Ministro da Educação é recebido com chuva e protesto de servidores na Unifesspa em Marabá
Técnicos-Administrativos da Educação (TEA) iniciaram greve nacional com movimento paredista nas principais universidades do Pará
O ministro da Educação, Camilo Santana, foi recebido por baixo de uma chuva fraca e de protestos de servidores ao chegar na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, região sudeste do Pará. Santana cumpriu agenda oficial da Caravana na Educação na unidade III da instituição. O ato tem a participação de professores, estudantes e técnicos-administrativos de educação (TEA) da instituição, que estão em greve.
A programação incluiu a inauguração das Estruturas Acadêmicas/Bloco Multiuso do Campus de Santana do Araguaia, visita às obras nos campi de Marabá (Unidades II e III), assinatura da ordem de serviço da obra remanescente do Restaurante Universitário do Campus Marabá (Unidade II) e assinatura da portaria de autorização do curso de Medicina na Unifesspa no Campus Marabá.
"A gente sabe o que vivemos nas universidades no governo passado. Eu sempre digo que reconstruir leva mais tempo e mais trabalho. Sempre cito um exemplo de uma casa. Quando temos uma casa, destruir é só colocar um trator passar por cima, é rápido. Mas, para construir é preciso começar os alicerces, colocar os tijolos. A gente precisou garantir orçamento, no período passado foi o pior orçamento das universidades. Precisamos recompor o orçamento", declarou.
Santana frisou que o Governo Federal já autorizou a contratação de 9.600 servidores para as universidades e institutos federais, entre professores e técnicos-administrativos. O ministro adiantou que 25 mil novos cargos para professor e técnicos serão abertos.
Em Marabá, Camilo Santana enfatizou a assinatura do novo curso de Medicina, uma antiga reivindicação da região. Ao lado do deputado federal Airton Faleiro e do reitor da Unifesspa, Francisco Ribeiro da Costa, Camilo Santana assinou a autorização do curso superior de Medicina da Unifesspa. A previsão é de abertura de 30 vagas no processo seletivo de 2026 para início das aulas em 2027. Ele ainda listou ainda o investimento de R$ 1,2 bilhão na educação no Estado do Pará, em diferentes projetos, desde a creche até o ensino superior.
PROTESTO - Um grupo de servidores protesto e entregou uma carta para o Ministro Camilo Santana com as reivindicações do movimento. O representante dos técnicos-administrativos da Unifesspa e integrante do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes), Igor Oliveira, cobrou que o Governo Federal cumpra com os acordos de greve.
"A gente também precisa de valorização. Em 2024, houve uma greve e um acordo de greve. E hoje, 610 dias após a assinatura do acordo e 430 dias após o prazo estabelecido nesse acordo, ainda estamos tendo que lutar pela implementação. Essa é a pauta principal que é o cumprimento do acordo, mas também trazemos a reivindicação histórica. Ao longo dos últimos dez anos, as universidades tem como média o corte de R$ 10 bilhões, aproximadamente, no seu orçamento, além do que esse orçamento é liberado de gota em gota, pouco a pouco, o que não permite um bom planejamento de atividades", enfatizou.
Dentre as reivindicações dos servidores estão o cumprimento das cláusulas não econômicas negociadas como: a redução de jornada de 40 para 30 horas semanais, para todos os servidores; a implementação da gratificação por Reconhecimento de Saberes e Competências técnicas (RSC) para todos os servidores, benefício correspondente à aproximadamente 22% do salário, e outras coisas.
Sobre o protesto, Santana declarou ser natural a reivindicações da comunidade acadêmica. "Onde chego recebo reivindicações dos servidores, dos professores, dos alunos, sempre digo o que os olhos não veem o coração não sente", comentou.
O reitor da Unifesspa, professor Francisco Ribeiro, reforçou no discurso de solenidade o apoio da União no desenvolvimento da Unifesspa. "O Governo Federal reafirma que ciência, tecnologia e a informação de pessoas são os pilares estratégicos para o País. A criação da Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) insere-se justamente nesta visão. Fruto da luta dos movimentos sociais e da política de interiorização do ensino superior. Nossa universidade nasceu para estar no coração da Amazônia", declarou.
O prefeito de Marabá, Toni Cunha, declarou estar aberto para parcerias com o executivo federal. "São muitas as necessidades, em uma cidade de 15 mil quilômetros quadrados de extensão. Uma dificuldade enorme em mais de 7 mil quilômetros de zona rural. E quero dizer a vossa excelência, o Governo Federal, ao reitor, aos vereadores que estão aqui representados, que tudo que precisar ser feito de maneira convergente e quando há o interesse público, todos nos devemos convergir. A Prefeitura Municipal de Marabá o fará para que a gente possa ter uma educação cada vez melhor em Marabá, no Pará e no Brasil", afirmou.
Participam da solenidade o prefeito de Marabá, Toni Cunha; de Itupiranga, Wagno Godoy; de Rondon do Pará, Adriana Andrade; e de Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha, além de outras lideranças regionais.
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