Casos de câncer de mama no Pará caem 10,27% em um ano; prevenção deve ser além do Outubro Rosa

A alimentação saudável e nutritiva é um dos fatores associados à prevenção

Ayla Ferreira*
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O Pará registrou redução de 10,27% nos casos de câncer de mama em um ano. Em 2023, foram 893 casos, e 882 no ano de 2024. Em 2025, de janeiro até junho, 299 casos foram registrados, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). Especialistas recomendam que, para que a prevenção seja cada vez maior, os cuidados e a conscientização devem permanecer para além do Outubro Rosa.

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Nesta semana, o tema ganhou maior visibilidade, depois de dois diagnósticos em figuras públicas: a socialite e empresária Val Marchiori e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciaram o diagnóstico da doença. A nutricionista oncológica Viviane Rocha, de Belém, reforça que é necessária a conscientização sobre o tema durante o ano inteiro.

“O Outubro Rosa é um mês dedicado para chamar atenção ao tema, mas não podemos esquecer que novos casos de câncer acontecem todos os dias, durante todo o ano. É necessário falar sobre o tema em mais momentos para promover ainda mais a conscientização e as medidas relacionadas com a prevenção e a redução de incidência de câncer de mama”, afirma. 

Segundo a nutricionista, a alimentação saudável e nutritiva é aliada à prevenção, pois é parte de fatores controláveis e modificáveis relacionados ao estilo de vida que podem ter relação com o câncer de mama. “Os alimentos embutidos (como salsicha, presunto e salame), por exemplo, são classificados pela OMS como carcinogênicos e podem aumentar em até 6% o risco de desenvolver câncer de mama”, alerta.

“Frutas e vegetais são sem dúvidas alimentos que auxiliam muito na prevenção. É preciso atentar para ter uma variedade dentre as frutas da região e valorizar a sazonalidade, que também é importante. Garantir um consumo de pelo menos 30g de fibras por dia com uma alimentação rica em grãos integrais, frutas e vegetais é indicado para prevenção. Além disso, mudar o estilo de vida, praticar atividade física e evitar o sedentarismo”, destaca.

As frutas e vegetais são alimentos ricos em nutrientes importantes para a prevenção, como bioativos, vitaminas, antioxidantes e fibras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de 400g/dia em cinco ou mais dias na semana. A nutricionista oncológica indica alguns alimentos que podem ajudar no cuidado.

“Mantenha uma dieta rica em frutas. Nosso açaí, por exemplo, tem propriedade antioxidante. Inclua folhas verde escuras, como o jambu, espinafre, chicória, entre outros, e vegetais em variedade. Inclua carnes brancas e limite o consumo de carne vermelha em até 500g por semana”, conclui.

Doença pode se expandir

O câncer de mama é um tumor originado pelo crescimento desordenado de células cancerígenas, que pode, inclusive, atingir outros órgãos, como fígado, ossos e pulmão. Segundo o médico mastologista Helder Bitar, de Belém, existem diversos fatores que podem favorecer o surgimento. Pacientes de qualquer idade podem ser acometidas pela doença, mas a faixa etária mais comprometida é entre os 40 a 60 anos. “Além disso, pessoas que já tiveram câncer de mama anteriormente na família têm uma probabilidade maior de ter câncer de mama do que pacientes que nunca tiveram antecedentes”, afirma.

A doença é indolor, o que pode dificultar o diagnóstico, já que as pacientes demoram a perceber que há algo de errado com a saúde. O sintoma mais comum é o nódulo nas mamas, que pode ser acompanhado por sangramento nos mamilos e também retração da pele, que pode indicar o início da doença. “O autoexame é um dos exames principais para a detecção. A própria mulher deve palpar a mama mensalmente e examinar, principalmente após o período menstrual, para ver se consegue detectar alguma nodulação ou tumoração”, informa.

A mamografia também é um dos exames de detecção, mas é realizada somente a partir dos 40 anos de idade. A indicação surge porque o exame faz com que a paciente seja submetida a uma carga de radiação. A mamografia é aliada para detectar nódulos que não são palpáveis, por conta do tamanho e profundidade. “Como antes dos 40 anos de idade a incidência da doença é menor, não tem indicação que todas sejam submetidas à mamografia”, diz.

O tratamento do câncer de mama depende do diagnóstico estabelecido. Na maioria das vezes, é feito de forma cirúrgica, e pode ser seguido de radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. De acordo com o mastologista, pacientes com tumorações maiores que ocupam mais de um quadrante da mama podem ser submetidos à cirurgia de retirada da mama. 

Atendimento na rede pública

Na rede estadual, as ações de prevenção e o encaminhamento para a primeira consulta — nos casos diagnosticados ou com suspeita clínica elevada — podem ser realizados por qualquer unidade da Rede Básica de Saúde. O direcionamento deve seguir o Protocolo de Acesso à média e alta complexidade em Oncologia, priorizando o atendimento em policlínicas ou unidades de referência com consulta em mastologia oncológica.

A Sespa, ainda, destaca que, o tratamento em alta complexidade de câncer de mama pelo SUS no Pará é oferecido no Hospital Ophir Loyola (HOL) e no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), em Belém; no Hospital Regional de Castanhal; no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém; no Hospital Regional de Tucuruí e Hospital Regional do Sudeste do Pará "Dr. Geraldo Veloso", em Marabá.

Já em Belém, o acolhimento às mulheres é  realizado em todas as unidades básicas de saúde do município. Após a consulta médica, caso seja solicitada a mamografia, a paciente é cadastrada na Central de Regulação para a realização do exame em clínicas conveniadas à rede municipal.

Nos casos em que há diagnóstico de câncer de mama, a paciente é encaminhada para a URE Mulher, localizada na avenida João Balbi, onde passa por consulta especializada com mastologista e inicia o acompanhamento.

O tratamento é ofertado em hospitais conveniados com a rede municipal, como o Hospital das Clínicas e o Hospital Ophir Loyola, garantindo cuidado integral e especializado.

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades

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