Doenças cardiovasculares são as que mais matam no Pará. Elas são responsáveis por 30% das mortes no Brasil

Setembro Vermelho leva informações sobre prevenção e combate

Cleide Magalhães

As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte entre as quatro Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) que mais matam no Pará. Depois delas estão o câncer, doenças respiratórias crônicas e o diabetes. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em 2018, ocorreram 9.508 óbitos por doenças cardiovasculares, o que representa a taxa de mortalidade de 122 óbitos por 100 mil habitantes.

Dentre as doenças cardiovasculares, o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) são as que apresentam maior mortalidade. No Pará ocorreram 2.655 óbitos por IAM e 1.453 óbitos por AVC, o que correspondem às taxas de mortalidade de 34 óbitos/100 mil habitantes e 19 óbitos/100 mil habitantes, respectivamente. 

O perfil epidemiológico do Pará não é diferente do Brasil. Meio bilhão de pessoas no mundo e 14 milhões no Brasil são acometidas por doenças cardiovasculares. O problema é grave porque essas doenças são responsáveis por mais de 30% das mortes no país. São mais de 380 mil óbitos todos os anos no Brasil, cerca de mil mortes por dia. O País registra uma morte a cada 40 segundos devido às doenças cardiovasculares, que causam o dobro de óbitos causados por todos os tipos de câncer juntos, duas vezes mais que todas as causas externas (acidentes e violência), três vezes mais que as doenças respiratórias e seis vezes mais que todas as infecções – incluindo a aids.

Contudo, a maioria da população desconhece que muitos desses males podem ser prevenidos com pequenas mudanças de hábitos. Segundo especialistas, a prevenção é o caminho mais rápido para promover mudanças e para isso é necessário informar sobre a importância da boa alimentação e de um estilo de vida saudável.

Para a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esses números expressivos preocupam, sobretudo diante de doenças que poderiam ser prevenidas e tratadas. A Sociedade alerta ainda que é um assunto de absoluta relevância, um problema de saúde pública.

Assim, para alertar e levar informações sobre a prevenção e o combate às doenças cardiovasculares, bem como a importância de cuidar do coração, neste mês inteiro acontece no mundo a campanha Setembro do Coração ou Vermelho, abraçada pela entidade.

Na campanha Setembro do Coração Organizações Não-Governamentais (ONGs) e entidades médicas concentram esforços para falar sobre o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, os principais fatores de risco e como mudar hábitos para levar uma vida mais saudável. 

Portadores de doenças cardiovasculares são considerados do grupo de risco à infecção da covid-19

A SBC, destaca ainda que, excepcionalmente neste momento, a pandemia da covid-19 é o principal problema de saúde pública no Brasil. E alguns cuidados extras se tornaram indispensáveis para viver mais e melhor, principalmente aqueles que sofrem de doenças cardiovasculares. 

A Sespa enfatiza que relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde colocam os hipertensos e cardiopatas entre os mais suscetíveis à covid-19. "Isso porque as complicações mais graves estão ligadas ao pulmão e ao coração e, quando não há um funcionamento adequado da pressão arterial, bem como do próprio coração, o corpo tem mais dificuldades para vencer a doença. De uma maneira geral, o cardiopata é um paciente de maior gravidade, tanto para se infectar quanto para apresentar uma complicação clínica mais grave".  

No Pará, na manhã deste domingo (13), a cardiopatia era a comorbidade mais comum que atingia os pacientes com o novo coronavírus e alcançava 4.34% dos infectados. Na sequência estão diabetes (3.4%), asma (0.62%), pneumopatia (0.58%), imunodeficiência (0.37%), doença renal (0.37%), obesidade (0.27%), doença neurológica (0.13%), doença hepática (0.05%) e doença hematológica (0.04%). Os dados são oficiais da Sespa.  

Como evitar doenças do coração

Marcelo Queiroga, presidente da SBC, destaca os principais fatores de riscos à enfermidade e lembra que eles podem ser evitados. “Se forem controlados os fatores de riscos, como hipertensão, colesterol, diabetes, sedentarismo, obesidade e tabagismo, além de se tomar a medicação corretamente, quem sofre de doenças cardiovasculares vive melhor. A maioria das mortes por essas enfermidades poderiam ser evitadas com medidas simples, como manter boa alimentação e de um estilo de vida saudável”, afirma.  

Por isso, ele frisa que é tão importante consultar o cardiologista, fazer um checkup, para a prevenção e manutenção da saúde do coração e “ficar fora dessas estatísticas”, explica o presidente da SBC, que veicula a campanha em mídia digital, por meio das redes sociais da entidade.

A Secretaria destaca ainda que para os indivíduos com risco de doença cardiovascular, devido à presença de um ou mais fatores de risco apresentados, é fundamental o acompanhamento médico de rotina para avaliação, diagnóstico e tratamento precoces, por meio dos serviços de saúde da rede pública ou privada, disponíveis nos municípios. 

A Sespa informa que trabalha à implantação do Plano de enfrentamento das DCNT nos municípios do Estado, por meio dos Programas do Ministério da Saúde: Academia da Saúde, Saber Saúde, Programa Nacional de Controle do Tabagismo PNCT, Programa Saúde na Escola PSE, e assessoramento técnico e capacitação dos profissionais de saúde dos municípios.

Oito principais fatores que podem contribuir para a incidência de casos de doença do coração:

1. Estresse

Muita tensão não faz bem, pois libera altos níveis de adrenalina e cortisol, gera arritmia e sobrecarrega o coração.

2. Colesterol

Há dois tipos, o LDL que é ruim, porque eleva os riscos de infarto, e o HDL que é bom, pois reduz riscos de formação de gordura.

3. Drogas e Álcool

O uso em excesso provoca um efeito explosivo, que pode causar desde arritmia até a morte.

4. Diabetes

Nos homens, a doença pode aumentar em 40% o risco de infarto e nas mulheres sobe para 50%.

5. Gordura abdominal

Se for homem e a medida for superior a 94 cm, ou mulher e a cintura medir acima de 80 cm, deve tomar cuidado!

6. Hipertensão

O fluxo de sangue nas artérias fica dificultado com a pressão alta podendo provocar infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

7. Obesidade

O acúmulo de gordura pode provocar insuficiência cardíaca e gerar outros fatores de risco.

8. Tabagismo

O cigarro é inimigo do coração. O fumante tem o dobro de risco de ter um ataque cardíaco.

 

Fonte: Instituto Lado a Lado pela Vida.

Pará
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