Pets ajudam a manter a saúde mental na pandemia da covid-19

EQUILÍBRIO - Psicóloga afirma que a convivência com animais ajuda a tirar o foco dos problemas

Cleide Magalhães

A pandemia da covid-19, ocasionada pelo novo coronavírus, é considerada a maior crise sanitária do século e já completa onze meses. Nesse tempo e nos próximos dias que ainda virão, cuidar da saúde mental se torna ainda mais relevante, pois, segundo especialistas, ela foi extremamente abalada por diversas razões, ocasionando um estado de pânico social em nível global.

Mas a saúde mental é primordial para a habilidade coletiva e individual dos seres humanos, pois as pessoas pensam, se emocionam, interagem entre si, ganham e desfrutam a vida. Por fim, ela é um componente essencial para todo indivíduo. Por isso, é preciso sempre buscar estratégias de enfrentamento junto aos problemas, para minimizar o adoecimento emocional e, assim, manter a saúde mental.

Para algumas pessoas, uma das alternativas para ajudar a manter a saúde mental em dia e não enlouquecer no meio do caos, foi encontrada na relação dos seus animais de estimação, tidos como um “esteio” para se manter firme na esperança de dias melhores.

É o que acontece com o corretor de imóveis Felipe Maia Rodrigues, 27 anos, que mora no bairro do Telégrafo em Belém, capital paraense. Ele tem um gato branco de olhos amarelos, chamado John Snow, de raça não definida, conhecida como “vira lata”. O animal tem sete anos e foi adotado por Felipe Rodrigues quando ainda era filhote e estava na rua debaixo de forte chuva.

"Meu gatinho faz muita companhia, anima a casa, quer brincar, estar junto a toda hora e evita com que eu me sinta só em períodos longos, como da pandemia. Eu me sinto muito animado, feliz e alegre com ele. Há cinco meses, vivemos só nós dois e é a única companhia que posso ter. Nesse tempo, ele é uma das minhas maiores formas de distração e companheirismo. Acho que sem ele na pandemia eu seria mais solitário. A questão não é só emocional, mas também de diversos cuidados com ele”, conta o corretor de imóveis.

A ex-vendedora Fátima Conde, 65 anos, que mora no bairro do Souza, em Belém, também tem um bichinho que ela cuida e a ajuda a enfrentar a barra emocional ocasionada também pela pandemia. O “Bambam” é um cachorro branco, da raça maltês e tem dois anos. O animal foi comprado pela filha dela, a enfermeira Maraíza Conde, 30 anos, com 45 dias de nascido, em um canil.

Bambam é o rei da casa de Fátima Conde, há dois anos. (Foto: Akira Onuma / O Liberal)

“Como minha filha trabalha, quem cuida dele sou eu. Na pandemia já perdi dois irmãos e, nesse tempo, o Bambam é minha alegria, minha felicidade e me ajuda a ficar não muito triste. Ele levanta meu astral, porque gosta de brincar, de correr, de atenção, ele é tudo de bom. Meus sentimentos por ele é de muito amor, não posso viver sem ele, é o rei da casa. Eu também cuido com amor da comida, do banho, do descanso dele”, afirma Fátima Conde.

Relação diminui o estresse e a ansiedade

Nesse tempo da pandemia da covid-19, a psicóloga Nathália Otero, especialista em diversas áreas inclusive em Avaliação Psicológica e Neuropsicologia, afirma que aumentou bastante a adesão, principalmente de adoção, aos pets. Ela frisa que isso é bom para o ser humano, porque ajuda a tirar um pouco atenção de alguns problemas, como a pandemia.

“A gente percebe que cresceu muito, especialmente a adoção, de pets nos grupos familiares justamente por esse período de pandemia, quando as pessoas ficam mais em casa, se sentem mais sozinhas, de alguma forma conseguem aumentar a interação social, porque um animal requer alguns cuidados, como ir na rua passear. Isso aumenta o nível de responsabilidade, porque o animal é um ser que depende exclusivamente da pessoa para alimentação, higiene e saúde dele. Então, a pessoa deixa de lado algumas das suas questões para investir e cuidar de outro ser, criando um vínculo emocional, que pode ser saudável, mas tem limites”, afirma.

Outros benefícios às pessoas que ela cita são a melhora no senso crítico de auto cuidado e cuidar do outro, diminui o estresse e ansiedade, estimula sentimentos e emoções positivas, melhora a empatia. “A adoção de animais é um gesto de amor. E os benefícios de um animal na vida de uma criança também são muitos, como proporcionar a criatividade, empatia, curiosidade, socialização e o senso de responsabilidade”, enfatiza a psicóloga Nathália Otero.

No entanto, a psicóloga faz alguns pontos de observação. “Pode acontecer o inverso e, após algum tempo, a pessoa não tem mais o mesmo cuidado e dedicação pelo animal, mas por uma patologia da pessoa, que precisa ser ajustada, por meio de terapias alternativas e medicações. Mas emocional e psicologicamente falando não há malefícios nessa relação entre as pessoas e os animais. E, além do amor pelo animal, é preciso a pessoa manter o amor pelas outras questões na vida, como no trabalho, nos estudos, enfim”, ressalta Otero.

Pará
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