acidente. A palestrante Anny Almeida, 40 anos, também vítima de escalpelamento, fez a doação de uma peruca para Maria de Fátima Laranjeiras Guedes, 64 anos. O momento foi acompanhado pelo vice-almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do 4º Distrito Naval.

A ribeirinha Maria de Fátima Laranjeiras Guedes, de 64 anos, sofreu o acidente em 2012, quando retornava de barco do município de Breves. Ao tentar retirar água do barco, escorregou e teve os cabelos puxados pelo eixo do motor da embarcação, o que provocou graves ferimentos no rosto e a perda do couro cabeludo. Já Anny Almeida, de 40 anos, sofreu escalpelamento em 2001, no município de Mocajuba. Ela teve perda total do couro cabeludo e múltiplas fraturas, passando por 39 cirurgias desde então. Depois de meses de tratamento doloroso, decidiu transformar a própria experiência em uma missão: conscientizar comunidades ribeirinhas sobre os riscos do acidente e ajudar outras vítimas.

Maria de Fátima mora em uma localidade distante cerca de quatro horas de barco da sede de Melgaço. Ela contou que, além das consequências físicas, enfrentou preconceito após o acidente. “...O modo que eles ficam tipo discriminando a gente. Eu já encontrei pessoas que fizeram gozação de mim na frente de uma igreja evangélica. Lá perto de casa tem uma igreja. Eu fui nesse culto e, quando eu vinha saindo da igreja, essa mulher começou a fazer gozação de mim, ela e a filha dela. Me deu vontade de voltar, sabe? Depois eu disse: ‘Meu Deus, eu saí da tua casa agora, deixa pra lá’. Elas vão levar pra elas isso que estão fazendo, não é pra mim, é pra elas”, contou.

Ela disse que, por muito tempo, teve dificuldade para sair de casa. “Eu custei muito a me adaptar com o problema. Eu não gostava mesmo nem de estar saindo de casa. Eu me sentia que o pessoal ia fazer gozação”, afirmou. Segundo ela, o apoio dos filhos foi fundamental para superar o trauma. “Eles disseram: ‘Mãe, a senhora não pode parar a sua vida, a senhora vai sair’. Aí comecei a viajar para a casa dos meus pais, em Santana, no Amapá. Aquele trauma foi passando”.

O acidente de Maria de Fátima ocorreu em 2012, quando ela retornava de uma viagem ao município de Breves. Na ocasião, havia ido buscar um benefício do Bolsa Família, no valor de R$ 60. “Eu fui para Breves por causa de 60 reais que eu recebia da Bolsa Família. Quando cheguei lá, não me pagaram esses 60 reais. Eu tinha comprado uma televisão para pagar com esse dinheiro”, lembrou.

image Anny Almeida fez a doação de uma peruca para Maria de Fátima; gesto foi acompanhado pelo vice-almirante Batista, comandante do 4º Distrito Naval (Foto: Igor Mota | O Liberal)

"Cortou tudo", diz ribeirinha

Durante a viagem de volta, houve o acidente. “Meu filho vinha dirigindo o barquinho. Eu peguei uma vasilha para tirar água. Meu cabelo era bem longo, liso. Tirei um pedaço de tábua que cobria o eixo do motor e comecei a jogar água no estrado do barco. Quando fui pegar o último balde, escorreguei no pedaço de tábua molhado e caí de lado. Meu cabelo entrou naquele buraco”, contou.

Segundo ela, o eixo do motor puxou o cabelo e provocou ferimentos graves. “Cortou tudo aqui, meu nariz, tudo cortado. Eu só não morri porque Deus não deixou. Minha cabeça não entrou naquele buraco, senão tinha quebrado toda”. O filho, que conduzia a embarcação, correu para socorrê-la. “Ele gritava muito. Eu só sentia o sangue quente no meu rosto”, lembrou. A vítima foi levada até a comunidade de Capinal, onde recebeu ajuda de moradores. “O senhor Pedro mandou tirar coco verde. Acho que tomei uns cinco litros de água de coco. Depois chamaram a ambulância de Melgaço, que me levou para Breves”.

Ela afirmou que não se recorda do momento em que chegou ao hospital. “Eu lembro quando passei para a ambulância. Depois não lembro quando cheguei em Breves, nem quando me levaram do hospital municipal para o regional”. Durante a ação em Melgaço, Maria de Fátima procurou serviços de documentação. “Eu vim trocar a minha identidade, que já estava antiga e não estava valendo mais, e também a carteira de trabalho, porque tenho que fazer o meu benefício. Esse benefício me ajuda muito”, disse. Ela explicou que utiliza o recurso principalmente para tratamento de saúde. “Eu tenho diabetes e problemas no estômago. Muitas vezes, meu dinheiro é só para pagar consulta ou exame, ou para comprar medicação”, contou.

“Eu tive perda total do couro cabeludo", diz palestrante

A doação da peruca foi feita por Anny Almeida, 40 anos, palestrante que dedica sua vida à conscientização sobre o escalpelamento. Ela também é vítima do acidente. Segundo Anny, seu trabalho não é apenas confeccionar perucas, mas atuar na prevenção. “O meu trabalho é de enfrentamento dos acidentes com escalpelamento. Sempre que recebo doações de cabelo, procuro mandar fazer perucas para doar às vítimas. No interior, às vezes a pessoa não tem nenhuma, ou tem apenas uma. E as perucas têm validade de dois a três anos, dependendo do cuidado”, explicou.

Anny sofreu o acidente em 19 de janeiro de 2001, no município de Mocajuba. Desde então, já passou por 39 cirurgias e continua em tratamento. “Eu tive perda total do couro cabeludo, incluindo pálpebra, três fraturas, duas no rosto e uma no braço. Fiquei com a caixa craniana exposta”, contou. Ela contou que os primeiros meses foram extremamente difíceis. “Os curativos eram feitos a seco, somente com gaze. Toda manhã os profissionais me levavam para o banheiro para fazer a troca. Quando ligavam o chuveiro em cima da minha cabeça, eu desmaiava de tanta dor. Foram quatro meses passando por esse processo".

Após receber a primeira alta hospitalar, decidiu transformar a experiência em missão de vida. “Eu disse que não queria que mais pessoas passassem pelo que eu estava passando”, afirmou. Desde então, ela percorre comunidades e municípios realizando palestras de conscientização. “Nas minhas palestras, eu tiro a peruca ou o turbante e mostro o que é o acidente e como fica a realidade da vítima após o escalpelamento”.

Atualmente moradora de Abaetetuba, Anny também conseguiu a criação de uma legislação municipal voltada à prevenção do acidente. “Conseguimos a Lei Anny Almeida, que mobiliza ações principalmente no mês de prevenção”, explicou. Ela destacou que o principal meio de transporte na região amazônica é a embarcação, o que aumenta o risco do acidente. “Para tudo dependemos do barco. Por isso precisamos erradicar esse acidente”, disse.

Para ela, o trabalho de conscientização só é possível graças ao apoio de instituições. “Sou grata a Deus, à Marinha do Brasil, ao Ministério Público e às prefeituras, que dão suporte para que eu consiga chegar aos municípios e alcançar mais pessoas”. Ao final das palestras, Anny costuma deixar uma mensagem às vítimas. “Eu sempre digo: ‘Trago em mim cicatrizes profundas, mas elas nunca me impediram de sorrir e continuar lutando’. A vida não acabou. Tudo tem um propósito”.

image A imagem mostra moradores ribeirinhos em uma canoa, no município de Melgaço, no Marajó (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Desafios

A recuperação física e emocional das mulheres vítimas de escalpelamento ainda é um dos principais desafios enfrentados por quem sofre esse tipo de acidente na região amazônica. De acordo com Alessandra Almeida, representante da Organização de Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor (Orvam), o processo de cicatrização costuma ser demorado e o impacto do trauma vai além das sequelas físicas, provocando também problemas psicológicos.

Segundo ela, muitas vítimas enfrentam crises de ansiedade e depressão após o acidente. “O principal desafio dessas mulheres é realmente a recuperação. A cicatrização demora e o impacto do acidente traz problemas como crise de ansiedade e depressão”, afirmou.

Alessandra explicou que a Orvam atua no atendimento pós-acidente. Quando chegam à instituição, as mulheres geralmente já passaram pelo período inicial de tratamento. “A Orvam é pós-acidente. Quando elas chegam para a instituição, já passaram por todo o processo de recuperação”, diz. Em muitos casos, esse atendimento ocorre cerca de um ano após o acidente, quando o processo de cicatrização do escalpelamento já está mais avançado.

Vítimas não podem pegar sol como faziam antes

Mesmo assim, algumas vítimas precisam retomar o tratamento posteriormente. Isso acontece, muitas vezes, quando retornam aos seus municípios e tentam retomar as atividades que exerciam antes do acidente, como a pesca e o trabalho na agricultura. “Elas voltam a querer ter as atividades como antes, mas sabem que têm comorbidades devido ao acidente, que não podem pegar sol como antes”, explicou.

Além do impacto físico, o abalo emocional também é significativo. Por isso, o atendimento psicológico é considerado fundamental durante e após o tratamento. De acordo com Alessandra, a Santa Casa oferece acompanhamento psicológico às vítimas. Já a Orvam atua principalmente no fortalecimento da autoestima dessas mulheres.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela organização estão a entrega de perucas e projetos de empreendedorismo, com o objetivo de ajudar as vítimas a retomar atividades e conquistar autonomia financeira. A instituição também está desenvolvendo um novo projeto voltado ao empoderamento cultural dessas mulheres.

“Esse novo projeto quer levar essas mulheres a lugares onde elas nunca foram, como participar de teatros e atividades culturais, para que tenham uma outra visão da vida”, explica Alessandra. Segundo ela, a proposta é incentivar novas experiências e oportunidades. “A gente não quer mais colocar as mulheres para falar da dor delas, mas que possam vivenciar coisas novas.”

Mais divulgação pela mídia

A Orvam também realiza oficinas e ações de capacitação em parceria com outras instituições. Durante o mês da mulher, por exemplo, a organização firmou parceria com profissionais da Universidade da Amazônia (Unama), na área de psicologia. Entre as atividades previstas estão desfiles e workshops, além da inclusão das participantes em cursos de capacitação. A proposta é ampliar as possibilidades de geração de renda para as vítimas, com cursos como panificação, maquiagem, manicure e atividades ligadas à área da beleza, permitindo que elas possam desenvolver trabalhos em suas próprias comunidades.

No campo da prevenção, a Orvam já realizou diversas ações em municípios do interior do Pará, inclusive em parceria com a Marinha do Brasil. No entanto, atualmente as atividades estão mais restritas a Belém. Isso porque a instituição passa por um período de reforma e está temporariamente sem condições de mobilizar voluntários para viagens às comunidades ribeirinhas.

Mesmo assim, o trabalho de conscientização continua sendo realizado por meio de redes sociais, ações em universidades, igrejas e outros espaços. Na sede da instituição, também há materiais informativos que são apresentados a estudantes, pesquisadores e visitantes. Apesar das ações de prevenção, novos casos continuam sendo registrados. Alessandra citou um acidente recente ocorrido no município de Oeiras do Pará, no último domingo, Dia Internacional da Mulher. 

Segundo ela, a Marinha do Brasil havia realizado uma ação de prevenção na comunidade poucos dias antes do acidente. No entanto, fatores culturais ainda dificultam a redução dos casos. “Existe uma cultura do risco. Assim como tem pessoas que usam moto sem capacete, lá eles utilizam motores de barco e equipamentos em fábricas de farinha sem proteção”, afirma. De acordo com Alessandra, muitas pessoas acreditam que o acidente nunca acontecerá com elas.

Embora nem sempre conheçam o termo “escalpelamento”, os moradores sabem que o risco existe. Mesmo assim, os acidentes continuam ocorrendo. No caso recente em Oeiras do Pará, a vítima sofreu escalpelamento parcial na parte superior da cabeça. A representante da Orvam destaca ainda a importância da divulgação do tema na mídia como estratégia de prevenção. Para ela, campanhas permanentes podem ajudar a ampliar o alcance das informações.

“A Marinha é importante e está presente nas comunidades, mas acredito que quem pode alcançar um público maior é a mídia”, afirma. Alessandra defende que o tema seja abordado durante todo o ano, e não apenas em agosto, mês em que é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Escalpelamento. Segundo ela, a divulgação constante pode ajudar a alertar a população sobre os riscos e evitar novos acidentes. “Infelizmente, mais uma mulher foi mutilada e eu não vi nenhuma notícia sobre esse caso. A sociedade precisa ser informada”, conclui.

Ações da Marinha

A Marinha do Brasil divulgou dados de ações realizadas para prevenção de acidentes por escalpelamento na região amazônica, incluindo palestras educativas, instalação de coberturas de eixo de motor em embarcações e doação de itens de proteção. Em 2025, foram promovidas diversas palestras de conscientização em municípios do Pará. Em março, ocorreram duas palestras em Ponta de Pedras, com 339 ouvintes; duas em Muaná, com 251 ouvintes; e uma em São Sebastião da Boa Vista, com 206 participantes.

Em abril, foram realizadas dez palestras em Cachoeira do Arari, que reuniram 336 ouvintes. No mês de maio, houve uma palestra em Icoaraci, com 60 ouvintes, e outra na Ilha de João Pilatos, com 30 participantes. Já em agosto, foram realizadas 20 palestras nos municípios de Porto de Moz, Almeirim, Santarém e Monte Alegre, que somaram 2.094 ouvintes.

Em 2026, as atividades de conscientização também ocorreram em diferentes municípios paraenses. Em fevereiro, foram realizadas cinco palestras em Oeiras do Pará, com 150 ouvintes; três em Breves, com 45 participantes; e quatro em Melgaço, reunindo 60 ouvintes. Além das atividades educativas, a Marinha também realizou a instalação de coberturas de eixo de motor em embarcações, equipamento considerado fundamental para evitar acidentes. Em 2025, foram instaladas 43 coberturas, enquanto em 2026 foram registradas três instalações. Outra ação preventiva foi a doação de toucas para proteção de cabelo. Em 2025, foram distribuídas 210 unidades, enquanto em 2026 foram doadas 20 toucas.

 

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