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Companhia de dança Yaguara: 25 anos de resistência cultural em Marabá

Companhia de dança está no Festival de Dança de Joinville, registrado no Guiness Book como o maior do mundo

Tay Marquioro

A montagem de apresentações na Escola Estadual Gaspar Viana, na Nova Marabá, colocou a dança no caminho do coreógrafo Cláudio Roberto, ainda aos 17 anos. Nos ensaios de ritmos indígenas, ele jamais imaginou a proporção que aqueles primeiros passos tomariam na sua vida. “A ideia não era exatamente criar uma companhia de dança. A gente dançava por prazer. Era abril de 1997 e formamos um grupo para apresentar danças indígenas”, recorda Cláudio. À priori, a convocação para se apresentar não mobilizou muitos alunos, mas bastou o envolvimento dos nove primeiros dançarinos para que a dança conquistasse mais adeptos. “A partir da primeira apresentação, muita gente começou a nos procurar porque tinha gostado da nossa proposta e já pedia para participar. Houve uma época que o nosso grupo chegou a ter 80 dançarinos, da própria escola”, conta.

Não demorou muito para que o coreógrafo entendesse que poderia trilhar esse caminho e, por meio da dança, ainda ajudar mais pessoas. “Chegamos a um momento em que a gente precisou alçar outros voos, sair da escola, criar propostas para a comunidade mesmo. A partir dali, eu comecei a buscar mais conhecimento, a buscar outros ritmos e produzir os meus próprios eventos de dança”.

Nos contatos com outras companhias, assistindo às apresentações de outros grupos, Cláudio sentiu a necessidade de buscar mais conhecimento, conhecer outros ritmos, técnicas, entender de produção de espetáculos.

“Foi essa sede que nos tornou uma das mais importantes companhias de dança do estado e a maior da região”, garante o fundador do grupo.

Na preparação para atravessar o país para participar de mais uma edição do Festival Internacional de Dança de Joinville (SC), os 40 dançarinos do grupo adulto da Companhia de Dança Yaguara viveram uma sensação familiar, que há dois anos foi interrompida por uma pandemia. “Nós estávamos com coreografias prontas, montadas para o festival e, de repente, tivemos que parar tudo. A princípio, eu pensei que seria uma quarentena de uns 30 dias. Depois, percebi que era um problema mais sério”, lembra Cláudio. “Durante muito tempo, a nossa sede ficou fechada, sem aulas presenciais, mas as despesas de energia e água, por exemplo, foram se acumulando ao longo dos meses. A nossa companhia contou muito com o apoio das famílias dos nossos alunos”.

Grupo já chegou a ter 80 dançarinos da própria escola (Tay Marquioro/ O Liberal)

Mesmo com 25 anos de história e competindo em pé de igualdade com grupos do mundo inteiro, o Yaguara ainda precisa de muita ajuda para custear as despesas que garantem a manutenção das atividades. “Tivemos muita dificuldade para chegar a Joinville. O deslocamento de ônibus tem um custo muito alto, principalmente, nessa inflação generalizada que a pandemia impulsionou. Nós, artistas, também estamos sofrendo essas consequências. Então, o nosso apelo é para que as pessoas nos ajudem e não abandonem a cultura”. Nesse momento da trajetória do Yaguara, o Festival de Joinville representa mais que uma competição. É a retomada da dança com a sua própria natureza. “Eu espero que momentos assim não se repitam, que essa pandemia não volte nunca mais, porque a dança não é isolamento. Dança é contato, é corpo, é aglomeração, é público. E isso fez muita falta nesses dois anos”, avalia o coreógrafo.

De mãe para filha

Seguindo o fluxo de renovação de dançarinos ao longo dos anos, muitos dos que fazem parte do elenco atual chegaram na companhia ainda muito jovens. É o caso da Yria, que teve seus primeiros contatos com o Yaguara na adolescência e não demorou a entender o valor de toda a experiência que viveu com o grupo. “Aqui, nós não aprendemos só sobre ritmos, nós aprendemos sobre perseverança. Aprendemos a nunca desistir dos nossos sonhos e batalhar por eles. E eu agradeço muito a essa família por isso”, conta a pedagoga.

Mãe e filha seguem os mesmos passos e compassos (Tay Marquioro/ O Liberal)

Dançando pela companhia, Yria engravidou de Mariane. Mesmo sem que a filha pudesse dançar, ela já esteve presente em diversos momentos da vivência da mãe junto ao grupo. “Eu posso dizer que a Mariane nasceu dentro da Companhia, porque eu cheguei a dançar grávida dela”, revela Yria. 

Já Mariane frequenta desde pequena os bastidores das apresentações e sentiu cedo o encantamento pelos detalhes que permeiam cada espetáculo. “Quando eu via as apresentações do Yaguara, eu sempre ficava no cantinho, tentando fazer igual, imitando. Aí, com 3 anos, eu tive a minha primeira apresentação em palco e isso, pra mim, só aumentou a magia”, relembra a estudante que, hoje, tem 15 anos de idade. “Ter o público assistindo, aplaudindo, a iluminação, o figurino. Eu adoro isso”, analisa a jovem. Agora, mãe e filha representam a Companhia juntas, no primeiro grande festival em que as duas participam como dançarinas. “É ser um orgulho imenso, uma honra, poder dividir o palco com a minha filha”, afirma Yria.

Festival de Dança de Joinville

A primeira edição do evento foi realizada em 1983 e, em 2005, com pouco mais de 4 mil participantes inscritos, foi registrado pelo Guinness Book como o maior festival do gênero no mundo. De lá para cá, a marca do Festival de Dança de Joinville nunca foi superada. Este ano, o evento é realizado desde o dia 19 até o próximo dia 30 de julho e tem quase 10 mil bailarinos de vários países nos cursos e competições. 

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Pará
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