CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Exposição à radiação ionizante pode elevar risco de tumores cerebrais, destaca médico oncologista

No calendário da saúde, o “Maio Cinza” alerta sobre o diagnóstico precoce do câncer cerebral

Ayla Ferreira
fonte

O câncer cerebral é uma patologia que inicia com mutações genéticas no DNA das células, que se multiplicam de forma desordenada, formando o tumor. Segundo o médico oncologista Luis Eduardo Carvalho, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o risco aumenta especialmente em casos de exposição à radiação ionizante, exposição à radioatividade ou algumas atividades de risco, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e atenção aos sintomas.

Os tumores da cabeça são divididos em dois grupos. O primeiro engloba os tumores considerados raros, que se originam no próprio cérebro, conhecidos como tumores do sistema nervoso central verdadeiros. Já no segundo grupo, estão os tumores do sistema nervoso central que não se originaram no órgão, e sim em outras partes do corpo humano, o que é conhecido na medicina como metástase, onde as células cancerígenas se disseminam por diferentes partes do corpo.

VEJA MAIS

image Netinho inicia tratamento contra linfoma e compartilha 'diário' de internação nas redes sociais
Em um relato emocionante no Instagram, cantor compartilhou detalhes de sua jornada contra o câncer, descrevendo seu choro como um gesto de gratidão e fé

image Pais detidos pela ICE conseguem visitar filho com câncer terminal antes de ele morrer
Kevin González, de 18 anos, morreu no último domingo, 10

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028 — um aumento de aproximadamente 10,9% em relação ao triênio anterior. Entre os diversos tipos da doença, os tumores do sistema nervoso central, que incluem cérebro e medula espinhal, seguem como uma importante preocupação de saúde pública. A estimativa é de mais de 11 mil novos casos por ano no país.

No Pará, dados recentes indicam uma incidência de câncer de cérebro que exige atenção, com estimativas situando o risco em 2,91 novos casos a cada 100 mil homens e 2,77 a cada 100 mil mulheres. 

No calendário da saúde, o mês de maio, conhecido como “Maio Cinza”, alerta sobre o diagnóstico precoce do câncer cerebral, patologia originada devido às mutações genéticas no DNA das células, que se multiplicam de forma desordenada e formam o tumor.

Origem no cérebro

Segundo o médico oncologista, no primeiro grupo, os tumores nascem no próprio cérebro, a partir de células cerebrais e também se comportam como células. Entre os malignos, estão os gliomas e os meningiomas. Os fatores de risco ainda são pouco estudados, no entanto, síndromes como Li-Fraumeni e síndrome de Von Hippel-Lindau, ambas doenças genéticas, são considerados os principais.

Para além da genética, fatores ambientais podem influenciar o quadro. “Exposição à radiação ionizante, exposição à radioatividade ou algumas atividades de risco podem também causar tumores do sistema nervoso central primários, como nós os chamamos”, explica. Ou seja, quem trabalha com raio-x e tomografia, por exemplo, sem utilizar a devida proteção, corre um risco maior de desenvolver um tumor de sistema nervoso central primário. 

O câncer pode apresentar alguns sintomas, como a dor de cabeça, que é o sintoma mais comum. “É uma dor de cabeça intensa e que permanece. Não é só aquela que dói em determinados momentos do dia. E os sintomas podem ser de dor ou em outros, vamos dizer, sistemas do corpo. Pode haver alteração na visão, alteração na fala, especialmente alteração na força”, reforça.

A falta de força em um dos lados do corpo e a dificuldade para se movimentar também integram a lista dos principais sinais dos tumores primários do sistema nervoso central. O tratamento normalmente é cirúrgico; em tumores de até 3 centímetros, por exemplo, geralmente é indicada a radiocirurgia.

“Além da cirurgia onde se retira o tumor, um grande papel nos últimos anos vem sendo o da quimioterapia e mais recentemente o da imunoterapia. A imunoterapia é um medicamento aplicado nas clínicas oncológicas, na veia, que consegue chegar até o tumor e fazer com que ele vá murchando, diminuindo de tamanho, sem deixar sequelas, como pode acontecer sequelas numa cirurgia do cérebro, que é muito mais perigosa”, destaca o médico oncologista.

O tratamento com imunoterapia, por meio de medicamentos endovenosos, vem se tornando um tratamento de eleição na maioria dos tumores primários do sistema nervoso central. Com a terapia, diversos pacientes conseguem um bom resultado, com maior longevidade e até mesmo alcançando a cura.

Metástase é cenário desafiador

O segundo grupo abrange os tumores cerebrais que são metástases de outros tumores, advindos de outros órgãos do corpo humano. Alguns dos exemplos são câncer de pulmão e câncer de cabeça e pescoço com metástase para o cérebro. “É como se fosse um inquilino indesejado, que é muito pior de retirar ou tratar”, avalia Luis Eduardo Carvalho.

“Apesar de estar no cérebro, o comportamento do tumor não é o comportamento de um tumor cerebral, e sim de um tumor que lhe deu origem. Pode ser muito mais agressivo e normalmente não temos a cirurgia como opção, exceto em alguns casos específicos”, afirma o médico.

Para o tipo de tumor, o tratamento é mais desafiador, por conta da baixa indicação de cirurgia. São utilizadas drogas endovenosas, como a quimioterapia, a terapia-alvo e a imunoterapia para o tratamento. A cura é mais difícil, apesar de possível com os avanços científicos.

Existem diversos estudos com a terapia CAR-T, que utiliza células do sistema imunológico do paciente para combater o câncer, e vem apresentando resultados animadores para o tratamento de linfomas e tumores cerebrais. Para o médico oncologista, a expectativa é de que os próximos cinco anos venham com curas e resultados melhores, com o avanço da nova terapia no mercado.

“Na prática, qualquer tipo de cefaleia, ou seja, dor de cabeça, ou algum sintoma de perda de visão, audição, olfato, ou algum tipo de perda de força, que pode até simular um derrame, ou um acidente cerebral, tem que ser investigada sempre pelo médico oncologista clínico e também pelo médico neurologista, porque muitas vezes já é uma metástase”, pontua.

Às vezes, o paciente não possui conhecimento de que há um outro órgão com câncer. A primeira condição que surge é o tumor cerebral, a partir do qual é feita a biópsia, exames de genômica e DNA. Com isso, se realiza a investigação da origem.

“Esperamos que o aumento da sobrevida seja uma realidade nos próximos anos, já em função da melhoria dos tratamentos para a ciência nos tumores, tantos que nascem no cérebro, os primários, os astrocitomas, os gliomas, os meningeomas, principalmente, quanto para os tumores que são secundários, ou seja, são metástases de outros órgãos que vão para o cérebro”, finaliza o médico.

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Pará
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM PARÁ

MAIS LIDAS EM PARÁ