Cármen Lúcia defende fortalecimento da Defensoria Pública durante congresso em Belém
Ministra do STF participou da abertura do Congresso Nacional da Defensoria Pública em Direitos Fundamentais, realizado no Hangar Centro de Convenções da Amazônia
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (11), em Belém, que a Defensoria Pública representa uma das principais conquistas do Estado Democrático de Direito brasileiro. A declaração foi feita durante a abertura do Congresso Nacional da Defensoria Pública em Direitos Fundamentais, realizado no Hangar Centro de Convenções da Amazônia. O congresso segue até quarta-feira (13), e nesta terça-feira (12), a programação prevê a participação do ministro do STF, Flávio Dino.
Ao discursar para defensores públicos, magistrados, pesquisadores e autoridades, a ministra ressaltou que o acesso à Justiça depende da garantia de defesa técnica qualificada para todas as pessoas, sobretudo aquelas em situação de vulnerabilidade social. Ela afirmou que a presença da Defensoria Pública fortalece a democracia e assegura que direitos previstos na Constituição possam ser efetivamente exercidos pela população.
“Sem os defensores e as defensoras, seria muito mais difícil obtermos a garantia de ter direito a ter direitos”, declarou Cármen Lúcia durante a conferência magna de abertura do evento. A ministra relembrou ainda o período anterior à Constituição Federal de 1988, quando movimentos jurídicos e setores da sociedade defendiam a criação de estruturas permanentes de assistência jurídica gratuita no país.
Carmen Lúcia durante a conferência magna de abertura do congresso (Foto: Wagner Santana/O Liberal)
A magistrada também citou a atuação do advogado Sobral Pinto como símbolo da defesa efetiva de pessoas sem condições financeiras de contratar representação jurídica. Cármen Lúcia disse que a atuação do jurista ajudou a consolidar a compreensão de que não bastava apenas a presença formal de um advogado nos processos, mas sim um profissional comprometido com a defesa dos direitos dos cidadãos.
Durante o discurso, Cármen Lúcia afirmou ainda que a democracia ultrapassa o campo institucional e deve estar presente nas relações sociais e cotidianas. “Democracia não é só um regime político. Democracia é uma forma que nós escolhemos para viver e conviver”, disse.
Homenagens
A abertura do congresso contou também com pronunciamentos da defensora pública-geral do Pará, Mônica Palheta Furtado Belém, da governadora do Estado, Hana Ghassan Tuma, e do senador Jader Barbalho. Ambos, além de Cármen Lúcia, receberam homenagens institucionais da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE).
Jader Barbalho relembrou a criação da Defensoria Pública do Pará, há 43 anos, durante sua gestão como governador do Estado. Ele afirmou que a experiência de acompanhar conflitos sociais e a dificuldade de acesso da população pobre à assistência jurídica motivaram a criação da instituição no Pará. “Isso tudo me fez meditar quando cheguei ao governo do Estado”, declarou o senador.
Já Mônica Palheta destacou o papel da Defensoria Pública na proteção de grupos vulneráveis e no acesso à cidadania na Amazônia. Ela disse que defender direitos na região amazônica significa enfrentar desafios territoriais e sociais históricos. “Aqui, defender direitos significa atravessar rios, alcançar populações tradicionais, proteger mulheres vítimas de violência e garantir dignidade humana”, afirmou.
A governadora Hana Ghassan Tuma também enfatizou a atuação da Defensoria em políticas públicas voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência, crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Ela afirmou que o governo estadual tem ampliado serviços de acolhimento e proteção social em parceria com a instituição.
“Justiça de verdade não é aquela que existe apenas no papel. Justiça de verdade é aquela que consegue chegar a quem mais precisa. E é exatamente aqui que a Defensoria Pública tem esse papel fundamental”, afirmou a governadora Hana Ghassan Tuma.
Hana Ghassan Tuma, que também foi homenageada, afirmou que o governo estadual tem ampliado serviços de acolhimento e proteção social em parceria com a instituição (Foto: Wagner Santana/O Liberal)
Programação segue até quarta-feira
O congresso segue até quarta-feira (13) e reúne ministros de tribunais superiores, juristas, defensores públicos e pesquisadores de diferentes estados do país para debater temas ligados aos direitos fundamentais, sistema penal, meio ambiente, moradia, infância, saúde pública e conflitos fundiários.
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