Recursos para bolsas de pós-graduação nas universidades públicas do Pará aumentam 13% em dois anos

Em 2024, o total de recursos destinados às bolsas de mestrado e doutorado foi de R$ 89.165.831,20. Em 2025, esse valor chegou a R$ 100.846.036,68, segundo dados do CNPq e da Capes

Gabriel Pires

O Pará registrou um aumento de 13% nos recursos destinados a bolsas de pós-graduação nas universidades públicas nos últimos dois anos. Entre 2024 e 2025, o total investido para custear bolsas de mestrado e doutorado no estado foi de R$ 190.011.867,88, segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em 2024, o total dos valores destinados às bolsas de mestrado e doutorado foi de R$ 89.165.831,20, sendo R$ 8.492.931,20 do CNPq e R$ 80.672.900,00 da Capes. Em 2025, o total chegou a R$ 100.846.036,68, sendo R$ 10.043.436,68 do CNPq e R$ 90.802.600,00 da Capes. Além disso, o Pará contabilizou, em 2025, 1.611 bolsas de pós-graduação em universidades públicas, sendo 294 de mestrado e doutorado concedidas pelo CNPq e 1.317 bolsas oferecidas pela Capes às instituições de ensino superior do estado. Em 2024, foram 2.230 bolsas, somando 256 do CNPq e 1.974 da Capes.

No detalhamento por instituição, os dados consolidados do CNPq referentes a 2024 e 2025 apontam que a Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu 376 bolsas de pós-graduação, sendo 182 em 2024 e 194 em 2025; a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) contabilizou 12 bolsas, sendo 5 em 2024 e 7 em 2025; a Universidade do Estado do Pará (Uepa) registrou 52 bolsas, sendo 20 em 2024 e 32 em 2025; e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) recebeu 44 bolsas, sendo 20 em 2024 e 24 em 2025.

E com base nos dados consolidados da Capes para 2024 e 2025, a UFPA concentrou o maior número de bolsas de pós-graduação no estado, com 1.168 em 2024 e 1.366 em 2025. A Uepa teve 149 bolsas em 2024 e 206 em 2025, enquanto a Unifesspa contabilizou 57 bolsas em 2024 e 75 em 2025. A Ufopa registrou 129 bolsas em 2024 e 168 em 2025. Somente na UFPA, a universidade conta com 112 programas de pós-graduação, que incluem 167 cursos de mestrado e doutorado, sendo 106 cursos de mestrado e 61 cursos de doutorado.

UFPA

Na UFPA, novos programas de pós-graduação, com novos cursos de mestrado e doutorado, iniciarão ao longo do ano de 2026, conforme detalhado pela instituição. Em 2024, as bolsas de mestrado da UFPA pela Capes totalizaram aproximadamente R$ 2.020.200, enquanto as de doutorado alcançaram R$ 2.217.600. No mesmo ano, o CNPq destinou cerca de R$ 532.347,20 para bolsas de mestrado e R$ 464.464,00 para bolsas de doutorado. Em 2025, os recursos da Capes para mestrado somaram R$ 2.108.400 e para doutorado, R$ 2.662.800. Já o CNPq destinou, neste ano, R$ 313.100,00 para bolsas de mestrado e R$ 167.921,60 para bolsas de doutorado.

Papel estratégico

A pós-graduação desempenha um papel estratégico no fortalecimento da ciência, da inovação e do desenvolvimento social do país, conforme destaca a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFPA, Iracilda Sampaio. Essa etapa acadêmica é fundamental para consolidar a formação de pesquisadores altamente qualificados e promover a produção de conhecimento capaz de orientar políticas públicas e enfrentar desafios contemporâneos. Para ela, fortalecer os cursos de mestrado e doutorado é investir na soberania científica do país e na construção de soluções para a sociedade, especialmente em regiões estratégicas como a Amazônia.

“A entrada na pós-graduação representa não apenas um avanço acadêmico individual, mas a inserção do estudante no sistema nacional de ciência e tecnologia. No mestrado e no doutorado, o estudante passa a atuar diretamente na produção de conhecimento científico, contribuindo para o desenvolvimento do país. Esse processo forma profissionais com alta capacidade analítica e crítica, preparados para atuar em áreas estratégicas da sociedade”, detalha a pró-reitora.

A pró-reitora destaca que, em um país como o Brasil, marcado por desigualdades regionais, ampliar o acesso à pós-graduação significa democratizar oportunidades e fortalecer a formação de pesquisadores qualificados. E capazes de pensar soluções para os desafios sociais, econômicos e ambientais contemporâneos em todas as regiões. “Esse resultado demonstra a capacidade das universidades públicas de produzir ciência de qualidade internacional, ao mesmo tempo em que mantém forte compromisso com o desenvolvimento regional”, enfatiza Iracilda.

“É fundamental romper a percepção de que a pós-graduação é um espaço restrito a poucos. Na UFPA, por exemplo, temos ampliado políticas de inclusão, permanência e interiorização justamente para garantir que estudantes de diferentes origens sociais possam acessar esse nível de formação. O contato precoce com a pesquisa, por meio da iniciação científica, ajuda a aproximar os estudantes desse universo também. Eu penso que seguir o mestrado ou doutorado seja também uma forma de participação ativa na construção do futuro do país”, acrescenta a reitora.

Rotina do doutorado

Do primeiro contato com a pesquisa científica ainda na graduação até a conquista do título de doutorado, essa etapa da vida acadêmica proporciona diversas experiências. A engenheira eletricista Wuanda Moraes, de 31 anos, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFPA, iniciará o pós-doutorado fora do Brasil. Sua trajetória na pós-graduação é bastante extensa. Para ela, desenvolver pesquisas na área em que atua significa contribuir para a compreensão da realidade em que se vive por meio dos resultados dos estudos realizados.

“Entrei no doutorado no segundo semestre de 2023, também em Engenharia Elétrica. Minha pesquisa foi baseada no armazenamento de energia, analisando sua viabilidade para acomodar maior quantidade de energia e garantir estabilidade da rede com a inserção de fontes renováveis. Nossa rede está mudando. O sistema elétrico de potência tradicional, aquele formado por usinas, transmissão e distribuição, está sendo totalmente remodelado com a entrada das fontes renováveis, dos datacenters, que representam grandes cargas, do armazenamento de energia e da mobilidade elétrica”, diz.

Pós-graduação

Ele relatou que, quando entrou no doutorado, já estava trabalhando no mercado, além de atuar na academia, continuando sua trajetória iniciada no mestrado. Em meio a rotina, ela também realizou uma especialização em proteção de sistemas elétricos de potência, oferecida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Hoje, sou especialista em proteção do sistema elétrico de potência, mestre e doutoranda. E estou voltando para a Alemanha para fazer doutorado de sanduíche na Universidade Técnica de Munique”, relata ela que também atua no Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), vinculado ao PCT-Guamá.

“Sempre tive aquele sonho de criança de querer ser doutora. Mas, além disso, o que realmente me motiva é que eu gosto muito de estudar e estou em um setor que me incentiva a aprender constantemente. O modelo tradicional do sistema elétrico, com fontes firmes, está passando por mudanças. E não se trata apenas de uma transformação no Brasil, mas de uma mudança em nível mundial”, acrescenta Wuanda ao detalhar que o tema desperta interesse em seguir estudando.

image Wuanda Moraes é engenheira eletricista e atualmente é doutoranda na UFPA (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Wuanda explicou que escolheu a Alemanha para o doutorado sanduíche por ser um dos países pioneiros no estudo de armazenamento de energia. Ela destaca que, quando visitou o país em 2015, já era possível observar muitos parques eólicos próximos às cidades, junto com usinas fotovoltaicas, o que permitiu aos país enfrentar problemas antes do que o Brasil e outros países europeus. Essas mudanças no sistema energético, segundo a doutorando, são altamente motivadoras para o estudo da área.

Para ela, mercado e academia são dois fatores que podem se unir para o desenvolvimento de conhecimento: “Às vezes, as pessoas dizem que a academia não vai agregar no mercado. Mas agrega muito, principalmente em uma área em constante transformação e em ritmo acelerado. Estamos passando por uma transformação das redes, que tende a se intensificar. Tivemos a COP 30 no ano passado. E ainda, há a antiga agenda 2030, com suas metas de descarbonização. Há incentivos, não apenas do governo, mas do mundo, para termos redes mais limpas e sustentáveis. E de onde vem essa mudança, essas tecnologias e esse conhecimento? Vem da academia”, analisa Wuanda.

As ciências humanas também estão no centro da produção de conhecimento científico, e é nesse campo que a estudante Ágata Abreu, 23, ingressante no ano passado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFPA, mergulha no mestrado motivada pelo desejo de compreender a relação entre direitos humanos e da natureza. E ainda, ampliar esse debate. Formada em Relações Internacionais, ela se interessou pela pesquisa a partir da admiração por palestras, debates e pelo conhecimento de professores e pesquisadores que acompanhou durante a graduação.

A pós-graduação não se resume a uma rotina de estudos sem impacto na sociedade. É justamente a partir desse ponto que Ágata destaca a importância do desenvolvimento da pesquisa: o foco no desenvolvimento da ciência e na produção de novos conhecimentos. “A ciência é o que move o mundo. Não é nem somente o Brasil ou Belém ou a Amazônia. Esse é o primeiro entendimento que a gente tem que ter, porque tudo que foi descoberto, foi a partir da pesquisa. A pesquisa está entrelaçada em tudo”, comenta.

“Eu acredito que, dificilmente, uma pesquisa não vai contribuir com nada. Todas têm algo a contribuir. No meu caso, principalmente na parte social, de luta coletiva. Querendo ou não, mesmo que a gente veja notícias sobre todos os diversos tipos de temática, a gente sabe que algumas são mais exploradas, outras não. E é importante dar luz a esses temas, discutir isso”, acrescenta ela, ao falar da importância de promover o pensamento crítico.

Formação de novos pesquisadores

A mestranda destaca que, mais do que nunca, é importante promover a formação de novos pesquisadores. Ágata Abreu considera a pesquisa parte do que já foi estudado, servindo como referência para novas análises. O pesquisador avalia, reinterpreta e discute essas ideias, concordando ou não com elas. Para ela, é justamente nesse processo que se evidencia a importância da formação de novos pesquisadores.

“Sendo a ciência que move o mundo, é fundamental termos sempre uma construção contínua de pesquisadores. É pegar uma herança e construir o novo também. É importante que isso ocorra tanto para novas ideias, atualizações, reformulações, quanto para debates, que são muito relevantes. Nenhum pesquisador necessariamente vai concordar com outro, e é justamente esse debate que permite ter amplas visões sobre determinados temas”, diz a mestranda da UFPA.

Para quem sonha seguir na pós-graduação, essa realidade está cada vez mais próxima. Damásio Lima, de 22 anos, está concluindo o curso de Engenharia Elétrica na UFPA e já foi aprovado no mestrado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na pós-graduação em Ciência e Engenharia de Petróleo, onde deve ingressar em breve. Ele afirma que sempre teve interesse em pesquisa, área com a qual teve contato desde o início da graduação na UFPA.

O estudante conta que já está na expectativa para essa nova etapa acadêmica. “Já fiz estágio em empresas e passei pelo mercado, porém a parte de inovação e pesquisa é o que eu vejo como mais importante para o desenvolvimento do país. E eu me encontrei nessa área para aplicar os conhecimentos. Para o futuro, pretendo continuar me especializando, estudando sempre para me tornar um profissional, um engenheiro melhor. É algo que eu sempre quis”, relata.

image Damásio irá finalizar a graduação e seguir para o mestrado na Unicamp (Foto: Igor Mota | O Liberal)

“No dia a dia da pós-graduação, pelo que percebo e pelo contato que sempre tive com doutorandos e mestrandos do laboratório, o trabalho sempre teve foco na aplicação: estudar, continuar aprendendo, desenvolver, buscar soluções práticas e identificar formas de resolver problemas. Muitos países vêm se destacando recentemente pelo foco que seus pesquisadores dedicam à sociedade e pelo maior incentivo que têm recebido. Não existe inovação sem pesquisa”, completa o estudante.

Entenda o panorama das bolsas de pós-graduação no Pará (2024 - 2025)

Investimentos totais:

Total 2024 – 2025: R$ 190.011.867,88 (+13% em relação ao período anterior)

  • 2024: R$ 89.165.831,20

CNPq: R$ 8.492.931,20

Capes: R$ 80.672.900,00

  • 2025: R$ 100.846.036,68

CNPq: R$ 10.043.436,68

Capes: R$ 90.802.600,00

Número de Bolsas:

2024: 2.230 bolsas

  • CNPq: 256
  • Capes: 1.974

2025: 1.611 bolsas

  • CNPq: 294
  • Capes: 1.317

Distribuição de Bolsas por Instituição – CNPq (2024 - 2025):

  • UFPA: Total 376 | 2024: 182 | 2025: 194
  • Unifesspa: Total 12 | 2024: 5 | 2025: 7
  • Uepa: Total 52 | 2024: 20 | 2025: 32
  • Ufopa: Total 44 | 2024: 20 | 2025: 24

Distribuição de Bolsas por Instituição – Capes (2024–2025):

  • UFPA: 2024: 1.168 | 2025: 1.366
  • Uepa: 2024: 149 | 2025: 206
  • Unifesspa: 2024: 57 | 2025: 75
  • Ufopa: 2024: 129 | 2025: 168

Fonte: CNPq e Capes

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