Chuvas devem continuar no fim de janeiro e se intensificar em fevereiro no Pará, aponta Inmet

Nesta quarta-feira (28), o dia deve começar com pancadas de chuva ao amanhecer

Bruna Lima
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Após a chuva intensa e diversos pontos de alagamento em Belém e Santarém, a previsão do tempo é de que o tempo continue instável nos últimos dias de janeiro e ao longo do início de fevereiro em grande parte do Pará. A informação é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que atribui o cenário à atuação de sistemas típicos do inverno amazônico. Na quarta-feira (28), o dia deve começar com pancadas de chuva, seguido de céu nublado ao longo do dia, com temperaturas entre 24 °C e 29 °C.

Segundo o meteorologista José Raimundo Abreu de Sousa, do Inmet, o volume elevado de chuva registrado nesta semana evidencia a grande quantidade de umidade que está sendo transportada do Oceano Atlântico Equatorial para o continente. Esse processo ocorre por causa da presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema atmosférico responsável por definir o período chuvoso na Amazônia.

Além disso, o enfraquecimento do fenômeno La Niña no Pacífico Equatorial tem favorecido a intensificação da umidade sobre a região Norte e também sobre a área central do Brasil. “Essa combinação de umidade que entra do Atlântico pelos ventos alísios, associada à instabilidade atmosférica do Brasil central, tem provocado chuvas em praticamente todo o estado”, explica o meteorologista.

Em Belém, a chuva que começou por volta das 12h30 desta terça-feira, responsável pelo escurecimento precoce do dia, acumulou 42 milímetros de precipitação, conforme os registros do Inmet. Apesar dos episódios de chuva forte, o volume total acumulado em janeiro ainda está abaixo do esperado. Até o dia 27 de janeiro, Belém registrou 230,6 mm de chuva, enquanto a normal climatológica para o mês é de aproximadamente 394 mm.

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Para efeito de comparação, em janeiro de 2025, o acumulado chegou a 417 mm, valor que ficou ligeiramente acima da média histórica, caracterizando um mês mais chuvoso do que o normal.

As chuvas registradas nesta semana na Grande Belém estão diretamente ligadas à atuação da ZCIT sobre o Atlântico Equatorial. Embora o sistema esteja, em média, posicionado entre 1°N e 2°N de latitude, suas fragmentações têm favorecido o transporte de grande quantidade de umidade para o continente, criando condições ideais para a formação de nuvens carregadas e pancadas de chuva, principalmente no período da tarde.

A previsão para os próximos dias indica a manutenção desse padrão típico do fim de janeiro. Na quarta-feira (28), o dia deve começar com pancadas de chuva ao amanhecer, seguido de céu nublado ao longo do dia, com temperaturas entre 24 °C e 29 °C. Na quinta-feira (29), as pancadas devem se concentrar entre o fim da tarde e o início da noite, com máximas em torno de 30 °C. Já na sexta-feira (30) e no sábado (31), a expectativa é de chuvas isoladas, calor e elevada umidade.

Em Santarém, no oeste do Pará, as chuvas intensas também chamaram a atenção. De acordo com o Inmet, o fenômeno está associado ao declínio da La Niña e à transição para um período de neutralidade climática, o que favorece a instabilidade atmosférica na região. Para os próximos dias, a previsão do tempo indica céu com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas, especialmente à tarde e à noite. As temperaturas devem variar entre 23 °C e 32 °C, com umidade relativa do ar elevada, podendo chegar a 100% nos períodos mais úmidos.

Já a partir do início de fevereiro, a tendência é de intensificação das chuvas em todo o estado. Fevereiro marca o começo do trimestre mais chuvoso na Região Metropolitana de Belém, com a ZCIT posicionada mais próxima da linha do Equador. A média climatológica de precipitação para o mês na capital é de 437,8 mm.

Outras regiões do Pará também devem registrar volumes elevados. No Nordeste Paraense, Tracuateua tem média de 385,3 mm em fevereiro. No Arquipélago do Marajó, Soure apresenta um dos maiores acumulados, com média de 491,9 mm. No oeste do estado, Belterra registra média de 251,9 mm, enquanto no sul e sudeste, os volumes são mais moderados, variando entre 265 mm e 323 mm.

Do ponto de vista climático global, dados oficiais indicam predomínio de condições de neutralidade do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENSO), o que contribui para um comportamento mais próximo da média histórica. Com isso, a expectativa é de um fevereiro marcado por calor, alta umidade e chuvas frequentes e bem distribuídas em grande parte do Pará.

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