CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Greve dos técnicos administrativos na UFPA suspende funcionamento de restaurante universitário

A UFPA conta com cerca de 2.500 técnicos administrativos, distribuídos em todos os campi no Estado

Dilson Pimentel
fonte

Os técnicos administrativos de 3 instituições federais de ensino superior no Pará - Universidade federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará  (Unifesspa) e Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) - iniciaram greve nesta segunda-feira (23), conforme informou Felipe Melo, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes) e técnico administrativo da Universidade Federal do Pará (UFPA). Por causa da greve, o restaurante universitário do setor profissional da UFPA não está funcionando. Mas o que fica no setor básico está com funcionamento normal.

Segundo Felipe, a paralisação é de caráter nacional e, na base do sindicato no Pará, envolve quatro universidades: UFPA, Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia), Unifespa e Ufopa. Já aderiram ao movimento a UFPA, a Unifespa e a Ufopa. A Ufra votou contra a greve neste primeiro momento, principalmente em razão das eleições internas que estão sendo realizadas na instituição, mas continuará debatendo o tema.

De acordo com Felipe Melo, a UFPA conta com cerca de 2.500 técnicos administrativos, distribuídos em todos os campi no Estado. Ele destacou a importância da categoria para o funcionamento das universidades. “Sem os técnicos, a universidade não funciona. Pode até ter aula, mas não tem ninguém para abrir a sala de aula, não tem as pessoas para fazer funcionar o restaurante universitário, que garante a alimentação dos estudantes, não tem gente para garantir os contratos da universidade, para garantir que as licitações aconteçam, para garantir o funcionamento dos laboratórios”, afirmou. Segundo ele, a importância dos técnicos é crucial e, sem eles, a universidade para.

Sobre os serviços que continuarão funcionando durante a greve, o coordenador explicou que ainda haverá deliberação em assembleia, já que este é o primeiro dia de paralisação. No entanto, a orientação é garantir os serviços essenciais. Entre eles, estão o funcionamento do restaurante universitário para atender estudantes em situação de vulnerabilidade social, o pagamento de bolsas para alunos também em vulnerabilidade social, além da manutenção de serviços como energia elétrica, abastecimento de água, segurança e os atendimentos nos hospitais universitários. São os serviços essenciais de fato que a gente pretende garantir. Mas isso ainda está em construção. Hoje é só o primeiro dia de greve. É um processo que vai se desenvolvendo ao longo dos dias”, disse.

VEJA MAIS:

image Técnicos-administrativos da UFPA, Unifesspa e Ufopa aprovam greve a partir do dia 23
Servidores aguardam resultado final das assembleias gerais em todo o Brasil 

image Técnicos administrativos das universidades federais do Pará paralisam atividades nesta segunda (19)
Apesar da paralisação, as aulas nas universidades não foram suspensas, sendo afetadas apenas as atividades administrativas

image Os técnicos administrativos da UFPA iniciaram greve nesta segunda-feira (23) (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Felipe Melo ressaltou que a definição do que será mantido ou paralisado ocorrerá de forma gradual, com debates caso a caso, para assegurar que os serviços considerados essenciais continuem sendo prestados.

A categoria decidiu deflagrar a greve, segundo ele, devido ao descumprimento de pontos acordados com o governo após a paralisação realizada em 2024. E várias questões, disse, não foram cumpridas. Entre as reivindicações está o reconhecimento de saberes e competências, uma gratificação que garantiria aumento salarial a partir do reconhecimento de atividades e experiências acumuladas ao longo da carreira. De acordo com o sindicalista, o governo desconfigurou totalmente o projeto, tornando-o mais restritivo.

Outros pontos citados foram a implementação da jornada de 30 horas semanais para a categoria, o debate relacionado ao fim da escala 6x1 e o reposicionamento dos aposentados, que possibilitaria reajuste salarial também para servidores inativos. O governo descumpriu várias dessas questões e a gente está cobrando para que esse acordo, que foi assinado, de fato se efetive. Segundo Felipe Melo, diversas cláusulas do acordo firmado em 2024 não teriam sido cumpridas, o que motivou a nova paralisação. “A greve é para que se cumpra o acordo que foi assinado em 2024 e que não foi cumprido”, concluiu.

Comando de greve foi instalado nesta segunda-feira

Diretor do Sindtifes, Will Mota disse que a decisão foi aprovada em assembleia que reuniu cerca de 200 servidores. “A gente está iniciando hoje a greve, instalando o comando local de greve. Ainda não temos uma estimativa do percentual de paralisação. Ao longo da semana, vamos passar nos setores e fazer esse levantamento”, afirmou.

Segundo o dirigente sindical, a categoria deve intensificar a agenda de mobilização nos próximos dias. Estão previstas atividades como cafés da manhã nos setores da universidade, além de ações em frente aos hospitais universitários, na Reitoria e nos portões da instituição, com o objetivo de dialogar com a comunidade acadêmica e a população em geral sobre a importância do trabalho dos técnicos administrativos das universidades federais e sobre os serviços que a UFPA presta à sociedade.

Will Mota destacou que os técnicos administrativos desempenham funções diversas e essenciais para o funcionamento da universidade. As atividades vão desde ações ligadas à gestão administrativa, pesquisa e extensão até o atendimento especializado a estudantes e à comunidade externa. A UFPA mantém serviços como clínica de psicologia, atendimento psiquiátrico, hospitais universitários, restaurante universitário e outras estruturas que atendem tanto o público interno quanto a sociedade.

Estudantes são surpreendidos com fechamento de Restaurante Universitário

A suspensão do funcionamento do restaurante universitário do setor profissional pegou muitos estudantes de surpresa. Foi o caso de Heno Vilhena, de 25 anos, aluno de Engenharia Elétrica da UFPA. Segundo ele, a informação só foi descoberta ao chegar ao local para o almoço. “A gente ficou sabendo assim que chegou aqui. A gente veio para almoçar e viu que não estava tendo almoço”, contou.

Com a unidade fechada, Heno precisou se deslocar até o RU do setor básico, que permanece funcionando. “Agora a gente vai para outra unidade. É lá do outro lado, mas a gente vai para lá almoçar. É uma ‘pernadinha’, disse. O estudante reconhece que a greve é um direito da categoria, mas avalia que a paralisação acaba afetando os alunos. “É direito deles fazer a greve, só que a gente que precisa almoçar também fica prejudicado”, afirmou.

Ele explicou que, em dias com aulas em sequência, o tempo reduzido entre uma disciplina e outra pode dificultar o deslocamento até o outro restaurante. “Se a gente tivesse aula agora, não conseguiria ir, porque são só 10 minutos entre as aulas. Esse tempo de percurso já ocuparia tudo”, relatou. De acordo com o universitário, a organização do horário de almoço depende da grade de cada dia. “Normalmente a gente se organiza, mas tem dia que tem aula de manhã e de tarde, então às vezes fica pouco espaço de tempo para almoçar”, explicou.

 

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Pará
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM PARÁ

MAIS LIDAS EM PARÁ