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Em abril, desmatamento atingiu 778 km² na Amazônia: é o maior valor para o mês em 10 anos

Pará está em segundo e Amazonas lidera o ranking dos estados que mais desmataram, apontam dados do Imazon e Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD). Aumento foi de 45% em relação a abril de 2020

Redação integrada de O Liberal

Em abril de 2021, o desmatamento na Amazônia Legal atingiu 778 km², segundo dados de monitoramento da região, divulgou nesta segunda-feira (17) o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Esse é o maior valor da série histórica para o mês de abril dos últimos 10 anos. As informações são do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), que monitora a região via satélites. O número também representa um aumento de 45% em relação a abril de 2020, quando o desmatamento somou 536 km².

O Pará (26%) é o segundo no ranking dos estados com maior área desmatada. A liderança é do Amazonas, com a maior parte do percentual (28%). Em terceiro vem o Mato Grosso (22%), seguido por Rondônia (16%), Roraima (5%), Maranhão (2%) e Acre (1%).

Lábrea e Apuí, no Amazonas, são os municípios que lideram o ranking dos 10 que mais desmataram: nessas regiões houve perda de 126 km² de floresta, o que representa quase 60% de todo o desmatamento do Amazonas detectado em abril.

De acordo com o SAD, em abril, 68% do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, e o restante foi registrado em Assentamentos (19%), Unidades de Conservação (11%) e Terras Indígenas (2%).

Dados mostram maior avanço contra a floresta para o mês de abril em uma década (SAD)

Áreas que deveriam ser protegidas lideram avanço no Pará


Na análise do desmatamento em Unidades de Conservação, o Pará possui cinco dentre as 10 mais atingidas: APA Triunfo do Xingu (PA), Flona do Jamanxim (PA), Flona de Itaituba II (PA), Esec da Terra do Meio (PA) e Rebio Nascentes da Serra do Cachimbo (PA).

Já em relação às Terras Indígenas, o Mato Grosso tem destaque com quatro territórios no ranking dos 10 mais atingidos: TI Piripkura (MT), TI Kayabi (MT/PA), PI Aripuanã (MT/RO) e TI Urubu Branco (MT).

Em relação a março de 2021, o Pará deixou a dianteira da devastação.  Naquele mês, os estados do Pará e do Mato Grosso concentraram, juntos, 60% do desmatamento detectado na Amazônia Legal. O Pará liderava o avanço contra a floresta (35%), seguido pelo Mato Grosso (25%), Amazonas (12%), Rondônia (11%), Roraima (8%), Maranhão (6%), Acre (2%) e Tocantins (1%). O acumulado de janeiro a março em 2021 também apresentava recorde de desmatamento: o total desmatado foi maus uma vez o maior da série de 10 anos, mais do que o dobro do registrado em 2020.

Entenda o que é degradação e desmatamento


As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 99 km² em abril, o que representa um aumento de 60% em relação ao mesmo mês no ano passado, quando a degradação detectada foi de 62 km². O estado do Mato Grosso concentra 75% da área de floresta degradada, seguido pelo Pará (24%) e Roraima (1%).

O Imazon classifica o desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto.

Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais, que podem ser causados por queimadas controladas em áreas privadas para limpeza de pasto, por exemplo, mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.

Mato Grosso vem em terceiro lugar no desmatamento de abril (Mayke Toscano/Gcom-MT)

Monitoramento via satélite


O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), desenvolvido pelo Imazon, é uma ferramenta que utiliza imagens de satélites para monitorar a floresta. Além do SAD, existem outras plataformas que vigiam a Amazônia: Deter, do Inpe, e o GLAD, da Universidade de Maryland.

Todas essas plataformas são importantes para a proteção do nosso patrimônio ambiental, pois garantem a vigilância da floresta e a emissão de alertas dos locais onde há registro de desmatamento. Os dados fornecidos ajudam a subsidiar os órgãos de controle ambiental a planejar operações de fiscalização e identificar desmatadores ilegais.

Pará
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