Aos 62 anos, professor inicia nova jornada no curso de bacharelado em IA pela Ufopa

O professor Conti Marcelino optou por adiar a aposentadoria e investir em uma nova formação

Ayla Ferreira
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“É uma missão minha provar que a terceira idade é a idade da síntese, onde a experiência de vida se encontra com a tecnologia”, diz o professor Conti Marcelino. Aos 62 anos, Conti escolheu adiar a aposentadoria e iniciar uma nova formação: se tornou calouro na primeira turma do curso de Bacharelado em Ciência de Dados e Inteligência Artificial na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), no campus de Oriximiná. 

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O professor iniciou a jornada acadêmica com a graduação em Ciências Sociais e seguiu os estudos com mestrado em Sociologia e doutorado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro em Sociologia e Direito. Hoje, ele se reinventa em uma área considerada o futuro da ciência e tecnologia, em meio aos códigos e algoritmos.

“Minha motivação pela escolha nasce da observação e do mundo que eu estudei nas ciências sociais. Nas relações humanas, na estrutura de poder e na cultura, tudo é mediado por códigos. Para entender a sociedade moderna, eu precisava entender a gramática do nosso tempo”, destaca Conti.

Na visão do professor, a gramática dos dias atuais é baseada em dados. Por isso, Conti decidiu não só observar apenas as mudanças sociais que ocorrem durante sua escalada de vida, mas também entender a lógica que impulsiona as mudanças, para torná-las mais éticas e humanas.

O professor relata uma mistura de emoções ao se ver novamente na posição de calouro, em um início de curso, que traz o sentimento de vulnerabilidade e também de privilégio. “Enquanto muitos dos meus colegas de turma estão preocupados com o primeiro emprego e ainda na dúvida se escolheram a graduação certa, eu tenho certeza que eu fiz uma boa escolha e, consequentemente, estou adiando a minha aposentadoria tradicional, que é aquela que impõe ao idoso o descanso absoluto, para estudar”, argumenta.

Apaixonado pelos estudos, Conti Marcelino avalia o momento como uma forma de se atualizar e manter o cérebro em pleno funcionamento, além de construir novos conhecimentos para pensar uma sociedade melhor. “Uma coisa importante que eu devo falar para as pessoas que sempre sonharam e não tiveram oportunidade na idade mais nova, é que eles não deixem de sonhar, que eles busquem realizar os sonhos”, afirma.

Em um momento como a terceira idade, é comum que não se tenha mais a preocupação com os filhos, por exemplo, que já trilharam os próprios caminhos. “Nesse momento, talvez haja a necessidade de uma mudança de carreira mesmo para se sentir bem, para se sentir feliz e até mesmo para buscar um melhor emprego ou salário”, comenta.


“Estudar nunca é demais, tenha confiança que você consegue. Porque esse preto velho aqui acreditou nisso e hoje está fazendo essa inserção dentro de um mundo novo, numa linguagem nova, mas ele quer se sentir útil e quer se sentir feliz também dentro desse espaço. Que você possa buscar o teu espaço, onde você se sinta realizado e se sinta feliz”, aconselha o professor Conti Marcelino.

Para o futuro, Conti não busca mais uma carreira, e sim um legado de relevância. O professor visa atuar como ponte entre equipes técnicas e setores de impacto social, atuando em projetos em que a IA esteja aliada com a ética com respeito aos direitos humanos. “Espero ajudar a auditar os algoritmos para que eles não reproduzam os preconceitos históricos que estão por aí, além de provar que a terceira idade é a idade da síntese”, finaliza o professor.

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades

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