Estados Unidos retiram seis vacinas do calendário infantil e preocupam especialistas em saúde

A decisão gerou reação imediata entre médicos e pesquisadores em saúde que temem retorno de doenças já erradicadas

Gabrielle Borges
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O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (05), uma mudança inédita no calendário de vacinação infantil. Seis vacinas deixaram de ser recomendadas de forma rotineira para todas as crianças, conforme decisão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês), chefiado por Robert Kennedy Jr.

A medida faz parte de uma revisão mais ampla da política de imunização do país, conduzida pela gestão do presidente Donald Trump. Saiba quais são as vacinas que saíram da obrigatoriedade abaixo.

Quais vacinas saíram do calendário vacinal infantil?

Deixaram de integrar a lista de recomendações universais as vacinas contra a gripe, hepatites A e B, meningococo (bactéria associada a casos de meningite), vírus sincicial respiratório, ligado à bronquiolite em bebês, e rotavírus, responsável por formas graves de gastroenterite.

Meses antes, a vacina contra a Covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil recomendado nos Estados Unidos.

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Com a mudança, que passa a valer imediatamente, as vacinas deixam de ser indicadas de forma universal e passam a ser recomendadas apenas para crianças consideradas de alto risco ou mediante avaliação médica individual, dentro do modelo de “decisão compartilhada” entre profissionais de saúde e famílias.

Agora, os Estados Unidos passam a recomendar 11 vacinas universais para crianças ante as 17 indicadas antes da revisão. A França exige 12 vacinas obrigatórias, enquanto outros países europeus adotam modelos distintos, com maior ou menor número de imunizações recomendadas.

Críticas e preocupações

Em nota, o secretário de Saúde Robert Kennedy Jr., afirmou que a revisão do calendário de vacinação infantil busca alinhar os Estados Unidos ao que classificou como um “consenso internacional” sobre imunização pediátrica.

Como referência, o governo citou países como a Dinamarca, que adotam calendários com menor número de vacinas obrigatórias na infância.

A decisão gerou reação imediata entre especialistas em saúde. Infectologistas e pediatras afirmam que a comparação com outros países desconsidera diferenças significativas entre os sistemas de saúde, os perfis populacionais e a circulação de doenças.

Médicos e entidades científicas alertam ainda que o enfraquecimento das recomendações de vacinação pode abrir espaço para o retorno de doenças já controladas, como sarampo e meningite, sobretudo em comunidades com menor acesso a serviços de saúde.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com.)

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